segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cósmico Encantamento









































sortilégio ardente,
de repente amarra,
agarra a garra
bela, envolvente
palpita, eloquente
domina, delicada
em boa vinda,
lisonje, desejada;
perpetra um beijo
quisto, livremente;

arde feitiço, lascívia inquestionável,
aos braços, bruxa, de tez encantadora
dê-me magia, a tua, tal ternura,
inestimável, confia-me teus lábios,
que em tua carne, meu espírito se alenta,
percorrendo fluente, suspiro venta,
deleite, deveras divino desfruto, diante
detalhes, descubro doce deslumbre.

flâmula de afago, fértil flerta, fabula,
dançante entre corpos, enlaces d' espectros,
plácidos perduram, percorrem pulsantes,
pouco ponderam, nos fazem amantes...
sacros imperam dilúvios, de energias,
me rendo, e entrego, - assim seja, e se faça!
maldição seria, se não a tivesse,
mesmo a querendo, num cósmico encanto.





Carvalho Triste



























certezas; nenhuma, mágoas; folhagens,
que de infindáveis, fiz-me carvalho milenar,
tronco podre, toco triste,
à solitude duma altura à qual temo...
e contemplo os pássaros migrantes, evitarem...

esperando o jamais retornado,
peito ferido, moribundo apunhalado,
sangrado sem rubror,
como podem alguns seres,
causar-nos tanta dor?

triste final, queria o céu,
fiquei no breu, aqui...
é onde posso alcançar.
raios, trovões, pesadelos,
sentido estou, creio cair,
imponência balançar, raiz ruir,
noto-me assim, nódoa de desespero,
exaspero, assusta floresta inteira;

realmente,
assim sou rente,
não mais crente
de final feliz,
sempre triste
história, pois,
contar eu quis,
mas e agora, céu?
que serei eu?
próximo a ti
firme ateu,
réu
de
mim,
sim
de
fim,
confim
contemplo,
exemplo
eu, templo
dum morto
amor mordaz,
mistério fez...
descanse em paz.
descanso também
se for eu capaz.

sílfide andarilha, foi-se à milha
mais distante, qual nem posso enxergar,
desprendeu-se, me deixou,
não mais em mim, esta a habitar,
sinto morrer,
percebo-me em madeira rija,
ver meu coração se converter...



Não, esse poema não faz alusões ao anterior "O que Fadas Contam". é só um poema corno de desamor mesmo... hauehuaheuhauheuhauhe


O que Fadas Contam





























pomposas poltronas,
alegóricas douradas,
infernais lobos trazem,
em robustas costas,
couraças de pelos
reluzem em cinza e marrom,
reluzentes damas, sedosas asas
ostentam, e proferindo-me o tom,
de anjos escribas, destinos rascunhando;
descem-me à postura, fitam-me o olhar.

latitude estática, matronas de sonhos,
despertar de infante alegria,
dentre sombras, visionário,
dadivam-me a paz de poder seguir,
lutar,
à queda... oh novamente emergir,
perscrutar,
alguns confins mais antes da morte,
rir-me cínico amarelo, perante à sorte.

festejo de ápice, solfejo de ação,
aspereza em pesadelo,
agora doce horizonte, novelo
confuso frenético,
assim anseio, não posso parar,
tampouco me libertar,
tenho de agir, ir, enfrentar
correr, sem trégua,
sem mágoa
um fogo sem água
a lhe importunar;

dum homem comum, a placidez,
para nós, é um triste final,
nascido em batalha,
é sempre a nossa vez,
diante um vislumbre crucial,
sem espada, apenas espírito,
marche aberto, abrace que vir,
um atirar-se à loucura,
o beijo da surpresa, a sorrir...
nada eterno perdura,
é hora de aprazer-se no começo do fim
do inicio do sempre,
livre queda em nuvens, sem pousar,
o sentir dum verso, ainda não lido...


A vida é preciosa demais, para se ter medo de arriscar.

