domingo, 30 de setembro de 2012

Um mago, a princesa e a torre





muito me vejo em ti,
nisso não paro de pensar,
sinto a pressentir, contemplar,
a ideia de dever ter lhe conhecido!

um mago, uma princesa, a torre,
aqui estamos, permita-me entrar,
o feitiço da distância,
somente o pensamento,
é incapaz de barrar,
por enquanto
o encanto
entre nós
maior é,
se opôs
à maré...

quando nisso penso,
bem venho a me sentir,
eis meu tal poder intenso,
não será algo, a me impedir!

impressões, de já tê-la visto,
sem aqui eu jamais ter estado,
sem medo, tão cedo
vou ver-me vivo novamente.

talvez...
possa a magia gritar,
o espaço quebrar,
e chorem as estrelas,
se entusiasme o mar,
quem sabe, vejamos o luar,
de angelicais feições belas,
sob águas de noturno verão,
e montanhas no escuro
nos tornem-se nítidas...

generoso seja o tempo,
mestre cura,
livraria infindável,
cruel belo cursar,
mágica estrada,
a torre a esperar,
o pensamento a pedir,
lá está ela distante,
não por milhas muitas
cada ideia, mais um passo.





























sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Posso eu tocar em tuas orquídeas?





























vento da tarde, azularado céu,
vermelho tapete, monstro sou,
varanda contemplo, parado,
olhar torto, mirado,
aqui sou,
restou,
nosso silêncio.

sinto insano estar, seremos será?
sabemos, distante em demasia somos do mundo...
e eu de ti.
nasci,
desse jeito, e não sei mudar,
mesmo se soubesse, jamais o faria
marginal jazendo a admirar
lilases flores tuas, manusear queria...

quão terrível aparento,
demônio hediondo, perigo, aval,
à perdição sem penitência,
cujo desprezo, é normal,
talvez, o jeito meu, gere tal tendência,
mas de ti, é tão letal!
ultimamente... irrelevante.

aberração perante
sem pena arrependido,
cujo orgulho, contido,
transborda lágrimas, desprezo,
receoso querendo sumir,
é frio demais pra conseguir
por um segundo chorar,
florescido amargo ódio
então, eis que inesperado;
anjo em rancor,
quer partir, tem de ficar;

ânsia em ferir,
sumir, largar,
num bramir,
despir, pisar...
tentando fingir,
devendo beijar,
louca estranha situação,
é assim o amar,
necessária involuntária corrosão.

digno sou de orquídeas tuas tocar?
nem sequer por um momento,
frescor sorver, solar poer fitar,
aqui, será eu maldito demais?!
as contaminarei, delicadas,
as tornarei
infernais!?
lhes jurarei maculadas,
as farei
mais mortais!?





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O ceifador da Meia Noite







































noturnas blasfêmias,
ansiavamos pecaminosos,
num afastado cemitério
duma cidade minimal,
era a década das drogas
da revolta, rebelia,
conosco isso trouxemos,
dentro minha surrada mochila,
embriagados de perversão,
de injurias e ceticismo,
destememos à invasão,
cenário dum mórbido misticismo...

da capela, à luz distados,
trespassar por covas recém cobertas,
em ruas de necrópole perdidos,
ofereceu-nos a lua, um sorrir maligno,
a zombaria dos atormentados,
pena de morte sem fim!
o vindouro vulto monstruoso
a um amigo tolo vinha,
e também se dirigia a mim!

encapuzado por minutos,
prateada foice portava prostrado,
inquietante indagado inebriava,
inquestionável, iníquo, ocultado
era cujo semblante
em negra treva jurado,
em fugir fizemos, à frenesia,
eu corria, do talho diabólico
no túmulo, qual estava eu sentado!

em negro cavalo, repentino,
cuja expressão, ardia infernal,
se abatera um desnorteio
quando se embrenhou no matagal,
além à trilha, em tudo à volta,
escuridão impiamente deslucida,
traiçoeira, é víl escolta!

e num descuido, prendeu-se em relvas...
se foi de infância, um camarada,
macabra cena, testemunhei em catatonia,
era ele agora, de outro mundo,
mais um coitado de cabeça cortada!

cheira a morte, motriz agonizante,
e a orquestrais demônios fui deparado,
os perspassei, no horror, como morfina,
vida apostada, madrugada de sadismo,
percebia, me perseguia o cavaleiro disparado!

