quarta-feira, 30 de maio de 2012

Vodka e Sangue



enredado poker, místicas velas,
já lhe fora então a carne,
perceptível exaspero,
espírito ao páreo...
tratado com muito esmero;

eternas posses vossas, fizeram em apostar,
ao país qual, vieram, prepotentes explorar,
deslindadas densas dimensões deslucidas,
desejados ditos desvarios, desde as dívidas!

mística subita atmosfera perniciosa,
cigarrilhas aos ares, macabros risos lançavam,
e os luxuosos leitos, de almofadas rubras, abraçavam,
meretrizes de humanidade, concerto; duvidosa.

vodka e sangue,
eis meu vício libertino,
à morbidez, o desespero,
desta criatura; sem destino...

silhuetas esbeltas; cinzentas, vistosas,
de pernas abertas, terríveis no enlace
à tortura indolor, co' a cor, de mimosas rosas;
viscerais mortais vorazes vampiras, venosas, sem face;

em honras cujas... sobrepostas, dançantes,
sapateiam Sucubus com saltos de alabardas,
calam-lhe o peito, vossas bocas, profanam fardas
temidas ditas vestes do império, de desalmados amantes;

pés àquelas negras viúvas, vos impedem gritar,
vociferar neste antro, o desprezo do tapa a estralar,
inebriado suplício alcoólico; em vermelhidão,
cereja lampeja, viceja o piscar da besta, à escuridão;

vodka e sangue,
eis meu vício libertino,
encontro a mim, àquele peito,
libidinoso infante ingênuo desatino...

filhas de Satã,
dúvida
insã,
dívida,
pois, vã
d' alma
vendida,
tendida
ao fim,
oh! vim
ventres ver,
vastos
pastos
conhecer...
pecado beber!

me gracejam
azeitonas,
oh! vermelhas,
olhos de ovelhas,
me despejam
tais vís matronas;
teias, do teto
em poltronas,
menos dum metro
à Mara maior,
portando um cetro,
apontado ao major;

major sou eu,
viciado,
o cantante,
à sangrenta
ironia,
à luxuria
aberrante,
que à sargeta
admira
absorto,
o pesadelo
insone...

vodka e sangue,
eis meu vício libertino,
o despertar num estatelo,
dum delírio, tão cretino...

fita promíscua rapariga, ao lado assombrada,
num canto encolhida, confusa tornada,
à memória, contada, em voz rouca, chorosa,
dita parcela do estranho boemio, a tocar-lhe a pele sedosa;

pelas ruas caminham, desmentido desvário,
a levo num prédio, barato hotel centenário,
infame, até, ignorando encarnado
débil motivo, de porque com isso, novamente ter sonhado.



Tive o prazer de ter podido conjurar um poema como esses, em três dias em que peguei pra fazer...
A tela é de Brian Viveros "Octopussy", curto pra caramba essa imagem. Se curtir comenta...

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