quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Filho Do Mar



























descalços pés que em encharcada areia afundam,
vertiginosas quebram irosas ondas,
nebuloso horizonte rompe perspectivas quaisquer,
filho do mar, grita tuas dores ao pai tormentoso,
de tenro semblante gotejam afagos,

ventania levanta, envoltura de sussurros abundam,
silhuetas sobem, quebram redondas,
para si, enrijece os dedos, mãos, e energia verter,
se prostra ensimesmado, à maresia saudoso,
permite espírito invadir, como os magos.

furioso adentrar mental imerso ao enfurecido,
quebrar latente d' água que verte à plena vontade,
entregar d' alma, ensejos conjuram ferocidade,
hibridiza encharcada carne ao âmbito desconhecido,
o possuir de olhos não mais seus, a transformar,

de trovões grotescos, retumbar montanha acima,
tempestade mãe traz consigo o que não se estima,
negror de funesto céu, mórbido tenso assustador,
consome interno, escaldante denso rancor,
por embarcações tais, vindas a se aproximar.

de artilharia impiedoso explodir qual remete,
amargas lembranças, funestas de anos atrás,
ao vilarejo invadir, tendo feito quem promete;
revanche em retorno ao entorno de tão más
marinhas rotas, mórbidos presságios em que vem;

turvo redemoinhar levanta, em cascos quebra,
vertem navios, mortal moinho que entenebra,
mercenária expedição, águas de corsários sem lei,
assassinos, de sangue devotos, do ímpio rei,
ao inferno mandar-los-ei, d' onde praga tal provêm,

uma voz intervem,
plena carregada,
de rancor que tem
consigo jurada
velha maldição,
ela diz, detalhada;
aqui sempre haverá,
aos invasores cruéis,
nesta ilha, perdição,
luta, derrota,
ratos no convés,
morte de algum irmão,
tudo derroca
por de alguém cuja mão,
que aqui nascerá
e, pronto a defender,
tal lugar estará,
mesmo que a pagar
com sua própria morte,
não há quem mais forte
seja ou tenha sorte
sequer possa atracar.

filho meu,
conduz tua tormenta,
espírito alenta,
este teu,
e que a se enfurecer
me evoca,
que toca
meu furor, reverter,
de fundas marés,
encharca teus pés,
praga, faça acontecer
de acordo
com o vosso direito,
recordo
quão mal lhe fora feito
a teus pais,
lá no cais,
órfão, renegado,
foi teu legado...
por isso, pois, te escolhi,
te acolhi,
como tal, meu mensageiro,
qual beiro
no inteiro
punir
da injuria
vil, ímpia...





Vertido Sangue Sete Vezes





























tempestade nebulosa
de gorjeio sinistro,
em fúria, pia vaidosa;
o mal, que é ministro,
de noite esta; misteriosa,
e fogo vem acender
do sortilégio ancestral,
e a morte corromper
em sua prática magistral,
pleno conceder, renascer,
pelas vias do umbral...

nefasto verter sangrento de purificação,
cortados pulsos, manchados rubros punhais,
virgens vasos se inundam sob a canção,
cântico do sacrifício às pendencias carnais,

perdura encarnado o espírito, sem vital fluir,
e, incendiado à possessão de ardente flâmula;
se torna o sangue, substância mais pura a existir,
perante etéreo queimar, nada o macula,

banhar-se em própria essência rubra ardente,
proferidas sinistras notas vocais entonadas,
reluzentes involucrais raios, gritar estridente,
expostas veias de vivas pulsações retornadas,

reverberada energia, assim sete vezes vertida,
violenta ventania sopra a consagração final,
conjurar de negra antiga arte de vinda e partida,
e cessada, descortina, enquanto em vida um imortal.

converter
bestial
d' espírito,
venal
reverter
mortal
que prescrito
fora,
agora
vigora
oculta
metamorfose
e que resulta
perfeita
à simbiose
refeita
à correnteza
temporal,
empreita
à aspereza
da guerra
em terra
a qual
vil senhor
indolor
impiamente
cairá,
será
somente
o pó
sem dó
a existir,
ao dizer
do vento,
alento
a vir...

imposto sacrifício que espada concede,
sentir melancólico, revolucionário invencível,
pelos reis perseguido, e que à luz se impede
de figura ser, do povo, retrato reconhecível,

indestrutível inabalável cavaleiro da noite,
entregue alma pelo libertar das gerações,
sete séculos às entidades servir, até que intróite,
novamente ciclo seu de bravas reencarnações,

sombria lenda de vilarejos à luminosa capital,
boatos se escutam de um assassino inigual,
o povo o ama, crianças, velhos, escravos, mães...
diz a lei, isto é um crime, é o que ladram os cães,

minguante lua, toda vez, popular querer saber,
qual ímpio senhor, à espera, irá morrer,
moralmente intenta o rei entusiasmo impedir,
não há mesmo assim, como tais sentimentos inibir,

sepulcrado em terna paz, apenas quando for,
dado o último escarrar, de onde então jaz,
tal que em rudes homens, do ódio foi causador,
dando-lhes a guerra, sem um porquê lhes ensinar.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

AK-47































encapuzadas faces, de conflito iminência,
aberto fogo, destinado guerrilheiro a ser,
impetuosa voraz chave da revolução,
disparos mortais, nuvem de caos, destruição,
de olhos piscar, como trovão, munição, resiliência,
sacrifício, eis o ofício, de um ideal, a resistência.

tão presente familiar sombra da morte,
desconhecer se será seu retornar,
rifle de assalto, leve porte,
ferramenta cuja qual se dedicar,
combater!
eliminar!
violência exercer,
inimigo metralhar
sem ao menos saber,
quem esteve a matar,

inebria, guerra fria,
e a encarnar,
atira imponente,
como outrora a espada
a figurar
o que há em mente,
fúria disparada
em calculado alvo
severamente
indo ao chão sem ar,
ninguém a salvo
dentre tiroteios,
mais eficazes meios
de vantagem tomar,

de chumbo tempestade,
miríade
mortal,
prega-te à parede,
um segundo;
se depara ao final,
imundo
de sangue,
mui langue
arma deixa cair,
vida
a se extinguir,
ida
ao seu mártir
de adoração,
e o levado pertence
faz jus
à sua criação...

água, lama, areia, nada que o possa prejudicar,
simplório tão destrutivo eficaz em campo hostil,
seiscentos não caros tiros toma até à mão infantil,
por mais de seis décadas sob o mundo fez em pairar.

desertos de terroristas,
extremistas alienados,
anevoados invernos
de comunistas recrutados,
treinado soviético,
bélico profético
em ideais deturpados,
sofismados pela ambição
de senhores seus; utopia,
nada que haja à volta;
gente em miséria envolta,
arsenal como tal desafia,

[vá, pegue
as armas,
carregue
inimigas
lágrimas
consigo,
ataque
malignas
tiranas
vis nações,
cada qual
sua própria,
façam vós,
revoluções
sem o mal
que se procria
aos tronos]

armas, nobres podem vir a se tornar,
quando propósito o seja de libertar,
cada semelhante de algozes correntes,
e à Terra, que vivam como livres gentes,
não se tornem corja de famintos explorados,
escravos sob a ganância de alguém,
ninguém digno é de ser refém,
se não tem, de outro, os passos contados.

