quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Entre Anjos Negros e Demônios

























descobri, sou um anjo negro...
anjos negros nunca morrem,
mesmo que seus corações parem de bater...
podem eles demônios enfrentar,
porque realmente conheceram suas armas.

você pode queimar meus olhos,
e torturar-me com a visão do ar,
nessa manhã, nublada imensa,
eu vago à frieza dos precipícios de concreto,
tentando me esconder,
eu vejo apenas seu prometido veneno,
pegue minha mente, tente enxergar...

eu choro, sinto por sua dor,
por mim mesmo, sou incapaz desses prantos,
percebo o futuro, tudo irá desabar,
novamente, tu verás tua piedade,
irá ela, te crucificar,
e os seguidores teus, ela irá matar...

um por um, um por um,
humanidade canina, delírio obsessor,
belos sorrisos, encondem um vampiro,
eu o vejo, te perseguindo,
lágrimas, por tua dor,
vindoura, inacabada, lhe decretará...
não poderei ficar,
devo ao nevoeiro das montanhas seguir,
em passos obstinados.

tormentos, abstratos mentais,
transfiguram o inimigo, todo tempo, à minha frente,
dentre trevas, tento ser forte,
envolto em humanos e aberrações,
letargia, apenas nisso eu navego,
de asas cortadas, canto a elegia de seu tombar,
é seu destino, mesmo que eu discorde,
não posso dizer, nem mesmo sequer gritar,
deixei de dever, por um motivo lutar,
é momento de partir, é hora de parar,
somente irei,
do que fora bom, jovialmente lembrar...

esguio dentre silhuetas de dor,
meu caro, sempre foi assim,
acendo um cigarro, dançando entre as sombras,
escuras ruas, dos renegados, o divertimento;
pensamentos, incontáveis em ínfimos instantes,
em amarga paz, assim eu deixarei,
pensamentos, incontroláveis, indefinidos,
retratam o escoltar de sombrios pedantes,
eu contemplo as caladas ruas,
num exaspero infantil, curiosa ansiedade,
meu caro, onde estará teu destino?...
dentre insanas figuras, diabólicas abstrações,
seguirá o mar, reverso, uma vez...
mas, eu não estarei pra saber.




Fiz um poema que se enquadraria perfeitamente apenas em goticismo. A intenção não foi essa, depois de tanto tempo escrevendo coisas bem mais elaboradas, simplesmente um sentimento passageiro me rendeu a não fazer mais do que isso. Esse poema me lembra o inicio de 2010, quando escrevia mas sequer tinha o Poeta das Sombras ainda, uma poesia um tanto simplória e direta, mas extremamente forte, e um pouco do que eu faço agora também, principalmente pela sintaxe. O poema é melancólico e direto, o final não tem anda de impressionante, mas acaba sendo desolador e sufocante "mas, eu não estarei pra saber.", foi essa a intenção mesmo, causar algo assim... assim como o que eu sentia naquele dia. Anjos negros, não necessariamente são ruins, outra coisa que eu quis expressar e que ficou evidente nesse texto, nem tudo que habita às margens das sombras, necessariamente está do lado negro, aliás, o bem e o mal não dispõem de cores, porque sequer existem por conta própria, senão pelas pessoas que os julgam.



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