domingo, 30 de dezembro de 2012

Planeta de Mares Absolutos





tenebroso em tempestade, é lei o mar,
imperscrutável profundeza, oculto mundo,
indescobrível dogma de amantes águas,
que embarcações vossas põe-se a beijar,
sem terra prometer,
tampouco envolver
quaisquer rochedos no planeta a habitar.

pois àquela instância,
firme solo é inexistente,
desbravador, cuja distância
é mui gigante, ao precedente,
berço mãe, do qual provindo
deixar disposto
se foi, descrendo num fim.

navegador de um não findar,
espaços cruzara, até encontrar,
no imenso azul desolador,
um mergulho mortal, desconhecido,
extraterreno infinismo, assustador.

azularar mortal de armadas presas,
transmutando qualquer forma em sua cor,
flutuar de imponentes embarcações, tão indefesas,
diante perverso imenso perder-se em em seu furor,
calado solitário, é o rugir do preceder,
da aparição que submersa, pode-se ver.

monstruosa, quimérica, incomensurável,
de serpentes se adorna, em metal acobreado,
cravados rubros cristais, e empírico casco retaliador,
negra madeira talhada no imemorável,
permeia assim, emergido colossal navio transportador,
onde jamais um atracar se foi contado...

escorriam-lhe os pingos por dentre os mastros,
pesadas velas, pelo vento levantavam,
imensos canhões nos dadivavam,
seus desconhecidos metais com a marca dos astros,
víamos estraçalhadores lemes, sobrepujando ondas,
muros d' agua em brutal derrocada de tempestade;

surgente veloz, motriz como a voz,
de um estranho algo, vindouro aterrador...
gigantesca aberrante, uma serpente surgia,
similando sônico sonar,
nervosas abruptas investidas criando,
acima àquele monumental cargueiro
com explosões de raios a contra-atacar;

então, furiosa à exaustão do desespero,
instantes breves, escondera-se no mar,
cessaram canhões, mais velas
levantaram,
instável prosseguia apressada rota,
num cambalear por dentre rajadas palpitantes,
que em segundos após, terrificantes,
deu-se o ver, de no meio seu partir,
num salto dela, no arrastar-los... para o fim...








Um comentário:

  1. Este poema me fez recordar algo sobre As Grandes Navegações, quando os homens se atiravam ao desconhecido, cheios de temores e também de coragem.

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