terça-feira, 17 de julho de 2012

Eu não conheço o perdão!





torpor à mente, peso à balança,
rancorosa tendência,
enegrecida lembrança,
eis-me em essência,
um lupino em matança...

infelizardo enfermo,
criança estúpida,
conceito estafermo,
de não haver dívida,
que eu não sei cobrar;

odiando lhe apenas,
numa extasiante amargura,
a desprezar humana hipocrisia
em remorsos tendendo, a se assolar;
rastejando, se a calhar.

ensejo eliminar,
quebrar, destruir,
cuspir, açoitar,
foiçar, extinguir,
é o que quero,
sem esmero
tratar, refutar,
rechaçar, agredir...

ser assim não sei,
nem tendo, ou anseio,
tampouco receio,
humano menos vir a me tornar!

súbita
cotidiana
amnésia,
rir de tudo após
detrás jurando
agoiros,
vil parca alegria,
sem dedo
apontar
em difamação,
no medo
de escutar
qualquer indagação;

desconheço suas maneiras...
sou quem sou
e ninguém pode mudar!
nomine-me insano,
por eu querer lhe matar!

talvez fadado esteja eu, à solidão,
condenado, renunciando perdão,
rindo sentenças, profanando decretos,
mergulhado em escuridão,
desatado a desprezíveis ímpetos;

prefiro ainda monstro ser,
que bela face cometendo sangrias,
prefiro me dizerem abominável,
a ter de por ventura escutar heresias,
mediante meu silêncio ensimesmado!




Um comentário:

  1. Sou ou não sou mais uma criatura nas sombras? Não sei, o tempo é um vagalhão e somente ele tem a resposta. Quanto ao teu poema obscuro, escuro, obtuso é a veia que tu escolhestes que fosse esguichar. Tornei-me tua seguidora Santiago.
    Uma ótima semana pra ti! Beijo.

    ResponderExcluir