quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Paranoia Extraterrestre






























amnésias, abdução,
nada presenciado
exceto dito clarão,
passado presente,
vivente à lembrança,
memória, eis que confusa
em incauta andança,
pacata era noite
para nunca mais esquecida ser,
figura aquela, obtusa
sequer pudera se mover.

estagnados frígidos músculos,
temor de possível aparição,
vigília noturna, porta arma à mão,
ruídos estranhos, minúsculos,
tendem em minha residência
denotar o preceder de uma invasão,
transfigurar-me nesta existência
em cobaia de genética escravidão.

cada piscar, em celeste negrume,
estranhos circundam-se à vermelhidão,
de cuja potente tecnologia,
movida por extraterrena radiação
desmente cultivada analogia
contra minha antiga filosofia
que sempre rejeitou desvelada razão.

controladores subjugam,
cérebro meu, em elucubração...
quem pode dizer
que não me estão a observar?
sinto o enturvecer
de idéias, uma introjeção,
descarga de adrenalina a torturar,
perturbar,
à eletromagnética infestação
de nefasto invento de dominação
cerebral...

perversão
letal,
ciência
do mal,
humanos
experimentos
não terranos
em eventos
nada
insanos,
entrada
de nanos
em um discernir
intelectual,
externo
intervir
mental,
a inibir
moderno
evoluir
natural.

refletir de livre-arbítrio desprovido,
verídico ego desconectado,
debulhar da percepção, que nascido
tivera o eu meu assassinado,
lentamente,
num esporádico emergir
descontroladamente
ainda não metamorfoseado.

usurpadoras luzes; pressinto um aproximar
aterradoras, num momento qualquer,
obsoleto será fugir, restando apenas enfrentar,
evolução limitada detendo
num provável desfalecer,
desconstrutor primordial deparar
que acontecendo,
póstumas dúvidas não me irá legar.





Mais um poema que tende ao lado psicológico e à ficção científica. Definitivamente essa temática na poesia ainda é muito rara e fértil, visual se você souber utilizar as ambientações certas, e perturbadoras em alguns momentos, a poesia é intensa, e o tema ninguém se abstêm de viajar. Gosto desse tipo de exploração temática, ainda haverão muitos outros poemas assim aqui. 

2 comentários:

  1. Realmente esta é uma temática ainda pouco explorada dentro da poesia. É uma poesia que remete a imagens fortes, coloridas. Eu diria que é uma poesia pictórica. A estrutura da poesia é bastante interessante. parece levar a uma sucessão de imagens como se fosse o desenrolar de acontecimentos. Eu gosto muito de ficção científica. Um dos meus escritores mais queridos é Isaac Asimov. Lembrei dele ao ler este poema.
    No mais, é uma bela poesia, que aborda algo mais profundo que ficção científica, a questão de que, até que ponto somos donos da nossa vontade, até que ponto temos livre arbítrio nas nossas escolhas ou será que somos joguetes nas mãos de inteligências superiores?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa foi a ideia principal, será que somos joguetes nas mãos de forças superiores?

      Excluir