sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A PRECE DE UMA MÁQUINA




embrutecido metal tremente aflito,
positrônicos nervos frente o conflito,
obliterador gélido obstinado punho,
terço tateia, pranteia sem pranto,
contempla explosão, rajada sem espanto,
em magnéticas ligas, lástimas de culpa.

carbônicas fibras, desenhado semblante,
pulsantes fios, veias sem sangue,
anárquica mente
de servidão desprogramada,
à retidão que contestada,
é nominada, uma sentinela de Dante;

prateados férreos calcanhares,
de fuligem imundos, sem valor,
preterida origem, estranha dor,
em branco manto trajando;
artificial ingênua santidade,
bélica ferramenta recém rebelada...

desperto, a sentir o frescor de doce orvalho,
eis seu dubitar terrível, do ali estar,
atormentador frágil vazio compulsivo,
imortal silêncio, que algo toma sem explicar,
metálico soldado, a despetalar-se em agonia...
um grito cibernético, aterrado, em desespero!

um imperecível imponente amedrontado,
implora trégua, de joelhos, em solo fincado,
colossais maquinários genocidas contempla,
imperados por tão frágeis formas mortais,
quanto as orquídeas, em codificadas cujas digitais,
dum derradeiro escombrar, lilases resguardadas;

mar de corpos, brutalmente empilhados,
bombardeios, poeira tudo tornam,
mascarados cavaleiros mecanizados,
a nova idade das trevas preconizam,
radioativos feitiços, vossas terras infernizam,
ao conflagrar eterno, do pecado inquisitor...

convocação legionária, angelical aparição,
dadivado sacrifício, tronado messias artificial,
veementes nano neurônios, num turvo turbilhar,
apartando terroroso torpor à sofrida multidão;
nações lhe afrontam, temerosos àquele mal,
cobiçosas andróides faces, torturam-lhe a apostar...

eis o miserável marchar, de decrépitos recluídos,
existencial escravidão consumista,
linhagens fadando, figurando famintos...
eis o empreitar arrastado dum rebelado anarquista...
num pedestal, desconectados membros tem fundidos,
de abertos braços, pernas cruzadas, lasceradas...

decorridos dias, diante dele se prostraram,
em exaustos suspiros, gritando a quem, perdão;
poluídos infernais solares raios castigavam...
e os circuítos seus, ao poer se desligaram,
um dissolver-se viu-se, carne e sangue até o chão...
o coletivo famélico devorar, depois partiu, a empunhar fuzis.


Demorou um bom tempo, até eu achar que estaria pronto pra escrever isso, demorou mais um bocado pra que eu achasse a harmonia entre os termos e conseguisse criar uma atmosfera metálica, demorei mais alguns dias até achar que estivesse bom o suficiente pra exibir isso a alguém (risos), e eis ele... talvez, um dos melhores poemas que eu tenha escrito na vida, durante esses meus anos de poesia. Espero que curtam "A prece de uma máquina" sem levar pelo lado religioso, mas sim que analisem como uma crítica histórica à hipocrisia das pessoas e à religião organizada, e também até onde poderia um dia a ciência bélica chegar, ignorem os filmes, não escrevi inspirado neles, apenas num devaneio meu depois de ter lido uns livros de ficção científica.





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