água, lama, areia, nada que o possa prejudicar,
simplório tão destrutivo eficaz em campo hostil,
seiscentos não caros tiros toma até à mão infantil,
por mais de seis décadas sob o mundo fez em pairar.





sábado, 7 de dezembro de 2013

A terrivel lenda de Billy, O Perna Fina




em contada historia mentira não há,
na noite, no breu, algo a lhe assombrar,
em plena madrugada, temendo o pior,
solitária estrada, esconde seu puro terror
um fantasma horrendo, vil brincalhão,
mata suas vítimas, de um ataque do coração.

finas pernas, braços quase batendo no chão,
cabeça maior, desproporcional,
sem pés, pele podre, de roupa surrada,
de orelha a orelha seu sorriso, cara deformada,
afiados dentes mostram a abominação,
dois metros e quinze de altura, visão do mal,
ligeiro como bala, grandes olhos a desafiar,
pela janela se mostra, corre atrás do caminhão,

a todos aqueles que quiserem encontrar,
coisas estranhas, nas pistas, ao passar,
fantasmas, monstros, alguma aberração,
é bom então lembrar, o que diz esta canção,
assim que se invoca, Billy o perna fina,
pra vencê-lo é preciso, ser mais assustador!

eu sei, isso é muito para você acreditar,
mas esta é a verdade que eu posso contar,
a história de um encosto perseguidor,
essa é a terrível lenda de Billy, o Perna fina!









A viúva do guarda-chuva

























por dentre pedras caminhante, de chuva encharcada,
luar refletindo ao noturno negror pairando,
eu a vejo!
vislumbro-a radiante
não como outra passante
duma mera mirada,

reflito aflito o que fito estrito a mim somente,
me permitindo imaginá-la a meus braços se dando,
almejo...
como no tempo, viagem,
tornar à imagem,
àquela época deprimente,

e podia simplesmente, sem temor com ela falar,
tocava-lhe a face, e carícias minhas lhe bastavam,
cedia-me, e os fartos lábios cujos se apertavam,
recaia o rubro receio de comigo aos beijos estar,

se entregava afinal, em vãs falácias entretida,
o inclinar-se natural, em abraço meu envolvida,
tão semelhante amável, como eu, irritante...

resta, pois, agora; o elucubrar vertiginoso agonizante,
de minha ira sobre mim, que fui deixando...
como lampejo!
foi-se embora realidade,
e, envolto em fealdade
lúgubre amargura veio pairante,

todavia angustia ainda o que via, sombria figura,
lívida toda madrugada, mesma hora passando,
me revejo!
incapaz de escutado ser,
ela, de negro, sem perceber...
ou me ignora com terrível lisura,

tempesteiam irosas nuvens, trovões de aguaceiro,
abafadas brisas que assobiam meu premonizar,
desconheço o seguir que tomará tão triste passeio,
sabendo eu, não está mais ela onde estava a morar,

reluto em crer, no dizer de más línguas relatados,
e saber, de seu amor por mim, anos após não datados,
sua sepultura recordar, quando a ela estive perante.







terça-feira, 12 de novembro de 2013

Elegia de um mundo moderno





















em laboriosa distraída marcha, a retornar,
assobios, resmungos, cantoria operária,
cansados timbres, em fila, num auto recobrar,
entardecer de deixa; que desde cedo se queria,
cotidiana exaustão, vista como gratificante,
anoitecer que revalida repousar em si, cativante,

vindoura jornada, indiferente d' outras mais,
despertar físico, adormecer ainda emocional,
fatigado a sentir, como se não descansado,
apruma-se atento, a não destoar do formal,
por num dia produzir; seus lucros mensais,
rude ordem acata fingindo-se empenhado,

expediente; semanal terceiro, vão enjoativo,
descoberta nenhuma satisfaz mais seus versos,
disposta labuta, mão-de-obra desgastante,
retorno almejado, enfim, algo felicitante,
temporal breve tortura, do ganho; os inversos,
ligeiros gastos d' espírito abstraem pelo aquisitivo,

doentio raciona vinténs, pela sobrevivência,
patriarca que com um sorriso oculta desespero,
adormecendo pairando ao pesadelo de adoecer,
devendo ao eleito estado; sua fiel obediência,
e deseja-lo; em sua justa lei, sempre seja próspero,
um cidadão de valores, nada tem que temer...

fatigado sucumbe ainda, e à tez perseverante,
um sentir-se adoecer, dia a mais, anos durante,
auto-degrado pelo dito emergir desta nação,
que alegrias concebe, e com justo total amparo,
por ventura chegada foi de sua saúde um reparo,
capaz não sendo de morte impedir, por precisão.

corrosivo sustentar de material realização,
pueril tóxica lógica, meritocrática infame,
à sua mente isto pairava, co' zunir dum enxame,
emocional resistência, sacrificada em questão,
de suportar não por si, pelo que amava, e ceder,
cabeça cuja à execução, incondicional teve de vender.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O assassino da esquina abaixo






























doloridas pálpebras, excessivas lágrimas,
divina justiça, recaia sobre os maus,
fazei às mãos minhas, teu decreto final,
lavai-me de sangue, livrai-me às lástimas,
te emprega por mim, sedento funesto animal,
faca manuseando, psicológico debater,
ensejo matar, depois de tanto morrer.

devota justiça, alvo de alheia estranheza,
tido monstro vida toda, então rebelado,
perpetrais por mim trevoso apocalíptico;
macabro nuncio de piedoso livramento,
criterioso assassínio, eis o alvo planejado,
à culpa isento, retidão de cunho eclíptico,
feitor consagro-me ao hostil derramamento,

retumba sinistra trovoada,
semblante apenumbrado,
reviravolta encarnada
num tom atormentado,
de remorso sente nada,
diabólico anjo assombrado,
mistério detém presente,
sente, apenas ódio acumulado,
revolta, co' a vida, que inerente
se faz vítima molestada,
vítima algoz duma emboscada
de ainda sim frágil coração,
assim ser, sido não deveria,
feio pranto, sincera histeria
dentro do peito, bruta angustia
empregado amor, todo fora em vão...

desejo psicopata
ainda que não
possa com convicção
algo de fato fazer,
tal dor trata
com um estranho lazer;
poema escrever
sobre matar
tão mau sentimento
que por si, sem ter saber
de quão é destruidor,
arraigado,
em meu intento
eu o enfrento
assim, como escritor,

pesadelo
desvelo
dias após,
culpa de nós...
em meu querer
já te matei,
pois, saciei
raiva minha,
que vinha
a me fazer
parvo ser
esquecer
quem era eu,
me prometeu
não desistir,
se esqueceu?
de forma esta
me traiu,
rancor infesta
este meu ser,
a confessar
tenho de ter
agora é festa
funesta,
nada sentir,
rememorar
como é rir...

co' um cutelo, sarcástico lhe cortei, 
antecedendo, estava eu a esfaquear,
- estranha diversão, é, eu sei!
e numa mala, pedaços guardar,
madrugada adentro, desembargo fluvial,
mortal montante se vai co' a corrente
acenos de despedidas perpetro contente,
depois, dizer é só, "oh, foi tudo um acidente!"
de ida passagem só, ao destino infernal...

