quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Lupino Brutal





[... mais uma carnificina descoberta,
podridão horrenda odor expele,
terrível atroz cena investigada,
por dentre opacos semblantes,
de religioso pulsar gelidado...]

estraçalhados cadáveres, humano chorume,
aterrorizante mosaico, viciada névoa,
tenebrosas nódoas de eminente terror,
sanguinário extermínio, metodismos horrendos;

dizimada cidade,
ínfima extensão,
descendentes extintos,
aberrante visão,
derradeiro sucinto
talhar da chacina
em cada calçada, alucinação!

essência dum assombroso sofrimento perdurante,
fantasmagórico elixir desolado, pairando em dor,
inversas cruzes, vacuidade grita em desespero,
exposta intoxicante virulência, ainda em seu frescor;

térrido uivar inumano,
dizeres de abominação,
escarlates feiches muitos,
investigam a investigação,
involucral faiscante
é o perfilado, ultrajante,
murmurar da aniquilação...

trepidantes travadas pernas tendendo ao temor,
túmida terra treme, tronando incontrolável terror;
indecifrável compassar, a afoitar respirações,
encaram a açoitar, quaisquer proferidas orações!

medonho
mal sonho
frontando,
cerco fechando
sem uma investida...
e se estranhando
eis cada parte
ali envolvida...
entorpecente,
latente
o dente
tocado,
focinho
gelado,
com um espinho
fincado,
se move
que de repente;
um tiro
é dado,
então surgente,
é a patada
lhes devolvida;

saudação predatória,
memórias enraivescidas,
conhecida história
de militar interesse,
científica conspiração,
experimento da monstruosidade;
com seu lider, ancião
à matilha, a render
tais intrusos em cuja cidade,
deixados poucos, a sobreviver.

decepadas figuras, os fatos aflingem...
transmutados assombros, um corpo compõem,
e mais aterrorizante, suas garras infringem
no chão, a demoníaca marca da aberração,
dirigido anuviante compassar do mestre lobo,
a deter ainda, humano ódio ao coração!

que o pensamento controla,
e é capaz de transformar,
quando quer viver,
ou se quiser matar,
intentado falho bélico experimento genocida,
fugitivo prisioneiro dum secreto laboratório,
de traumas é a memória guarnecida,
com tantos cães aos quais sujeito
fora o efeito
das torturas, por um livramento meritório...

como gente, à mesma forma é emanado,
de ofuscantes palpebras;
corpóreo esfumaçado,
canibal ilusionista dos pesadelos;
um nevoeiro de perverso riso,
enorme crânio ostentando couro liso,
a turvar fugas, e desarmados detê-los...
mandíbulas que trucidam pedras,
nervosamente o vício não conteu...
lupino homem foi-se só, além do breu!




Definitivamente a terceira parte da serie conceitual de poemas sobre lobisomens, e creio também ser a ultima. Particularmente eu gostei muito dela, por mais que minha favorita ainda continue sendo a segunda "Lobisomem", essa é muito mais sofisticada em termos técnicos e rítmicos, impossível negar por exemplo, da segunda até a sexta estrofe as alternâncias de versificação. Eu gosto dessa poesia, simplesmente por ter saído exatamente nos parâmetros que eu queria, complexa, mas ao mesmo tempo, solta, por assim dizer, de algum padrão métrico ou coisa do tipo. Talvez mais pra frente eu volte a abordar o tema, por enquanto, vou expandir mais horizontes e me aprofundar mais nas lendas de lobisomens.


Nenhum comentário:

Postar um comentário