domingo, 23 de setembro de 2012

Terminal do Terror







trem vem, a mais de cem,
posso escutar,
trilhos rangendo
não mais tendo
ninguém
aqui, a esperar...

solitude geme horrenda,
mal-estar,
pois cá me assola,
um sentir vão;
ser vigiado!
tremenda
é dita lenda,
que meu pensar
mordaz controla.

atordoa o silencio,
me cala
na fala
que embala
a mão fria,
o trem bala
passa por mim,
e o perco assim
co' a mala
à beira do trilho
gatilho
do empurro
inimigo
sem ninguém ter
junto comigo.

alucinação,
perseguição,
há algo espreitando
à emboscada
empreitando
sem nada
a fitar...
o medo de morrer,
de cá tropeçar...

descontrolados membros tendem,
a paranóia se esfaimou,
um vulto se seguiu,
a gritaria começou,
reflexo enganou,
um grande mal se pressentiu,
tem alguém no terminal,
de má intenção, cruel, letal,
quando minha figura viu.

não é delírio ser empurrado,
tombar ao chão
com alguém no teu pescoço,
indivíduo encapuzado
tem na mão
uma cinta, vil esboço,
dum assassínio, fim maldito,
mito psicopata
agora logo
provarei, sem conseguir contar...

portas se abrem, pois, ligeiras,
juntas de mim, são passageiras
tantas dessas ilusões,
onde alvo sou, em mortais situações!

em prostração pensei sentado
que sozinho aqui estava,
quando vi estranho sujeito
lá longe, recluído, no final!
sequer podia a face sua ver direito
por detrás cujo jornal!

então, analizá-lo fiz, encorajado,
segundos mais, receio perdura,
eis que interrompida a sua leitura,
prontamente me encarou, mascarado!

orifícios escarlates,
de mistério, ferramenta;
pressinto, a morte lhe fomenta!
homicídio me intenta,
aterrorizante embate,
punhal levanta, vem, e me bate,
contra a janela lhe atiro
o beijar do vidro que arrebenta...

assassinado
solitário,
sem grana quase
cá perdido,
terror, sina,
violência,
pois, se destina
minha vidência
a enxergar,
horror sentido,
ordinário,
vem retratar
quão ruim é
ser ensacado!

fugitivo, uma parada, outro vagão,
silêncio deparou-me, seguinte estação,
conforto busco à companhia,
de algumas pessoas, com torto olhar;
ao redor mirei, as fitei, eu percebia,
estavam armadas, como a me apagar;

pairam em suas cinturas,
sectos mórbidos, anjos de perversão,
desfiguram-se estas, más criaturas,
perigo eminente, é a visão,
perpétuo castigo, em todo canto me rodeia,
afastado recuo, pânico garganta gorjeia;

pensar
em pular,
morrer
mas não ser
morto,
tender
a escolher,
ou tiro
tomar...
prefiro
me atirar,
rezar
absorto,
fazer
meu aborto...

recaído em concreto, à histeria,
sujismundo é o chão da chegada,
breve será, um corrido amanhecer,
lavar meu rosto irei, me envaidecer,
conferindo a mala, presente papelada...
e assim é, mais um comum, somente, um dia.



Mais um poema cheio de horror, sujeira, transtorno e delírio, tirando o fato de que esse foi diferente, fiz de uma maneira desinibida, com um plano de ideias já formada em minha mente mas não me obstinei a cumprir qualquer plano que fosse, no fim acabou saindo uma coisa legal... Definitivamente esse tipo de poesia, tem que ser composta de maneira desinibida, caso contrário, perde completamente a essência, acaba ficando quadrada e perde o clima sombrio, e principalmente doentio descontrolado.




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