...podem as palavras, certamente machucar,
e não foram estas, as piores, com certeza...












Noite, teu negror...

























noite, em teu negror que me acalenta,
nublado noturno, notório natural
graças me dás, e o pensamento inventa,
quer seja que for no breu, na imensidão,
que de tão, pura, d' alma toma fôlego,
o abraçar-se às trevas, livrar do ego,
calado céu só, à calmaria contemplação...

vazio exprimindo ainda tanto indizível,
coisas que luz esperam lhes serem dadas,
o não ser sendo, já sido, e que surgente,
sempre foi, a lei de si, causa e consequência,
universo negro, se fazendo onipresente,
imensidade voraz, semblante da existência,
infinita fronteira de onde podemos chegar...

enegrecido silêncio em eterno descanso,
vivente póstumo, jamais nascido,
divina graça, de nos outorgar sua face,
solitário, apazígua solidão qualquer,
a cada instante por mesmo, renasce,
àquele que se habita, sem nunca ter tido,
recanto outro ao qual se repousar...

sons d' explosões,
surgimentos,
imensidões,
estrelas
atiradas
ao sempre,
desvelas
moradas
de inventos,
contemple,
eventos
se seguem,
não morrem
só correm
curso seu
que no final
cujo véu
imortal
se faz,
não neguem
que à noite
sombria
inebria
com açoite
de paz...







segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Animal Industrial
























espécie consumidora, animal industrial,
massivo extermínio, nutrimento legional,
suprimindo raça parasitária,
vitamina conservante, corante artificial,
hidratada com acidez, 
é a vez, antibiótico, via venal!

impulsiva natureza, obesa presa passional,
viciada gordurosa, exala um tom banal,
no dizer, ao viver, em sentir,
de comer hora é, seu alimento comercial,
temendo ter que oferecer,
diligente engole, simples defesa individual...

você se perdeu! à natureza, você morreu,
cada vez que suinamente ingeriu,
se permitiu! à malvadeza, sucumbiu,
rebanho do acúmulo, pela imagem adoeceu!

tóxicas artérias, entupidas, falta de ar,
farmacêutica corrupta magia a perpetuar,
depressiva existência, plena degradação,
mórbida maneira de manter arrecadação,

você, preparado está para assim viver?
alegres todos, mentes, vísceras ao capital,
exilados domésticos, paranoicos cardiopatas, 
psicopatas comandando a revolução bestial,
prenuncio do começo do fim, selvas de sucatas,
é o que, pois, irão estes novos pais oferecer.

asmático
prático
nebulizar,
respirar
caótico,
sobreviver,
carbônico
dióxido,
refalecer,
recobrar
a si, do ser,
então rezar,
volta a pecar,
vem de novo
a depender,
defender,
como o povo
de restos
consumidor,
com gestos
que causam dor,
infestos
de rancor,
funestos
sem saber se dar
auto-valor...
de merda mundo
que vão herdar,
torpe imundo,
ao que vingar;

egoica bélica raça vaidosa sujismunda,
risonha em diálogos de profunda estupidez, 
em blocos sentada, à pirâmide que abunda,
o planeta, de infértil desgraça, em vez,
de em essência preservar, profundo sentir,
divino sopro, por pulmões, deixar fluir,
terra mãe, que te afastas cada mais distinta,
perdoa esta espécie, quando quase extinta.








quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vida Ao Espantalho
























noturnais se explodem, de mil pragas, o arder,
trovoada soprante, gélido sussurro perverso,
malditos relampejam encantamentos vis, perigo,
vinganças, pelas ruas; espreitas, caminhantes,
inconsequentes vítimas desvelam cruéis surpresas;

calada ardilosa, madrugada de gritos infernais,
debruçada sob trincada antiga bengala, lá estava,
e por milharais se acortinando, uma velha feiticeira,
que por sombria dívida familiar, pois, cobraria,
momento chegado, anos após, seu algoz conceberia...

retumbante trovão, balançar do céu, 
macabro raio, sinistra névoa, mau véu,
em palha gerado, ardendo em dor,
braços cujos move, nefasto assustador,
guturais grunhidos inicia a resmungar,
vida ao espantalho, começa a andar,
o tenebroso introito, de um assassino,
e aquele seria; uma figura sem destino,
apenas sendo, de espírito desprovido,
o escravo dum crime, de si desentendido;

rasgado semblante de cabeça de couro,
surrados trapos vestindo, laranja xadrez,
olhos de buraco co' a força de um touro,
esbelto físico, proferindo sua vez,
queimada peruca de negros longos cabelos,
costurada boca, a professar pesadelos,
do calvário liberto pronto a matar,
uma grande foice no celeiro vai pegar,
lhe persegue a feiticeira, e então deparado,
livre percebe-se, não mais subordinado;

artifício do mal, feito após; em revolta,
esquerdo braço ergue, intento de absorver,
todo mal ao seu feitor um dia volta,
negror que dela; dentro ao peito, viria ser,
do auto-consagrado lazarento ceifador,
e a deslumbra cínico, sob efeito do horror,
lâmina, então em seu peito, faz afundar,
viva ainda, escuta suas palavras finais:
tal é o preço, por vinte anos ódio cultivar,
e uma desalmada vida conceber, com rituais.

amolada
lâmina
culmina
à cortada
em duas
agora
bruxa má,
embora
ele não vá
pois, deixar
de matar
com suas
inglórias
terríveis
memórias
a torturar,
indeléveis
cicatrizes
motrizes
que fazem lembrar,
dum passado
sequer vivido,
ou sentido,
à força absorvido,
querer consumado
de poder partir,
eternamente,
da culpa descansar,
destino seguir
paz então alcançar
trevosamente
em seu silêncio
sem fim...

escadaria trespassa, cachorros espanta,
lacerada porta com força que tanta,
ouvidos invade, que os criados levanta,
despertar ao pior de todos os sonhares,
digna aparição de apavorados olhares,
magia refulge, os distando aos pares;

rompidas portas do quarto de quem,
deve por destino, viver como ninguém,
logo inexistente, em nada mais intervém,
foice ao pescoço, sono descontinuado,
espantalho fita, surpreso, tom recuado,
do leito caído, lembra-se estar armado;

falhos tiros, tentativa de certo, pueril,
atravessa uma lua, seu estômago,
sem ar, ajoelhado cai, moribundo senil...
toma do morto então, a treva em seu âmago,
atravessam chamas por palhas mil,
retorna o espírito dum aborto amargo.




sábado, 7 de setembro de 2013

Pedrada Na Cara























policia abusiva, corrompida, adestrada,
atiram impiedosos, se questionam nada,
lacrimogênio arcado às custas do estado,
convertida verba, contra sua própria gente,
reclamam depois, de que ferido gravemente,
cães de guarda atacando um revoltado...

pedrada na cara, eu quero acertar,
arrebentar os dentes, fazer sangrar,
gratuita covarde violência 
retribuída deve ser, sem menor clemência,
bombas chutar, desfigurar, socar...
tomar sua arma, e mais dois foder,
queremos o batalhão todo dizimar,
queremos ver filho da puta sofrer!

arrancadas cabeças, frente à televisão,
queremos que vejam, de quem é o poder, 
isso é reação! foda-se quem os apoiar,
fascistas hipócritas, tapa na cara? quero ver!
só valentes se fazem co' uma arma na mão,
facada no cranio, nossa coletiva mente psicótica,
mata como corre atrás de um prato de comida.


