quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A Insanidade de um Demônio









































saúda o escuro, queres tu fugir,
fingir, delírio ser,
rezar, correr,
de arredores desgraçados
portões cruzar,
fechar, bater...
explicar, descrer.

anuviada noite tempestuosa,
recém visão tentar preterir,
eis ensejo, como o de não ouvir,
dum demônio a gargalhada,
de insanidade no olhar,
rosto sangrento, a aparição,
pelo resto dos dias, a lhe perturbar,
perseguindo,
fiapos teus, à sanidade qual restar,
onde tenteis te esconder,
não há santo lugar!

agudos gritos,
de torpor sufocante,
resfolegam-se prescritos,
como o piar de águias infernais,
descontrolado, horrorizante
é o ímpio
arrepio
tenebroso, alucinante,
infindáveis psicoses de crises surreais...

dívidas!
muitas tens, até cumprir,
lhe cercarão usurpadores
por um cruel divertir,
mercenários cobrarão
tua crueldade,
insanidade
à mente tua injetarão,
intrusos da esquizofrenia,
apenas lastros legarão.

póstumo espectro,
condenado rasteja,
o destino
assassino
que despeja
sangue em tudo
o que encontrar,
por quem cruzar
no breu mudo
que lampeja
repentino
desatino...
o marcar teu lateja,
por cada gatilho a consumar...

segue solitário, temeroso à perversão,
berros escutas,
em quaisquer becos
de ínfima escuridão,
tu vês o anuviar da redondeza
um ar de sutil frieza,
o sussurrar risonho
de irremediável situação,
em vidraças, ou paredes,
do mal, retrato vislumbra
cada minúcia,
de sua terrível feição.






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