domingo, 29 de julho de 2012

A Face de Mais de Mil Vermes





enterro sádico, prazer violento,
açoitado... rendido...
me fizeram desacordado,
sepultado
por piedade,
de minha morte, ainda isento.

vulgar sacrifício,
espírito atravancado,
espaçoso caixão,
esburacado
confessionário meu,
penúria da guarda, me enfraqueceu...

silencioso odor de podre madeira,
temporal existência, a deixar derradeira,
sangrados campos de infecção,
o mover-se da dança,
surreal,
delongada esporádica destruição!

contaminada pele,
que de cor neste escuro desconheço,
flertam-me pestes, parasitas ardentes,
mergulham-me os dentes
em expostas feridas,
tirano turvo torpor mensurar começo.

proposital quietitude,
estratégico flagelo,
aterrorizado brusco mover
à tona traria, um revoltoso vir a ser,
do império este,
em que sou divinizado,
delirante, fiz-me crer, ser isso belo,
isqueiro acendo, ao bolso deixado,
vasta amplitude
inconsequênte desbrava...
de pavor, um estridar me escapa,
desmedindo cada endemoniado tapa,
desesperada agressão no que me veste
só sua fúria lhes agrava...

nauseabundos afagos
de carícias sangrentas,
um orgasmo de suicida,
eis o conformismo à companhia,
miserável dádiva
de só não morrer,
permitir-se eternamente dormir
com mais de mil vermes a entreter!



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