Nada Para A Máquina



























punhos de ferro, coração de estanho,
trincado, amassado, exaurido,
ainda tenho em memoria
tudo que tive sofrido,
não serei entulho dispensado,
sou imortal, de aço revestido,
nada irá me derrubar,
frágil apenas minha alma,
ainda sou invencível, a lutar...

é guerra, combate jamais cessou, não acabou,
caído, imóbil, me redescubro,
retrato risonho, arrastado, se recobrou
e junto o brilho de horrendo temor inimigo,
soldado mecânico da guerra final, 
eles fogem, rezando que eu tenha esquecido,
imploram, pra que eu não saiba,
de onde vieram as balas, punhaladas imundas,
sem farsas, minha verdade os eliminará...

intentam, por meras vítimas aparentar,
encurralados ratos em sua própria doença,
chafurdando à miséria da sujeira causada,
à mira de minhas armas, não são mais nada,
vingança plena, glória justa, 
seguiremos lutando, quão necessário for,
praga social, à hipocrisia, consagrada lei,
carne e osso é o que podem eles ver,
é muito mais que isso, não conseguem entender.

desintegrando a rumar suas temerosas direções,
adoecido me sinto, circuitos contaminados,
ferro no espirito, defeituosa máquina, confusão,
rubros acendem-se olhos, maus, incendiários,
elétricos campos em cólera convertidos,
explosão magnética, raios de verdades finais,
inclemência, assim nomino minha sentença,
intrínseca lei que me habita incontestável,
despontar da eliminação de vós, absoluta;

conquistador impulsivo, manto destrutivo,
desertos de corpos, cada grão, uma historia,
semente discordiosa com a existência,
guerra eterna em si, em selvas de concreto,
marchando própria marcha, 
seu corpo é seu país, sua consciência a veraz lei,
lutar, palavras de justiça aos vermes,
desejo, nada mais que qualquer um queira,
a paz pela guerra, a paz, sempre eterna utopia...









Canibais De Esgoto





























retumba a canção por canais asquerosos,
grunhida, assemelha-se com reza ao demônio,
ecoam por malditos tuneis de esgoto,
onde sangue e merda cheiram igual... podre!

tal diabólico quão asqueroso pretende ser,
o poema infecto decomposto que os descrever,
intenta, com entranhas ao cumulo da agonia,
fedendo vomito, e contraindo-se angustiosa...

não os queira por ventura conhecer!
reze por saber algo correr,
eles querem te alcançar,
não há muito o que comer
dentro do esgoto, teu azar
insaciáveis criaturas,
ao canibal ensanguentado,
só agrada carne humana,
quando infeliz é deparado,
a visão que tão profana,
procria gerações futuras,
o mal que do escuro emana
chances não dá, de qualquer cura,

canibais de esgoto contra-atacam,
terrível deparar co' a anomalia, 
à indefesa vítima se atracam,
violenta explícita selvageria...
devoram cérebros nestes confins,
carniceiros, mordem suas tripas
chupam suas veias, fritam seus rins,
cozinham teus órgãos sem piedade,
no existir, se alimentar é unica verdade
dinheiro mistério é, desconhecido,
moeda de troca é jovem desaparecido,

praga parida pútrida propagada,
indecente imune intrusa incoercível,
incoerente pátria ímpia parasitada,
precursora irracional, prole ininteligível...
nômades da sujeira, contaminação,
da raça humana, sua deturpação,
suja, morfética, desequilibrada,
reino das valas, do mundo sabem nada...

canibais de esgoto contra-atacam, 
avançam do podre umbral,
rubras retinas, falas cretinas,
desgracenta encarnação do mal,
sangue letal, virulento venenoso,
chupa faminto o oco até do osso...
terroroso desconhecer,
falecer pra alimentar, 
sacrificar por não poder
a si mesmo libertar,
retornar e conseguir,
os demais outros socorrer
diante o terror a lhes surgir,
essa é a lei, dos canibais de esgoto!





Mofando Em Meu Porão






















de aranhas; teias, e lá mofando,
oculta a poeira, às mágoas trancadas,
por nome atendidas, confiadas,
no eterno escuro, nada valem as manhas,
desta mesquinha gente mentindo,
ferindo,
sujando,
confiança pouca restando
à humanidade, que ainda tenho,
desdenho,
reclusos falsos gritos, de atormentados,
em cativeiro os mantive durante tempo incontável,
num porão, literalmente acorrentados,
jubiloso alimentar de estimação inexplicável,

tristezas cujas fontes em cárcere mantenho,
um dia fugirão, do trauma, meu mérito,
costumeiros arriscam, de caçá-los, eu; o perito,
rações lhes presenteio em puro empenho,
de cães, como são, já acostumados,
diminuída porção se berros não são bem berrados,
engendro em meu ego, pomposa caridade,
perante víboras, familiares desde pouca idade,

que farei eu, quando por ventura definharem,
em tristonha vã rotina prisional,
de labor indispostos, servidos, resguardados,
como se deve, e até mesmo reensinados,
se agora deste plano, já a luz lhes faz mal,
quem dirá, quando por fim desencarnarem,
percebo-me ternura, imaginando à saudade,
do cheiro de mofo, desta plena felicidade.




A Maligna Dor De Cólica Renal


























impiedosa agulhada no rim,
pontada latente, vertiginosa,
ponta-pés contínuos no escroto,
vontade de vomitar,
veio logo isso a mim,
crescente dor alastrada torturosa,
dizem todos que sim,
ânsia por querer gritar!

maldita, nefasta, desconcertante,
sensação de morte, a incapacitar,
desanda, derruba, desesperadora,
algoz qual, não se pode escapar,
suadouros frios, resistir à impactante,
veemente vontade voraz de vociferar.

cólica renal,
dolorosa e do mal,
bastarda,
inconveniente
retarda
o racional,
vagabunda
inconsciente,
me abunda
irracional
de horror,
profunda
semente
me circunda
envolvente,
evidente
o furor,
corcunda
displicente
não posso sentar.

vadia filha da puta, quer meu saco, então chupa!




Anjo Da Vingança






















oh, anjo da vingança,
em flamejante sacrário,
espero de toda a andança
ter feito quão necessário
que sacie meu rancor,
feitos de outrora a dor
de modo a recompensar,
ensejei bom ser, mas optar
não pudera eu, assim, fazer,
perverso fui honrosamente,
ao menos decentemente...
d' escolhas fui desprovido,
e esperançoso tive sido...

diga-me então, por que ainda anseio todos matar?
pisar, esculachar, quebrar as pernas, destruir,
semblantes banham-se de cuspidas desprezíveis,
tudo nada mais que gentilezas a querer retribuir.

descrente de sincero amor poder ser merecedor,
muita vivida merda lembrando a novo passo dar,
insetos parasitas, insignificantes inúteis respiradores,
engendros de doentia escória pela terra a caminhar.

creio em ti, anjo meu que em minha alma te resguardas,
ensanguentada espada, negras lamúrias, soturna tez,
compulsivo animalesco impulso por livre violência,
sobre pungidos cadáveres armas usar, mais uma vez...





