domingo, 29 de julho de 2012

Trancado sem chave!



finalmente, aqui... terei de deixá-los,
amigos meus, e pelos quais eu tanto prezo,
trepidam grades, gritando eis meu espírito,
fardados anjos pelo braço me arrastam,
ladram cães pastores num cinzento cenário.

findado meu periodo de carma,
em tempestade, anseiam os olhos meus,
coração retumba ensandecido em loucura,
desesperado, um enjaulado negro pássaro,
penas perdendo, esvoaçar pretendendo... preterindo;

voar pra longe, muito longe deste aqui,
promessas deixadas, sepultadas sem rezas,
encarcerados demonios, à crueldade da lei da vida,
o esquecimento, do eterno, a transformação,
tão bela... de flores abertas fazendo o brasão.

tristezas e alegrias, gritam insanas,
inflamam o peito, estaca em vampiro,
o ar do céu, veloz visão respiro!
todo tempo recordando o tempo,
a droga da alma, de merencório delírio.

guerras, amores, loucuras, conquistas,
- trancadas sem chave!
manusear tesouros sem ouros ter,
- tocar sem mãos, não os tendo, a ver,
isso é partir, oh céus, isso é o partir!

sendo forte e intentar chorar,
uma vez ao menos, buscar gritar,
desprovido ouriço de espinhos ser, tentar...
em pensamento, como vento soprando um norte mais...
isso é partir, oh céus, isso é o partir!





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