terça-feira, 19 de junho de 2012

Nove tiros



sonhei tomar nove infames tiros,
quando tranquilo, numa rua caminhava,
eu vi, era um bando que chegava,
num carango bege, todo arranhado;

vinham do nada, bastardos malfeitores,
cantando pneu, gritavam carecas,
de repente investidos, explosões secas,
o queimar à carne, uma queda ao chão...

escorrido, meu sangue ao cimento sujo da calçada,
cantigava a morte, sobre mim, pra eu dormir,
o leito de ninguém, a parir-me no inferno,
mirando aquela escória se seguir...

levantado, retirando as balas,
sem sequer as pernas, ter trementes,
gritos, pragas, temores ausentes,
as levei no bolso, como tampas de garrafa...

recém chegado, em casa, as contemplava desdenhoso,
chumbo opaco, pouco brilhoso,
num canto... num balde...
lançadas como sementes, a mais outras mil.



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