Pecado Provinciano...



pensando fico eu ensimesmado,
nas pessoas deste lugar, e sua mesquinhez,
em ver-las num inconformismo, à tez,
estampado,
por vezes muitas, infindáveis, invejas cujas,
brotam-lhes consumidoras, como lava,
incômodo no espírito, golpe de clava,
traiçoeiro é o manifesto, das bocas sujas,
refluxo podre, e parasitário,
ácido gástrico dum enlodaçado albatroz,
injurias proclamam em discurso ordinário,
irritante peçonhento timbre de voz.

confabulo quais por quês?
motivos seriam tais, a querer prejudicar?
outrem, que já distante, sequer existe,
rejeitada criatura, por consequência, triste,
consigo mesma, típico à raça, querer arrastar,
rastejar-se a si, se afogar em embarques,
da alheia vida, auto tortura de fêmea vadia,
insensato inseto...

espírito no breu da própria desgraça,
de alento vulgar; os outros foder!
ao menos tentar, que conseguiu; crer,
em certeza fincar-se, de únicas não serem,
prejudicadas ao vício da estupidez, padecerem,
num fundo poço, onde haja vidraça,
perspectiva esvaziadora... feia...
pecado provinciano...




Velociraptors Arranham Suas Vidraças























desperto em meio à noite, lua plena cheia,
estranho rangido, e não costumeira
se faz, em meu recinto afora, uma baderna,
latões de lixo escutar posso, num remexer,
abajur, pois, acendo, pego a lanterna,
abriria veredas, veria a morte me abater...

... precedentes macabros instantes, antes,
de terroroso tremendo susto, aterrorizantes
garras eram, como horrendas, a arranhar,
vidraças minhas, as pretendendo quebrar,
réptilicas aparições, ágeis endemoniadas,
grunhindo investidas até aqui, planejadas,

velociraptors à janela vidraças rangem,
amaldiçoado fulgor mítico de estranho luar,
anseiam viscosas narinas cujas esfregar,
em expostas entranhas, e que mais sangrem,
assim querem, se afundam, carne a dilacerar,
dinâmicas motrizes criaturas do assassínio ...

aterrorizante emboscada, tocaia ligeira,
cercada habitação em calmaria traiçoeira,
silêncio em timbre mortal, virá!
a quebra do vidro, e invadirá,
constante praga quase racional,
sua tribo sedenta de bote letal!

sufocado 
envolvido
em meio o terror,
guarnecido
ameaçado
em seu negror,
dentro ao sótão
escondido
bem munido
e com um facão,
se estilhaça
uma vidraça
posso ouvir
sua direção,
tendo a sentir
premonição,
é meu fim!
vem a mim!
pois, que enfim,
pra enfrentar, 
talvez morrer,
preparado,
gatilho aperto disparado acertei,
em desnorteio coronhada lhe investi,
seu pescoço logo após esfaqueei,
desmembrarei, então, atormentado foi que vi...

... nada mais me cercava violento fomentado,
repentino sumiço, deslocava-me à conclusão,
costumeira ultimamente, verídica em razão;
remédios meus, por intenção, os tinha parado,
em virtude ao receio, à perda de capacidade,
de histórias contar, com tanta dramaticidade;









segunda-feira, 22 de julho de 2013

Um Dia Após A Morte




























recorda-te atencioso ao mito dos antigos,
dizem que a vida é apenas uma passagem,
e se como professaram estiverem certos,
breve estaremos nós, à maior das batalhas,
quando se puserem as estrelas, a nos observarem,
e nossas carniças levantar-se-ão dos túmulos,
será pós-morte um dia, uma noite, a eternidade...

descrente planeta de ciência e ferro,
nosso trunfo, voltamos de inexplicáveis sombras,
surpresa, o arrastaremos conosco até o fim,
carcomido aspecto, por vermes cometido,
arrastaremos teu pé aos portais da discórdia,
quase é meia noite, badalam os sinos do além,
intentaste descrer à vingança qual foi prometida,

prisioneiro acorrentado em etéreos curtos fios,
seremos constante loucura em ti perpetuada,
mais alto a cada vez iremos rir em plena chantagem,
de escadas te empurraremos, lhe faremos delirar,
todas as mulheres terão nossas belas feições,
definharão riquezas, como se esvai um vaso de sangue,
e não terás nada mais, que apenas vozes tormentosas,

ajoelhado à plena vontade de mórbido azar,
lhe permitiremos pensar, em somente se entregar;
esclareça seus inimigos, essa é a grande verdade,
liberte-os, faça-os jamais retornarem um dia,
escreveremos teus destinos rascunhados em torpor,
alforria de uma águia cega, de si esquecida...
o que nos feito, porém, voltaremos, um dia após...

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tigres




























digladiam-se, como tigres, razão e vontade,
desconheço quem ganhar irá tal contenda,
o caminho a seguir, espero que eu entenda,
raivosas estraçalham patas, e nenhuma verdade...

impulsivo, a pular de pedra em outra... seguir!
prevejo a ponta do precipício, quase cai,
alaranjados pelos, que pela sede é encharcado,
eis o animal do agora, sem tramar e sinceramente,

e tenso, ouriçado, intimida em oposição constante,
o outro, que analisa, fareja, à mira de alerta incessante,
racional planejador, custe quão seja se até a dor,
com mera patada, de imprevistos planos é destruidor...

mais alto topo escalam em pretensiosos passos,
guardiões deste infindável mundo de embaraços,
montanha venceram, e se comparados; pequeninos,
gelo e fogo, madeira e aço, brigam pela mesma causa,

sofre a grama, que carne é mui desejosa,
molha a mente, de ambas patas ao se armarem,
eu os observo, nego a quem por vencer anseio,
nada importa, quando se sofre todos os arranhões.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Balconista Italiano (Conto)
























