segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Cascatas de um Paraíso do Abismo










































fitares mútuos, de enxutos tácitos semblantes;
estranhas faces, não as mesmas como anos antes...
dissonantes cascatas de etéreos abismos inaudíveis;
escuto!... perdidas almas vociferam detrás os veis do inferno,

fiéis cúmplices duma tortuosa vivência errante,
fugazes monstros legando uma decência farsante...
intentam olhos estes, um piedoso auto-engano,
inaptos de quaisquer terríficos feitos consumar...

então presentes, perante perduro, pois, pasmo,
fatídico frio profundo, fato a figurar,
num além de eternas sombras, impressionante geografia,
do abismo cascatas, cristalinas águas almas banham.

pétreos labirintos, de eterno chover,
purificadas perdidas silhuetas atravessam,
em queda não retornam jamais, dentro o azul,
verdes vales, rijas rochas, bosques de maldição.

enfileirados espíritos, em conformismo acorrentados,
guiados são, por dentre extraordinárias rampas,
e lívidos calados anjos, espadas portam, no ofício,
à recriação caminham, à desconstrução, um novo nascer.




Esse poema tem certo fundo de veracidade. Foi um sonho que eu tive quando era criança, mas pouco tempo atrás lembrei dele e vi como ideia para uma poesia. Gostei da maneira que ficou, há algo de especial nele, não só pelo caráter desolador das figuras e da situação, mas também pelo efeito visual, acredito que tenha ficado cristalino, dentro de todo o surrealismo do cenário. A ideia era essa mesmo.

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