possuído por puro pavor,
uma pedra lancei-lhe, ele caiu,
senti, novamente, os pés meus,
esfumaçante, tal sumiu.
fugitivo eu caminhava, sem saber por onde ir...

aparição malevolente,
inclemente, não há perdão,
sacrifício iminente
será o meu, na escuridão!
e a deus que tanto rezo
sinal sequer vejo nenhum,
carne minha muito prezo,
exibem cicatrizes colossais
espinhos, galhos, matagais,
cortes, rasgos, enfim,
é a mim
o destino incerto
comida de inseto
ser, em tenebrosos umbrais!

ceifador demoníaco,
ministro à escuridão,
misterioso é seu capuz,
foice da aniquilação,
em cingido preto, reduz,
qualquer diabo humano
em criança assustada,

será seu sangue o vinho,
o corpo teu, tal pão,
tua alma irá, levada,
á inefável imensidão,
condenada, tão falada,
o vilarejo sepulcral,
eterno feudo de escravidão!

esverdeada aurora, uma fonte no caminho,
poço de assombrações, d' outro mundo portal,
iníquo gélido sopro, sem vento,
deslindado em encontro a palmos poucos,
é o cadavérico semblante mortal!
rangem tumbas, lisas lápides,
esguia esquiva, ataque de um animal,
outra, e mais outra, empurrei-lhe e ele foi,
sua foice sobre mim caiu,
de meu pé, três dedos levou,
a água benzi, corri, alvorava,
eu seguia, o lugar me apavorava,
mesmo de lá saído, quando clareou...

não é de mim, esta história, uma mentira,
intento infame, de terror lhes criar...
diante do sagrado fogo, posso eu mostrar,
e apostar, que nenhum debochado rir irá.

[tragou seu cigarro, então, tirou ele seu sapato,
e diante das crianças, faltavam-lhe três dedos]



Fucking hell, esse poema eu levei dois dias pra compor, ficou diabólico, por mais que eu tenha me inspirado num conto meu pra fazê-lo, mais que sequer terminei ainda, pelo menos a versão em verso já está ai. A tela é de Alain Mathiot, muito boa. 



domingo, 23 de setembro de 2012

Altruísmo



























provérbio, instante neste entendo,
nem me sendo, literal como contado,
entendido,
repetido,
por gente tanta
atencionado...

eis quando lhe dizem,
que deveis ser, pois, generoso,
esperar sequer um grão de areia
dum vão ato de bondade,
aos pés da vida, e sua verdade,
o tornar da duvida, semeia...

quiçá, seja ele um conselho,
de amor próprio, preservação,
talvez, longe venha a ser altruísmo;
um intento de salvação...
de outrem nada esperar,
pois, por ti,
o mesmo, não sabeis se o farão.


Às vezes cansam as pessoas, cansam as atitudes, as vezes você acaba se questionando, se realmente deveríamos dar mais importância a algumas delas, maior do que o que elas podem nos oferecer, as vezes eu acabo me questionando, se realmente "fazer algo e não esperar nada em troca" realmente se trata de generosidade, ou um conselho, pra não quebrar a cara quando preciso for de se contar com alguém... é bem isso essa poesia, tão forte, e tão verdadeira...

Tela de Adrian Borda, curto muito essa imagem, queria logo usar ela em alguma postagem rs



Terminal do Terror







trem vem, a mais de cem,
posso escutar,
trilhos rangendo
não mais tendo
ninguém
aqui, a esperar...

solitude geme horrenda,
mal-estar,
pois cá me assola,
um sentir vão;
ser vigiado!
tremenda
é dita lenda,
que meu pensar
mordaz controla.

atordoa o silencio,
me cala
na fala
que embala
a mão fria,
o trem bala
passa por mim,
e o perco assim
co' a mala
à beira do trilho
gatilho
do empurro
inimigo
sem ninguém ter
junto comigo.

alucinação,
perseguição,
há algo espreitando
à emboscada
empreitando
sem nada
a fitar...
o medo de morrer,
de cá tropeçar...

descontrolados membros tendem,
a paranóia se esfaimou,
um vulto se seguiu,
a gritaria começou,
reflexo enganou,
um grande mal se pressentiu,
tem alguém no terminal,
de má intenção, cruel, letal,
quando minha figura viu.

não é delírio ser empurrado,
tombar ao chão
com alguém no teu pescoço,
indivíduo encapuzado
tem na mão
uma cinta, vil esboço,
dum assassínio, fim maldito,
mito psicopata
agora logo
provarei, sem conseguir contar...

