quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Lupino





























muralha de ferro,
colossal embargo,
a cargo
o berro,
desterro
amargo
do enterro
de alguns;

lupino
em solitude,
destino
à amplitude,
vorazes
presas
com pressa,
intensas
nessa
partida
sem passos,
despedida
abraços
não tendo,
frieza
assim sendo
somente,
em mente
não ver mais,
nem é morte
por sorte,
apenas é...
enterrar vivas
algumas cativas
figuras
lisuras
mostrando,
irrelevantes
semblantes
que somem.

o que é névoa sem partida?
o que é inverno sem verão?
o esquecimento é a despedida,
o verso final de um refrão.

desconheces esquecer,
desconheceste o encontrar,
a lei cruel do céu,
é um novo espaço ceder,
libertar,
d' alma um apego,
singelo,
o apelo
do anseio
em jangada sem prego.

e caminhava assim um lobo,
feroz intimidando,
veemente a procurar,
algo mais que um branco gelo,
para poder vislumbrar,
não que mal fizesse,
estar só, é de nascença,
mesmo que bosques tivesse,
no fundo esta é sua crença.

patas sem pregos,
sem sangue, sem dor,
sem fardos, sentenças,
sem culpa, ou amor,
o presente, lhe importa;
do agora, o ardor.

mesmo que a angústia,
tempos consuma impiedosa,
nada quanto a névoa
é tão eterna, em seu volver,
e levar-lhe-á um dia,
tampouco irá se arrepender.

o que é névoa sem partida?
o que é inverno sem verão?
o esquecimento é a despedida,
o verso final duma estação.





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