Vendidas Cabeças






























quem um dia se vender, será um dia vendido,
já dizia um esquecido poeta antigo,
e os quais, ideias entregam em mesas de barganha,
de mercenários, serão regalo arrastado,
atrelado em grilhões de seus fados sombrios.
ofertam cabeças, numa sobrevivência irrepreensível,
famintas temerosas irremediáveis figuras.

caminhando, eu, inderrubável, sem disfarces,
austero em meu seguir nesse caminho,
não é reinado, um leão dormir junto às serpentes.
mago vidente, bandoleiro sofrido, cavaleiro...
o disparar dum gatilho, sabendo... matar-me-ei;
sacrifício, ensimesmado perdura, refletindo,
irão das montanhas, recompensa dadivar,
tantos espectadores espíritos, à plateia aflitos...

começou apenas, o espetáculo,
sempre há algo mais a se mostrar,
haverá mais com o que lutar,
bela a vida, assim por isso dita é...
e naquela noite, todos saberão,
como derrocaram as paredes da arena,
e o luar presente prostrou-se,
somente, um pouco mais a contemplar,
e as flores, sem vaidade, não irão fechar,
interrompidos deuses em afazeres
em aplausos, imensidades tomarão,
numa alegria intensa de trovão,
o melhor ainda está por vir,
nunca houvera tristeza num real final,
sobreviva! a vitória é vindoura,
o explodir do desfecho de tudo
é melhor do que podes tu imaginar.



Apenas existe o final do começo do sempre! Jamais baixe a cabeça e desanime com quaisquer batalhas que venham a acontecer, as enfrente de espírito aberto. Só isso que eu digo, toda negra nuvem se dissipa e a glória retorna, a glória é a real natureza de quem vive com um coração sincero. O melhor sempre ainda está por vir. :)



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dilema de um Cavaleiro Negro






























em marcha, o galope, enredado, trincante,
ferrados cascos, troteiam, pranteiam mil ritmos,
estilhaçar de vitrais, assim soa o solo sentindo,
montado poço de fúria e rancor.

dragões enfrentara, os matara sem dó,
labaredas cuspindo, resumira-os a pó,
tantos infiéis inimigos, em caminhos cruzados,
a espada se crava, e prata se encharca,
de sangue, e medo, prazer no pavor,
o deleite da morte, nos vermes, a dor...

raivoso tácito, vagante por adentro estradas,
sádico nevoeiro humano, trauma encarnado,
lágrimas engole, como a sangria de um demônio,
despreza o viver, mesmo que por si prezado.

e os vê em ruas, de vilas miseráveis,
acalentados em lisuras de restos mendigados,
doentes figuras, que de conformismo se alegram,
como aparições bestiais sem lhe causar terror.

contempla-os escravos, estranhos sofridos,
não há anjo que não o tivesse visto tentar,
poder amar, por muitas vezes, os fracos,
que de pedras se imbuem, quando vêem seu ser.

apraz o sangue, o ódio escarrado,
fel de rancor, um rubror de amargura,
a ferida pulsante, o olhar lacerante,
assassino desejo suicida e mortal,
como agoiro em carne viva,
torturosa ferida que anda só,
um lobo mordaz, insano e sem medo,
armado, em traiçoeira perspicácia,
é um vicio destruir, ser renegado,
voltar, ter se vingado, e novamente destruir...

mas não se esquecem, num plano celestial,
que certas vezes humildemente se prestou,
a ser amável, e compreensivo, respeitoso...
mas... desta raça, não se pode esperar mais que mero proveito.




Abominável Festejo






















criatura bizarra, à calmaria da rua,
mais um expulso, mais um desdenhoso,
aparente sorriso cujo, oculta ódio natural,
enseja socialmente pisar-lhe a cabeça,
num poste encostado, uma musica agressiva,
consigo carrega, aprazerado, seriamente escuta...

e mais se agrupam, logo a matilha,
mas alta se torna, a destruição sonora,
no espirito, um sentir de ebulição,
agressiva alegria, ainda que contida
sutilmente emerge estranha inquietação,
movimenta-se, ansioso não mais pode parar.

estasiar em espasmos, cada segundo explodindo,
metralhar com todas as armas,
o insultar de todas as palavras,
descontrole febril, rasgar de grades,
cativeiro tomar, derrubar, destruir,
amarras romper, algozes agredir, assim se sentir!

morreu a calma! um festejar naturalmente visceral,
incontido, cada redoma sofre seu cruel destino,
cada canto, se incendeia, de algo descontrolado,
indesejado alento... apenas mais intenso!
gritar de raiva, divertida expansão... mais forte!
tudo desmorona, não há de mais nada um lugar.