portas se abrem, pois, ligeiras,
juntas de mim, são passageiras
tantas dessas ilusões,
onde alvo sou, em mortais situações!

em prostração pensei sentado
que sozinho aqui estava,
quando vi estranho sujeito
lá longe, recluído, no final!
sequer podia a face sua ver direito
por detrás cujo jornal!

então, analizá-lo fiz, encorajado,
segundos mais, receio perdura,
eis que interrompida a sua leitura,
prontamente me encarou, mascarado!

orifícios escarlates,
de mistério, ferramenta;
pressinto, a morte lhe fomenta!
homicídio me intenta,
aterrorizante embate,
punhal levanta, vem, e me bate,
contra a janela lhe atiro
o beijar do vidro que arrebenta...

assassinado
solitário,
sem grana quase
cá perdido,
terror, sina,
violência,
pois, se destina
minha vidência
a enxergar,
horror sentido,
ordinário,
vem retratar
quão ruim é
ser ensacado!

fugitivo, uma parada, outro vagão,
silêncio deparou-me, seguinte estação,
conforto busco à companhia,
de algumas pessoas, com torto olhar;
ao redor mirei, as fitei, eu percebia,
estavam armadas, como a me apagar;

pairam em suas cinturas,
sectos mórbidos, anjos de perversão,
desfiguram-se estas, más criaturas,
perigo eminente, é a visão,
perpétuo castigo, em todo canto me rodeia,
afastado recuo, pânico garganta gorjeia;

pensar
em pular,
morrer
mas não ser
morto,
tender
a escolher,
ou tiro
tomar...
prefiro
me atirar,
rezar
absorto,
fazer
meu aborto...

recaído em concreto, à histeria,
sujismundo é o chão da chegada,
breve será, um corrido amanhecer,
lavar meu rosto irei, me envaidecer,
conferindo a mala, presente papelada...
e assim é, mais um comum, somente, um dia.



Mais um poema cheio de horror, sujeira, transtorno e delírio, tirando o fato de que esse foi diferente, fiz de uma maneira desinibida, com um plano de ideias já formada em minha mente mas não me obstinei a cumprir qualquer plano que fosse, no fim acabou saindo uma coisa legal... Definitivamente esse tipo de poesia, tem que ser composta de maneira desinibida, caso contrário, perde completamente a essência, acaba ficando quadrada e perde o clima sombrio, e principalmente doentio descontrolado.




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Já que você não se importa...