Matematicamente, absorto em minhas álgebras abstratas... sairei eu, ileso deste infortúnio como um velho balconista de uma tabacaria dum filme de faroeste italiano. Pois o que vos conto amigos, não é mais do que uma história qualquer, e nada mais que um retrato escarrado da sordidez humana também em mim adjacente. Meus bons e velhos amigos, cavalheiros curiosamente entusiasmados, sob minha vista, que vês vós, senão um grande fanfarrão imbuindo-se de mais um alcoólico torpor, a satisfazer-me a gana de contar-lhes meus pecados? Não! Não aos padres será digna esta minha confissão, pois, certamente sou honesto demais a mim mesmo, para que pudesse eu arrepender-me de tal injúria com algum falso sugestionamento, sim o cometi de caso orquestrado nobres fieis da perversão, porém, sou eu devoto de minha amizade e nobreza fraternal, à qual, por desventura, pus-me a profanar como um animal sedento em meus vícios mais supérfluos. Não iludir-me-ei contudo. Quanto à minha culpa, que escutem estas, as meretrizes de bordel.
 Era ela tão bela, era ela tão envolvente, que meu espírito usurpava senhores, como a escuridão dum corredor alumiado em velas de procissão vertiginosa,  apenas consigo arrastando os olhares mais sombrios da cidadela das mágoas concretadas em séculos de ambição marítima. Como a candura de uma mãe viúva. Ou o dizer de um poeta que jamais provou de uma mulher... Como um feitiço sem escapatórias, cunhado no juramento de uma bigorna de um ferreiro diabólico. Ela era tão...
- Estranha! Aludiu alguém de uma das mesas;
- Sim! Afirmara Cleptoth, em seus trajes de mago andarilho.
 Algo de estranho, e mais do que pudera eu resistir. Era ela, uma mão adormecida, a selar um arco cuja mira, pois, de pronto, admirava o peito de um de meus companheiros mais saudosos. Eu era um temível e enojante crápula fiel à minha espécie, de sorriso amarelo narcisista, vislumbrando em minha poética pomposa um misto de modernidade, à televisão do bar.
Todos riram entretidos.
Pois o enfeitiçar-se aos encantos de uma rapariga, meu caros, obviamente não acarreta pena a infeliz algum, entretanto, - sua voz era de intenso timbre – o apunhalar de um fiel irmão de espírito... tendo por noção, as consequências de tal feito... Que dirá minha falecida consciência? Por tempos intentei resistir aos caprichos, do Diabo que aflingira meu corpo em labaredas pulsantes de ensejo e atração soberba. Era eu, pois certo, um de seus mais próximos, no qual, sentia-se confiante, aquele pobre, neste instante, em alguma sarjeta sem quaisquer malvadezas a valer-se de sua ingenuidade estupida de incrédulo no mundo.
E agora senhores? Que farei eu, diante o incognoscível mar de exaspero tormentoso? Que farei eu sem a candura amável dela, cujo nominar evocava a fragrância dos jasmins ensolarados duma terna manhã de primavera? Que farei eu, co’ a culpa, senhores?  – indagara ao público de maneira desafiadora. Que homem, carrega o fardo da mágoa de morte da devoção amistosa, como de tal modo fora, a lenda do Rei Arthur... como irei eu, cavalheiros, arrastar um grilhão de inimizade por dentre as décadas de “não-mais-ver”, dum “vir a ser”, de um “o-que-seria?”...

Indubitável, senhores, que de nobreza, meu espirito é encarecido, e eu vislumbrava em minha mente suas silhuetas, que a mim recriavam a cada momento de cuja presença, um fascínio desolador. Corriam-se os dias, as noites, transmutavam-se as luas numa ébria metamorfose. Num deleitar, que em pensamento, jamais seria vivido. Num anseio facínora e assassino! Na morte a me dadivar lascívias flores... Não de enterro. E eis que por clemência dos deuses, de Saturno, fui eu, um dos primeiros a quem foram confiadas suas feminis confissões, de que não mais o amava, por caso, de sua ingenuidade pueril. Entristeci-me pura e prontamente, repentino eu contemplava o gramado de um bosque pelo qual cultivávamos um similar encantamento. Mas nada mais seria bel prazer de um ser nefasto, como florescer extasiante do felicitar-se à desgraça alheia, à queda que lhe gera alguma esperança.
E sabeis, plateia, de que digo, ao presentar da imagem de um sórdido semblante recolhido em si! Risonho e perverso, como cascavel em doce orvalho. Passava-se o tempo, semanas fenecidas num palpitar de alheias mágoas que escutava eu pasmado, de ambos lados. Tomada minha posição, converti-me em algo além às alturas vastas desta muralha colossal, deste tal embargo de sutil aspecto incomodo. Era eu, um cigano em minhas maquiavélicas adivinhanças, não por própria vontade, medindo cada frase a despeito à situação, em prol de meu próprio interesse.
Sequer se viam mais. E cada delonga em que ali me situava, pus-me a conversar-lhe de todas as coisas, à qual me via inapto em ver-lhe alguma vil vadia envaidecida, como tampouco, uma mulher pela qual perpetraria algum sacrifício... Abordávamos, deveras, assuntos que passariam longe de quaisquer suspeitas de algum interesse que não a fala, outros, certamente, apenas amantes os teriam, os mais inocentes... os mais lascivos... os mais vorazes...
Palpitante fio de teia em lâmina de virgem navalha. Sois vós capazes de mensurar tamanha delicadeza e perigo extremo neste meu dizer? Assim era minha renuncia ao inevitável, circense em meio uma plateia vaiadora. Tendo por certo, um trágico final terrificante. Eu era uma caravana inteira de mercenários sedentos num deserto escaldante, dias após, incontidos, que em chegada, me descobri deparado, por um navio, que de piratas infestados, ansiavam por firme terra, finalmente...
Estava lá, eu, em seus dados braços, a ela, minha santa, minha meretriz, minha criança docilmente aconselhada, a cruz de meu martírio em uma mentira que ostentava a sangria da punhalada fatal! Final... Sentia ser isso! A escolha de algo digno, e o tentar do cativante, sem pender à humildade humana e insípida de não esperar alguma divina recompensa, não a teria. Ao fracasso! Pois sou, certamente incrédulo... quando sei não haver valia alguma em honrosos atos. A despeito, comecei a amá-la... Sim, ouvistes bem cavalheiros, comecei a amá-la! Intensamente, tal qual teme um crente ao demônio.
Uma pausa, acendera seu cigarro, a manga de sua roupa o atrapalhava para conseguir alcançar os bolsos internos, dera dois tragos e após isso prosseguira no seu discurso.
O veneno do amor facínora corria por cada infame veia às quais protelavam minha existência. Conflitei comigo mesmo, o teor deste mesmo ardor inconsolável, e nada mais podia eu fazer, que render-me, agora feito, à sua magnitude perversa e persuasiva. E quando definitiva e finalmente chegada era a hora de eu declarar-me, meus caros, acontecera o imprevisto, ela, sob audaciosa atenção nos meus gestos e minha fala, como também atenta ao assunto, se antecedera a mim, num momento podendo converter-se, em paraíso ou masmorra infernal... porém, levara-me ela então ao céu,  quando se declarou pra mim. Sim, meus caros! Ela me amava tão quão eu o tinha por ela. Éramos um, e meu tão rejeitado amigo, sem desconfiança qualquer sobre o que acontecia, nada mais tinha com isso, ele agora havia convertido-se em memória, uma triste e terna memória que pelo tempo esquecida, descansava em bons risos de nostalgia. Para ela, ao menos.
Sabeis quão asquerosamente cruel pode ser a moral de um homem?! Até o ponto de fazê-lo culpar-se daquilo que por justiça ele fez por merecer. Ela me disse, quais motivos levaram-na ao total desamor e desprezo por aquela figura de tão ingênua, insuportável. Nada tinha a despeito do que eu julgava ser de minha autoria. Em simples palavras... Não fui eu. 
O povo que o assistia se admirou com o desfecho do discurso, Cleptoth , “O mago” prosseguia a dinâmica cada vez mais cansado, e sem animo, algo o perturbava em sua narrativa...
E diante dele, que faria eu após tão sensual calorosa noite com sua ainda amada, não podia esta sequer encara-lo aos olhos, quem diria então, devolver-lhe a aliança de noivado com um discurso a ser dito convincentemente, cabia a mim, contar-lhe, enfrenta-lo por nosso recém iluminado amor nascido às sombras de minha ilusória culpa.
Era uma noite, uma vez tão desgraçada ao qual se dedicava ele ao ópio, às escondidas, como gatuno arruaceiro, estávamos sós, perante à situação, a punhalada, o sacrificar de uma amizade em prol do que sentíamos. Ainda não estava ele alucinado, e propício seria dizê-lo antes que o fizesse, talvez o faria repensar até mesmo, se deveria acender seu cachimbo.

