terça-feira, 18 de setembro de 2012

Poetas são Indomes





febril inoculado,
jubilar do ardor convincente,
ser o próprio sonho,
em papel rabiscado...

eis um grito entonado,
vaidoso, estridente,
um mago à corrente
que em ser livre é condenado.

incapaz de cessar,
sem sequer escrever,
vem-lhe a dor a lembrar,
que é um dever se atrever!

faz de arma, alguma graça,
lutar até morrer,
torna arte, até a desgraça,
se a multidão se comover.

faz mui bela, a desventura,
quando o povo é esfaimado,
mesmo quando é vaiado,
já lhes rompera a armadura.

o verso vozeia
fugaz invadindo,
voraz incendeia,
é uma surra que encanta!

como cristal, soa a trincar,
é a tinta jamais seca,
a melodia sem findar,
eis a prece de quem peca.

poetas são indomes, impensável refutar,
sequer cogites se é possível, eu me vender,
jamais será tal dia de minh' alma render,
à solidão qual me aterra, incapaz de expressar.

vomitados versos dum indecente espírito,
toda gente, se espanta... céus um incoerente!
encanta-lhe a morte, a sorte eloquente,
dum deboche infernal, eis um caso restrito!

se faça o atrito
da mente
que invente
intentando
somente
expressar...
eu, louco contido
semente
qual, sente
inundando
uma enchente
a chegar...
sendo só, invicto,
um crente
cá pendente
relembrando
quão rente
é caminhar...

trevas contempla, em si o luar,
lupino carrasco, no dizer, seu queimar,
no crer, dubitar...
ao ser, transcender,
poder, com esse poder transformar,
florescer fazer
nova vista a mirar,
mesmo só, refutado,
esquecido, sem voz,
em tão algoz
e forçado
calado
espetáculo, ao findar...
sua amada a cuspir-lhe,
e o escuro chamar,
temerosa sombra à solidão
em origens cujas, tendendo a voltar.

anos, em suma, evidentes,
num pairar, eis que presentes,
a noite é gelada, o riso de sarro,
o último escarro, atacar!

versos de amor,
tantos são, sem algo sentir,
arrogância em suas faces,
e flor nenhuma a outorgar,
um apenas dizer
vaidoso, mui sábio
suposto,
a julgar, a mentir...
farsante, a ferir,
a calar quem curar.

alegorias que não tocam,
incapazes de efeitos surtir,
são heresias,
falam não dizendo
um dizer desconhecendo,
contemplando a beleza
da parvalhada perfeita,
a nova musa eleita
a se escrever uma reza...

humanidade burra,
corja de desalmados,
só amarão os poetas,
depois de enterrados!

meu sepulcro é o veneno,
às entranhas escarrado,
e cá levantado
é mais um dia a seguir!

poetas são indomes, necessário é seguir!
sempre forte ser, perante tudo arrasar,
imprevisível a dizer, a fazer, a sentir,
a aventura grita loucamente a nos chamar.

poetas são indomes, é preciso conhecer,
sabem do fogo, quando labaredas afagam,
infernos fabule, se os vivido tiver,
poesia é muito mais, que envaidecer uma mulher!

poetas são indomes, reino meu por transformar,
de pedra fria tal mundo, vivo suspiro a ferir,
enviscerados às vistas, tentarão sempre moldar,
nossa rima, rota, delinquida, a existir!




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