Tamborilantes pingos d’ agua uma sonata compunham, tão marginal no úmido cenário de grotescas sombras do caminho à casa, eu via-me desolado em frustrantes tentativas de me compreender. Não mais me entendia; encontrava-me, sequer sentia-me a par da situação em totalidade, quiçá fossem minha culpa, os afastamentos recentes, dos amigos, dos meus contatos artísticos, dos colegas de boemia, das mulheres... tendia-me a crer em conspirações espirituais, mas logo, fez-me o acaso a volver com a vergonha na cara, afinal, tinham mais o que fazer os espíritos, do que injuriarem-me de tal forma. Era comigo a coisa, profunda, algo além do que um analista poderia ajudar, algo subjetivo demais, para confiar a alguém visando apenas normalidade mental, da qual, nunca fui adepto. Sentei-me num banco, a noite ventava solitária e das quais sob meu lado direito, pousavam incontáveis flores de cerejeira dum flanco mais acima, algumas percebi, agarrarem-se em meus cabelos longos e encaracolados. A cerveja se ia esquentando à medida em que consumia-se um cigarro sem tragos. Todos ignorados ao ensimesmar-se de minha perturbação, todos lívidos, quase sem cor, diante do pensamento fixado na grama crescida selvagem. Algo pra mim me importava! Sim, algo parecia ter importância agora, ao ver de outrem, eu não conseguira mais desvincular o poeta da pessoa, o poeta era a pessoa, e a pessoa era eu. Não me importa o que diriam meus companheiros,  cujo “foda-se” é um visível e constante adorno em suas falas, eu não sentia-me bem ali, o suficiente para dizer foda-se a alguém, a única coisa que eu desejava, era alguém que me escutasse, sem enrubescer-se perante os diálogos, obviamente, difíceis de entendimento. Elucubrações mais, meditações incessantes atadas ao tempo, o dever próximo a ser cumprido. Não havia muito tempo! Porém, algo sempre importou, toda prosa, requer um leitor, todo versejo de um maníaco bom o bastante que o interprete. Eu precisava de algo, em minha solitude, todos precisam, e quem dirá daquele, cujo “foda-se” é chave de todas as portas, estará mentindo, é uma fechadura burlada. Todos se importam com algo, até os que não se importam, até os que vestem-se gritantemente às ruas, precisam de olhares perplexos, caso contrário, se não os tivessem, se atreveriam sem algo a dizer? Sim, devo ser um hipócrita por pensar assim agindo como o faço, talvez, devesse engolir que me importo com o sentimento de algumas pessoas, segundo outras tantas quais mandei rondarem a toca do Tinhoso, à procura de um consolo. Mas sim, tendo a me importar, tendo a acreditar e a dar minha vida por essas, mesmo sendo de pouca valia, mais morto encontro-me, de pé, que vivente a cerrar um punho enquanto digo isso. Nada desfez-se em mim, do que sempre fui por considerar esta conclusão, a questão é impressionar, não fugir, é devastar e arrasar com tudo e criar algo novo, alienar-se em drogas ou bebidas, sem ser por diversão, é suicídio estupido. Dizer não se preocupar com nada, sem ter algo deveras relevante, em mente, agir desastrosamente sob as outras pessoas, aludindo ser isso um estilo de vida com o “foda-se” estampado à feição infame, isso é ser um filho da puta, um egoísta sem nada pra dizer, e assim sendo, melhor calado, ou então, suicide-se logo, assim consome menos oxigênio de pessoas interessantes e uteis. Isso em realidade, é o que eu chamo de aparência vazia, de “poser”... Oh amigos tantos, falsos quais afastei-me, sois umas pragas mandadas distantes, sois um veneno extirpado no escarro da revolta sem raiva, a pior delas, aliás, a conclusão!






terça-feira, 18 de setembro de 2012

Poetas são Indomes





febril inoculado,
jubilar do ardor convincente,
ser o próprio sonho,
em papel rabiscado...

eis um grito entonado,
vaidoso, estridente,
um mago à corrente
que em ser livre é condenado.

incapaz de cessar,
sem sequer escrever,
vem-lhe a dor a lembrar,
que é um dever se atrever!

faz de arma, alguma graça,
lutar até morrer,
torna arte, até a desgraça,
se a multidão se comover.

faz mui bela, a desventura,
quando o povo é esfaimado,
mesmo quando é vaiado,
já lhes rompera a armadura.

o verso vozeia
fugaz invadindo,
voraz incendeia,
é uma surra que encanta!

como cristal, soa a trincar,
é a tinta jamais seca,
a melodia sem findar,
eis a prece de quem peca.

poetas são indomes, impensável refutar,
sequer cogites se é possível, eu me vender,
jamais será tal dia de minh' alma render,
à solidão qual me aterra, incapaz de expressar.

vomitados versos dum indecente espírito,
toda gente, se espanta... céus um incoerente!
encanta-lhe a morte, a sorte eloquente,
dum deboche infernal, eis um caso restrito!

se faça o atrito
da mente
que invente
intentando
somente
expressar...
eu, louco contido
semente
qual, sente
inundando
uma enchente
a chegar...
sendo só, invicto,
um crente
cá pendente
relembrando
quão rente
é caminhar...

trevas contempla, em si o luar,
lupino carrasco, no dizer, seu queimar,
no crer, dubitar...
ao ser, transcender,
poder, com esse poder transformar,
florescer fazer
nova vista a mirar,
mesmo só, refutado,
esquecido, sem voz,
em tão algoz
e forçado
calado
espetáculo, ao findar...
sua amada a cuspir-lhe,
e o escuro chamar,
temerosa sombra à solidão
em origens cujas, tendendo a voltar.

anos, em suma, evidentes,
num pairar, eis que presentes,
a noite é gelada, o riso de sarro,
o último escarro, atacar!

versos de amor,
tantos são, sem algo sentir,
arrogância em suas faces,
e flor nenhuma a outorgar,
um apenas dizer
vaidoso, mui sábio
suposto,
a julgar, a mentir...
farsante, a ferir,
a calar quem curar.

alegorias que não tocam,
incapazes de efeitos surtir,
são heresias,
falam não dizendo
um dizer desconhecendo,
contemplando a beleza
da parvalhada perfeita,
a nova musa eleita
a se escrever uma reza...

