domingo, 12 de agosto de 2012

Suspiro Assassino


se outrora alguém matar quisera eu,
ensejo em noite esta estrangular,
dois malditos olhos arrancar,
mastiga-los crus e engolir!

revestido punho
de corrente vistosa,
socar-lhe a cabeça,
vislumbrar;
cinzenta e pastosa
cefalia
a se espalhar,
rélis valia,
a não mais me desgraçar!

saborear do traumatismo,
ódio descontrolado,
assassino otimismo,
ensimesmar-se desolado
em fétido recanto
pra espanto
do escuro
assombrado,
vomitar de obscura sangria
interna,
me inferna
de modo tão puro;
e por outrem, indesejado.

negras trevas demônios abençoam,
a espreitar-me recostado;
recolhido,
aqui parado
esquecido,
psicóticos surtos degustando
em saliva empastada,
resultante à demorada
tarde de pragas em prantos...

tentativas suicidas,
alucinações antecedentes,
estiletes homicidas
legaram vinho aos dentes,
desencantos
tantos
presentes,
pendente
vampiro
sem estaca,
descrente
respiro,
contemplo
a faca,
exemplo
que aplaca,
o retiro
que estanca,
alavanca
que escapa...
um negro anjo me zela.

de si, prosseguinte desistência,
falência da perturbação,
caído punhal, inutil covarde,
que arde no chão,
fracasso da tarde
ao afago da escuridão...
ecoam grunhidos,
humanas nervosas vozes;
monstruosos gemidos,
sonurno delir,
delirante a emergir,
em confortantes estradas negras, atrozes...





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