sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dilema de um Cavaleiro Negro






























em marcha, o galope, enredado, trincante,
ferrados cascos, troteiam, pranteiam mil ritmos,
estilhaçar de vitrais, assim soa o solo sentindo,
montado poço de fúria e rancor.

dragões enfrentara, os matara sem dó,
labaredas cuspindo, resumira-os a pó,
tantos infiéis inimigos, em caminhos cruzados,
a espada se crava, e prata se encharca,
de sangue, e medo, prazer no pavor,
o deleite da morte, nos vermes, a dor...

raivoso tácito, vagante por adentro estradas,
sádico nevoeiro humano, trauma encarnado,
lágrimas engole, como a sangria de um demônio,
despreza o viver, mesmo que por si prezado.

e os vê em ruas, de vilas miseráveis,
acalentados em lisuras de restos mendigados,
doentes figuras, que de conformismo se alegram,
como aparições bestiais sem lhe causar terror.

contempla-os escravos, estranhos sofridos,
não há anjo que não o tivesse visto tentar,
poder amar, por muitas vezes, os fracos,
que de pedras se imbuem, quando vêem seu ser.

apraz o sangue, o ódio escarrado,
fel de rancor, um rubror de amargura,
a ferida pulsante, o olhar lacerante,
assassino desejo suicida e mortal,
como agoiro em carne viva,
torturosa ferida que anda só,
um lobo mordaz, insano e sem medo,
armado, em traiçoeira perspicácia,
é um vicio destruir, ser renegado,
voltar, ter se vingado, e novamente destruir...

mas não se esquecem, num plano celestial,
que certas vezes humildemente se prestou,
a ser amável, e compreensivo, respeitoso...
mas... desta raça, não se pode esperar mais que mero proveito.




Nenhum comentário:

Postar um comentário