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Entre Anjos Negros e Demônios

























descobri, sou um anjo negro...
anjos negros nunca morrem,
mesmo que seus corações parem de bater...
podem eles demônios enfrentar,
porque realmente conheceram suas armas.

você pode queimar meus olhos,
e torturar-me com a visão do ar,
nessa manhã, nublada imensa,
eu vago à frieza dos precipícios de concreto,
tentando me esconder,
eu vejo apenas seu prometido veneno,
pegue minha mente, tente enxergar...

eu choro, sinto por sua dor,
por mim mesmo, sou incapaz desses prantos,
percebo o futuro, tudo irá desabar,
novamente, tu verás tua piedade,
irá ela, te crucificar,
e os seguidores teus, ela irá matar...

um por um, um por um,
humanidade canina, delírio obsessor,
belos sorrisos, encondem um vampiro,
eu o vejo, te perseguindo,
lágrimas, por tua dor,
vindoura, inacabada, lhe decretará...
não poderei ficar,
devo ao nevoeiro das montanhas seguir,
em passos obstinados.

tormentos, abstratos mentais,
transfiguram o inimigo, todo tempo, à minha frente,
dentre trevas, tento ser forte,
envolto em humanos e aberrações,
letargia, apenas nisso eu navego,
de asas cortadas, canto a elegia de seu tombar,
é seu destino, mesmo que eu discorde,
não posso dizer, nem mesmo sequer gritar,
deixei de dever, por um motivo lutar,
é momento de partir, é hora de parar,
somente irei,
do que fora bom, jovialmente lembrar...

esguio dentre silhuetas de dor,
meu caro, sempre foi assim,
acendo um cigarro, dançando entre as sombras,
escuras ruas, dos renegados, o divertimento;
pensamentos, incontáveis em ínfimos instantes,
em amarga paz, assim eu deixarei,
pensamentos, incontroláveis, indefinidos,
retratam o escoltar de sombrios pedantes,
eu contemplo as caladas ruas,
num exaspero infantil, curiosa ansiedade,
meu caro, onde estará teu destino?...
dentre insanas figuras, diabólicas abstrações,
seguirá o mar, reverso, uma vez...
mas, eu não estarei pra saber.




Fiz um poema que se enquadraria perfeitamente apenas em goticismo. A intenção não foi essa, depois de tanto tempo escrevendo coisas bem mais elaboradas, simplesmente um sentimento passageiro me rendeu a não fazer mais do que isso. Esse poema me lembra o inicio de 2010, quando escrevia mas sequer tinha o Poeta das Sombras ainda, uma poesia um tanto simplória e direta, mas extremamente forte, e um pouco do que eu faço agora também, principalmente pela sintaxe. O poema é melancólico e direto, o final não tem anda de impressionante, mas acaba sendo desolador e sufocante "mas, eu não estarei pra saber.", foi essa a intenção mesmo, causar algo assim... assim como o que eu sentia naquele dia. Anjos negros, não necessariamente são ruins, outra coisa que eu quis expressar e que ficou evidente nesse texto, nem tudo que habita às margens das sombras, necessariamente está do lado negro, aliás, o bem e o mal não dispõem de cores, porque sequer existem por conta própria, senão pelas pessoas que os julgam.



Trovoada Vindoura















































pela janela, o anuviar contemplei,
uma chuva vindoura, tormenta,
cairemos nós, sob cujo mirar, soprar...
fiquemos de pé, num abraço, busque tentar!

queria ser, por ventura, fortaleza,
de ti, aqui, distantes num só,
mesmo sua fúria, não irá nos deter,
nos descobriram, os soldados da trovoada.

avermelhadas figuras de espadas,
finos semblantes, metálica forma,
elétricas aparições, de mágicas guardadas,
secretas dimensões, furiosas, nos procuram.

espetáculo, vislumbre apenas,
dilúvios de extensa destruição,
fique aqui, iremos até o fim!
retumbam o partir à escuridão.

num momento de sedento afago,
tua pele sinto, proclamo o inferno,
será assim o destino, eterno,
alento, pois tu, comigo trago.

mar de flâmulas, em terra ardente,
não fomos bons, será tal o preço,
irei em teus braços, morrerei contente,
durma!... o despertar nos irá legar um paraíso.

O rosto era meu...





eu só queria alguém,
que tivesse apenas uma cara,
dessa manada, alguém além,
assim poderia
eu, despir de negra máscara
meu ego refém...

deveras, deveras,
mil feras, assim sou,
mil eras,
passaram,
mil partiram, definharam,
e dentre tudo, pouco restou,
mas a máscara... a máscara
não se rompeu.
não havia máscara,
o rosto era meu.