humanidade burra,
corja de desalmados,
só amarão os poetas,
depois de enterrados!

meu sepulcro é o veneno,
às entranhas escarrado,
e cá levantado
é mais um dia a seguir!

poetas são indomes, necessário é seguir!
sempre forte ser, perante tudo arrasar,
imprevisível a dizer, a fazer, a sentir,
a aventura grita loucamente a nos chamar.

poetas são indomes, é preciso conhecer,
sabem do fogo, quando labaredas afagam,
infernos fabule, se os vivido tiver,
poesia é muito mais, que envaidecer uma mulher!

poetas são indomes, reino meu por transformar,
de pedra fria tal mundo, vivo suspiro a ferir,
enviscerados às vistas, tentarão sempre moldar,
nossa rima, rota, delinquida, a existir!




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nicotina e Carvão





nicotina e carvão,
âmago de escadarias,
o solar dos degraus
em cordas de destruição,

fumaça emerge ao olhos,
foi-se o café já retirado,
o silêncio dum improviso,
é o mesmo aqui, eu desolado.

amarga negra tarde,
onde a chuva, faz-se em prosa,
caudalosa...
mórbidos anjos vagam,

por corredores,
trazem flores;
vão embora
trespassam a parede,
não digo nada,
dias de ardores
desbotam cores
de outrora,
minha boca calada
gritos não expede.

e à calmaria
a candura é tanta,
que nem desejo viver,
seduz-me em dormir
sem querer levantar,
me tenta a não ir,
e tampouco voltar...
no bréu cochilar
como anjo sem maldade
aqui na infinidade
dum amargo confortante.

ensejo amargura,
de tão viçosa, insuportável,
mergulhar
num bem louvável,
ser um declínio imponente,
à invicção incomparável
sem caráter pungente
neste plano de mortais,
o não mais ser antes do vir,
coisa outra sendo
qualquer, além do fim do cais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gnomos






contempla as árvores,
o vento sopra, sopra mil vezes,
eu posso lembrar,
das velhas histórias, de seres mágicos,
que contava-me
quando eu era criança,
os gnomos que disse meu pai,
e eu podia crer
vinte anos atrás...

quando eu ainda era criança,
eu não sabia o que é lutar,
sem temer quando deitasse,
na escuridão podia dormir.

então, me ensinaram a marchar,
eu aprendi a obedecer,
me ensinaram a crer em homens,
soube então, o real poder,
um tanque no comando, a esmagar,
deram-me um porquê pelo qual morrer.

e eu que cria em ouro,
no final de pontes de céu,
agora via, a terra tão vermelha,
por uma riqueza que parecia fel

e eu, que confabulava outras visões,
e as pintara em vivos traços,
lhes condenaram ilusões,
a admirarem-me, tantas marcas de estilhaço.

quando eu ainda era criança,
eu não sabia o que é lutar,
sem temer quando deitasse,
na escuridão podia dormir.

e agora, ainda vejo as árvores,
e contemplo os ventos vezes mil,
deitei com culpa, sem querer,
e acordei, a esperar,
uma vez mais, uma vez mais,
não uma ventania, fria, hostil.
ou o delírio de alguma bebida,
consumindo vivos restos, tão febril...

quando eu ainda era criança,
eu não sabia o que é lutar,
sem temer quando deitasse,
na escuridão podia dormir.

então, me ensinaram a marchar,
eu aprendi a obedecer,
me ensinaram a crer em homens,
soube então, o real poder,
um tanque no comando, a esmagar,
deram-me um porquê pelo qual morrer.



Cores Livres



por dentre notas, plainando,
veloz como avião,
de carne, um carneiro me sinto,
dentre as nuvens
de vapor e poluição,
oh, úmido branco névoa,
transporta-me a musica,
oh, sou eu um refrão
toca a guitarra
uma nota, soa a distorção,
o espasmo de cores,
a sentir-se ágil leão,
por dentre barreiras saltar,
sua presa a caçar...
aposta com o diabo,
sua salvação...


tuneis de névoa,
veloz perspectiva,
um salto no turvo,
dissonante saltovisão,
rasgam cordas de aço
o silêncio e sua feição,
um solo de distorção,
são livres as cores,
passarada em passarelas
dum ventoestrada,
o tumbar duma nova era,
novo horizonte,
deslumbre em sua entrada...