quinta-feira, 12 de julho de 2012

Meu mortuário





do negrume emergem flores,
dum céu profundo, a dispor lembranças,
em ruas, em que acompanham-me fantasmas
errantes, berrantes meus, nelas habitam.

cá situado, a vislumbrar infindáveis cores,
e fingidos risos, de lágrimas cingem,
tais enrubescidos miseráveis semblantes,
decréptos, que às paredes se deslindam,

velhas calçadas, calcado pétreo mortuário,
de parcelas minhas, induzidas deixadas,
como desesperadas sangue-sugas me molestam,
ao escutarem inibidos passos meus... chegados!

à maré holofotes, lua cheia,
postes piscantes, cadentes folhas,
áustero agudo perturbador silêncio,
grasnido marchante
duma tropa minha
de mim mesmo composta,
o mal intenta, não me encosta,
sequer mensura, ou advinha,
o fadado fardo meu,
num caminhar estafante,
à ternura da falha elegia perpétua...

entretem-me em sombras,
palhaços que meu luto protelam,
morri por mim, para intentar viver,
sorri, eu vim, aqui lhe ver!
flor à mão, diante o mar,
doce reza, sem um deus a crer,
provido à dor, a me fazer,
tão temente, pois, chorar,
como um velho a não mais ter,
co' o que poder se impressionar;
e a criança a se esconder,
perante ingênua lenda a lhe assombrar...

como um condenado a perceber,
falsamente cuja corda arrebentar!
um herói de guerra ser, morrer
por fim; por numa pedra tropeçar!
cingir-se imundo, em puro ardor,
escravos fazendo, de antigos valores,
eis-me agora assim, lunar, ante o fulgor,
neste refletir infante, meu semblante, de ilusas dores...


Nenhum comentário:

Postar um comentário