- Tu, sabes meus amigo, que te tenho como irmão, mas sabes também, que irmãos erram...
- Que motivo te faz falar isso?
- Tendes ciência, de que não sou mais um mero amigo de tua noiva, como antes de conhece-la, quando tu me a apresentaste, e sabes, que como ser humano, tem ela uma mente incrível, encantadora, na qual estive perplexamente ligado, essas ultimas três semanas, tomando conhecimento de tudo que havia acontecido com ambos, tu e ela.
- Sim, eu creio que sei sim, mas por que me dizes isto?
- Ela, meu caro, sentiu-se desanimada com tua virtude, a incomoda, foi o que me disse ela, que apenas não mais o deseja como o desejava antes, digo isso, por ser teu amigo, não quero tomar-te o tempo com estes tipos de assunto, serei franco e direto, independente de nossa fraternidade... ela não o quer mais, pediu-me pra que lhe entregasse isto!
Cleptoth lhe entregara o anel de noivado...
- Como pôde ela me apunhalar de tal maneira?! Depois de tudo, de tal forma, e sem porquê... tão repentina...?!
- Há mais algo que preciso dizer-lhe...
- Pois diga...
- Sei que o que te direi, será o fim, mas jamais poderia omitir lhe isto por muito tempo, e estou decidido a fazer por merecer aquilo que sonhei...
- Diga logo...!
- Eu a amo! Amo como jamais desejaria não amar uma mulher, e a tenho, nos entregamos um ao outro, como mais que apenas amigos, em demasia, muito mais que irmãos... a desejava, por algum tempo, como mulher, e ela me desejou de igual, eu mesmo, não imaginava que seria isto possível...

Sinto haver uma lacuna, daquele dia, ao seguir dos demais, não sinto ter um coração, não senti-me digno de tê-la, no entretanto, não mais a tive de qualquer modo, aquele ser, permeado de candura e delicias d’ alma, jamais sequer existira, apenas era um anseio flutuante ao qual se fez dócil no momento que lhe conveio, eu nada mais era, que alguém iludido à sua lascívia vulgar e vaidosa, pois descobri, com o decorrer do tempo e a convivência breve que se corrompia e transmutava-se num quadro de tortura, que possuía a mesma virtude à qual ela tão prontamente odiava... As mesmas virtudes, do meu maior inimigo.
A plateia o aplaudira de pé, e simplesmente extasiado pela tão detalhada e sutil narrativa, acendera mais um cigarro e tomara ao balcão um copo de uísque, lembrando de tudo que dissera em alto e bom tom, como se gritasse o insuportável.




Vossa Culpa



é vossa culpa, o que vêem aqui jogado,
num canto, doentio e deprimido, o que dirá,
cinza de algo esplêndido, deteriorado,
carbonizado espírito pelo fogo da própria ira,

vós, que dizeis agora, - levanta-te filho!
não tens este direito, pois se me humilho,
diante o destino, sua crueza me foi herdada,
ao trazerem-me a este lugar, sem nada...

... de gente suja, e demasiado ignorante,
de abutres carniceiros, supérfluos e limitados,
me trouxestes a um ninho de cobras gigante,

ao purgatório sem morrer, pois me encontrei,
no aguardar entre esmos sem guardados,
em memória; quaisquer mulheres que amei.

Assassinos da Noite (Frio que Gela)




















assassinos da noite,
fria e assombrada,
pelo vento que gela,
minha triste jornada,
solitário nas ruas
o pesadelo revela,
tantas surras cruas,
que me foram dadas;

frio da madrugada,
pés descalçados,
chão de rodoviária,
meu leito, morada,
miserável futuro,
tormento insuportável,
rezo sem fé, eu juro,
só quero sobreviver,
somente hoje mais,
na esperança de ver,
meus sonhos enterrados
sorrirem pra mim...

carícia da fome,
amargar de agrura,
dois dias não come,
dolorosa aguda
sensação de desmaio,
desespero e terror,
do inferno um ensaio,
implorado clamor
ao que seja, no além,
que veja minha dor,
algum caridoso alguém,
e eu não termine morto,
torto, queimado,
à noite, refém,
da sorte e do azar,
que possa meu corpo
sem medo esquentar...

só mais esta noite,
como se fosse a última...





sábado, 22 de junho de 2013

Cronica de Cemitério



de corpos um altar, mórbida a causa,
e lembro não saber como explicar,
dizer quão selvagem fui àquela tarde,
ao chegar, de um cenário de guerra,
eram quatro deles, eu os havia matado,
expressões ver de decepção depois,
assassino me tornei, com uma faca apenas,
e eles estavam com metralhadoras,
mortuários de amor à pátria, ao céu,
eu só pensava em ti, em tê-la comigo...

fugi pelas ruas, cemitérios desonrados,
controlavam as esquinas, camburões,
caminhões de soldados, era eu um fugitivo,
matei meu melhor amigo, num golpe só...
não escolhera ele ser soldado, sofrer,
escravo eu, tampouco me permitiria,
bombardeios destroçam vilas todo tempo,
seriamos nós, o próximo alvo a queimar,
tu me perguntavas, do alto de minha casa,
porque eu havia demorado tanto...

e suas armas só disparavam sangue,
lembro de sua garganta, sufocando,
lutando a defender a mim e a si,
os prenderiam se eu fugisse, e torturariam,
outro era seu parente, tentava atirar,
caíram-se todos, o cabo da faca quebrou,
quando acertava a cabeça do ultimo,
aguardavam pelo pelotão que foi atacado,
explodiram sem ao menos chance ter de lutar...
tudo que conhecíamos, não existe mais.





