sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nicotina e Carvão





nicotina e carvão,
âmago de escadarias,
o solar dos degraus
em cordas de destruição,

fumaça emerge ao olhos,
foi-se o café já retirado,
o silêncio dum improviso,
é o mesmo aqui, eu desolado.

amarga negra tarde,
onde a chuva, faz-se em prosa,
caudalosa...
mórbidos anjos vagam,

por corredores,
trazem flores;
vão embora
trespassam a parede,
não digo nada,
dias de ardores
desbotam cores
de outrora,
minha boca calada
gritos não expede.

e à calmaria
a candura é tanta,
que nem desejo viver,
seduz-me em dormir
sem querer levantar,
me tenta a não ir,
e tampouco voltar...
no bréu cochilar
como anjo sem maldade
aqui na infinidade
dum amargo confortante.

ensejo amargura,
de tão viçosa, insuportável,
mergulhar
num bem louvável,
ser um declínio imponente,
à invicção incomparável
sem caráter pungente
neste plano de mortais,
o não mais ser antes do vir,
coisa outra sendo
qualquer, além do fim do cais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário