segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ressaca... (Crônica)





Deparei-me enredado em conjecturas estranhas de minha mente, intentando por de quaisquer formas, mantê-la menos psicótica e desequilibrada possível, nos turbilhões emocionais mais recentes. Hei de confessar, é complicado! Deveras... Austera, como esconder cadáveres num guarda roupa alheio; é estranho, cada vez mais ver e ouvir gritar um monstro que tanto me afaga e estraga a humanidade às vistas, entretanto, fatídico... eis-me cá, à sombra duma decadência sugestionável e a qual desconheço auges, contemplando quase deitado e de recostados pés à mesa, uma escuridão sombria a tomar meu espírito levemente, e cada vez mais envolvente... certamente, mais desanimador. Mas... finalmente cheguei à praia, mar em ressaca, nublado dia, e cá eu estou, só. O retrato verídico e cruel de mim mesmo, meu amargo cartão postal, a maresia irônica, colérica, que açoita as pedras ao tumbar da desoladora tempestade de águas encardidas. Sou eu, um eu fora de mim, frente às abstrações agressivas de um sujeito mal encarado qualquer, de cabelos longos odiando tudo, e tentando disfarçar conformada descrença consigo e com tudo, merecida, modéstia à parte. A trovoada mental seria mui pior que todos os maremotos daqui, a ressaca de insultos dos raios, o punho tremendo a se cerrar em desagradáveis lembranças, a bebida do dia anterior e vagabunda... A ressaca! À ressaca eu! De tanto crer, de tanto esperar, e tentar dissimular um ser sociável indigno de amarras reforçadas que não existe, morram todos por intermédio duma motosserra! Ressaca de cachaça e cerveja, nada mais infantil e doce, se equiparada a de gente... oh, ressaca de pessoas, que bela frase que jamais será lembrada! Que bela frase que poucos vão ler, e que se fodam os que não lerem, é deles minha ressaca, desse bicho humano estranho e cativável nos mais mesquinhos e estúpidos prazeres, - maldita lógica de rebanho – maldita falta de porquê de existir... ressaca, ressaca de trabalhar e contemplá-los amavelmente – queria uma grande explosão, com eles dentro – queria um grande desastre a assolar toda a cidade, e dizimar por vez muitos rostos antigos, e desprezíveis, desejaria poder ser idiota e crédulo o suficiente, assim poderia fritar alguns bonecos de vodu sem menor sensatez. Ah sim, onde estávamos?... na ressaca, a mesma que desanima, a ressaca de espírito sem um fígado a pagar por quaisquer pecados, a mesmerizada visão sem movimento, esse sou eu, como uma maré raivosa, caminhando em ondulantes horizontes de ruas de bagres e piranhas... desprovidos de vívidas cores, como as dos peixes dum aquário, que num disparo de raiva, eu derrubei, e tentando por quaisquer intermédios, tapar o buraco do barco sem água nenhuma.



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