segunda-feira, 25 de junho de 2012

Lycantropya


redoma de doméstico concreto,
serenidade cinzenta, e perturbada,
estranho ruído, voz rosnada,
algo dizendo, não inteligindo nada...
num aposento de hospício, ao teto;
deparara-me co' uma besta acuada,
humana, diabólica, incerto
àquela aparição alí mui perto,
recém detida, e internada...

maníaco instintivo, delicado olhar,
por sangue ansiando,
sua boca banhar,
lupina fugaz destreza,
tenebrosa frieza
por detrás arrepiada pelagem,
a maldição, a se liberar,
enraivescida espumante mutação,
pronta ao abate, com o ataque dum cão;

fugitivo à porta,
destroçara enfermeiros,
corta
com as garras
grandes grades
entorta
as barras
deixando metades,
ainda inteiras
tomando dianteiras
grunhindo
furtivo,
seguindo
intuitivo
até o não mais ver...

o anoitecer
cheira sinistro,
ministro
das aberrações,
em que não se ousam crer,
e em quais jamais anseiam sonhar,
o alvorar das consternações,
e aparições malditas lhe habitam,
respirando
o medo
no enredo
em que gritam...

...tropeçando
ao rezar,
debandados,
desmaiados,
tentando
cada um
por si fugir,
azarados
deparados
à tez dum
monstro olhando,
retalhando...
de rugir
sem piedade
ou receio,
rancor,
ou anseio,
à dor
da insanidade,
lupina humana aspereza,
esquizofrenia, ou verdade...?

polícia chamada, que urgentemente,
investida forçada, armas vacilantes,
três metros, com uma perna em meio um dente
horrendos prantos sob os tiros incessantes,
de pungi-lo incapazes, vorazes esquivas
esquerdas, estralam-lhe os ossos,
vislumbram os demais, temerosos;
um morto colega, não mais há tentativas...
de dalí sair, sequer se for, por acidente.

e o nimbo da aurora sangrenta oculta a verdade,
santificada seja a besta em reza, ajoelhada,
vitrines; postes, destruira em uma patada,
escondida contemplando a lua, sem presença,
àquela noite, em que a praga fez-se a crença,
abominável, a envolver toda a cidade,
madrugada aterradora, sem heróis; balas de prata,
de frieza desprovido, tampouco um sociopata...
e que do saber de todos, desaparecera abrupto.



Estejam certos de que adorei ter feito esse poema, sem permitir com que realmente se tenha a certeza de estar falando simplesmente do distúrbio da Licantropia - escrevi Lycantropya porque me deu na telha, foda-se, achei que ficaria mais interessante - ou do mito em si, e ao mesmo tempo ter tratado do medo de forma poética como na quarta e quinta estrofe por exemplo, bem... ele é só a primeira parte, tenho mais dois em mente sobre o assunto, que virão a se relacionar com esse... e que se desvelem as presas brutais do oculto!

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