Pesadelo Somente...




























desperto em meio à noite, o luar fulge à janela,
sombras percebo, sem algo que lhes faça,
obscuros vultos ligeiros, os vejo saltar,
por entre embaçados vidros trespassam,
no já palpitante temor, escuto nele baterem,
árvores movidas à ventania, sinto o desastre!

arrepios gelam a espinha, coração acelerado,
frias mãos, mal as consigo de fato mover,
que querem estes sujeitos, a se despir do negro
aspecto, em espectro, fechando um cerco sob mim,
quão abomináveis eram suas faces deformadas,
a exibir afiadas presas e olhos de réptil profundos...

vislumbrava o carpete, aranhas caminhavam,
dificultosas em superfície incerta, gritavam,
e rubros gafanhotos me perseguiam famintos,
resmungavam por sangue, por detrás da porta,
e trancado sozinho, eu via à sala, o pior,
lacraias dançavam asquerosas no tapete, e alertas;

as pisava num misto desespero e ódio sem fim,
berro a esmos por saídas, das quais trancafiado,
me exprimo no desolar mortal do perigo eminente,
perseguem-me lentamente atravessando paredes,
marcham aquelas figuras, numa apatia intrigante,
disformes atravessavam-me num empestear sufocante.

repentino choque de realidade, percebo-me deitado,
fatídica e realmente à lucidez de um despertar,
calmaria me invade no desinfectar dum pesadelo,
solitário vazio de alívio me rege, verifico à volta,
uma leve dor de cabeça apenas, sussurra latente,
vereda miro, e diante, vislumbro algo estranho...





Guilhotinai
























guilhotinemos parasitas do poder,
em praça pública, que queimem até morrer,
falsos líderes, descarados senhores feudais
corja desejosa em apenas explorar,
sombra fazem, de séculos de explorações,
desonram os mortos de antigas revoluções.

retrato cinzento de leitos de hospitais,
violento é o confronto com marginais,
todo maldito dia é uma rotina de degradação,
revolta será ainda plena, ecos da reação,
destronem esses vermes com sede de poder,
sobre o cadáver fétido de falsa democracia...

consome um ódio, ódio pelo estado,
ninguém deve nascer sendo escravizado,
compete à minha ira vomitar minha verdade,
perante um sistema que alega liberdade,
permitindo que usufruam como bem entender,
de tudo que se paga, com intuito de se bem viver...

restos precários, como caridade destinados,
pra quem pagando está, do próprio suor,
sem dó, controlando a desgraça só por reeleição,
opostos lados não fogem à sina da corrupção,
alienam com a mídia, igrejas, promessas,
ditadura do voto impõem dissimulados;

direita ou esquerda... humanos de merda!
se aproveitam das massas, vivem da perda
do fato funesto de faltar do povo a razão,
se esqueceram dos pobres quais já foram um dia,
não cogitaram que as infames farsas cairão,
e virá a revolta contra tamanha covardia.

educação
precária,
investida
não nos foi,
revolução,
sem rumo,
é o que dizem,
mas lhe dói
na consciência
o medo de perder,
não há resistência
que impeça de ter
o povo o que é seu,
e por direito
enxotar,
cada eleito
e reformar
tudo que é feito
a se visar
regalia
a vagabundo,
imundo
e sem valia
a se firmar...

guerra às ruas, eles estão a nos destruir
conflito proclamado foi com o ato de roubar,
virulência congressista, nação a definhar,
e sob montanhas de dinheiro querem inibir;
cada passo, e mais a tanto absurdo consagrar,
como absoluta lei, nossos valores extirpar...

infectadas mentes, as querem passivas,
às vestes de pacifismo, e moral apodrecida,
de todas as direções, é o que sempre fizeram,
implantando o medo, ideias subversivas,
dum interesse meramente egoico, proliferam,
o veneno da conformidade, a cada investida...

atacar destemido! até a ultima consequência,
é o que nos resta, nobre nação de miseráveis,
se não lutarmos quem assim fará por nós?
parasitários asquerosos alojados por anos?!
séculos de silenciosos extermínios cruéis,
seus temores mais profundos são evidencia.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Anjo do Mal























sombrias noturnas veredas que espreitam a face,
daquele que vigia, com bom olhar de guardião,
mercenário das sombras, convence no enlace,
pescoço teu confias, no alento de sua aparição,
estendida mão, posição de suposto poder,
lhe favorece a sabedoria, e teu mal resolver,
prometida vista, o deslumbre a irradiar
teus passos, em diante, dos dilemas libertar;

iluminado guia que por divino decreto,
neste ardido solo mundano deu as graças,
mente lidera, conducente ao secreto,
às águas da perdição, escuro das traças,
poeira que sufoca, no esquecimento,
depara-te a outros, como tu, envolvido,
ilusória dádiva de tão simplório enriquecimento,
que por final, percebes jamais ter acontecido;

chacal risonho, não se soube de onde vem,
e tal como, se o permites, vem mais cem,
de ocultos víeis provém, então, martirizado,
massivo propaga a dor dum usurpado,
torturador guerrilheiro em disfarce, pelo mal,
poder atinge, e infringe, valor ditatorial,
espiritual pobreza em servis lombos recaem,
a chibata estraga em marcadas feridas, que esvaem;

a fé em salvação,
ao consagrar,
um servil ladrão,
que nos salvar
prometeu,
e que a apunhalar
promoveu
somente a si,
impiedosamente,
comovente
faz como não saber,
como indecente
o assim pudera ser...

destinos
ao nada equiparados,
clandestinos,
sem rumo
à abstinência d' espirito,
num restrito
vil sumo
de falsa caridade,
claridade
vos cega
então, ele assim protela
tal vileza,
certeza
de não ser o final
da tortura
agrura
haverá sempre mais um...
pra tentar iludir,
enquanto não se livrar
do instinto de crer
que irão eles nos vir salvar
e, pois, impedir
de por nós apenas, crescer,
evoluir,
viver
sem desistir,
obter
sem depender
de alguém
algum
valer...

figura que perturba, distorce, intimida,
recatos impõe, em livre alma tímida,
sobrepõe vontades, arrastando moribundos,
aos confins de possível inferno interminável
cármica aura, delas sem vêm circundos,
guiando rastejantes filas num retrato miserável,
furtivas quando questionado porquê de tanto feito,
por final responde; apenas por causa e efeito.






Pânico em Mente
























pânico!
colabora a mente, elabora desgraças,
assombração, esquecida às traças,
pânico!
algoz à percepção introjetado,
demônio hiper sensitivo encarado,
pane!
absoluta inércia frente falso perigo,
constante luta perante comigo...
pane!
pane de auto controle, mordaz euforia;
grito de socorro, constante me desafia!

soluçando, em desespero anormal,
tudo afeta, pretende me matar,
externo, ou dentro de mim, mortal,
suposições, raciocínio lógico destrutivo...
perigo eminente, prognóstico intuitivo,
esperava meu fim à velhice, veio-se a antecipar.

química invasora, à espada, o enxadrista,
cavalaria território toma, em visita,
devasta, desmede, derrota, despista,
enfrentá-la em diante, sempre hesita,
trauma, exaspero, sempre que chegado,
sentir contorcer frágil coração...

geladas mãos, se encharcam de suor,
toma o corpo o medo, imobiliza sem piedade,
adormece, uma sarna alastrada,
torturante sensação provinda de pesadelos,
tremem pernas, rigidez sem reação,
sob um moribundo sapateiam ideias controversas;

se cansa,
descansa,
matança
de dizer,
momento
logo após,
se lança
ao silencio;
tudo passou!
e de novo
ele desabou
em cobrança
de algo,
sentimento
qualquer, pois,
um talvez,
sem rima;
fôlego;
vontade...
provável
quiçá uma
coisa trivial,
conformada,
sem valor,
desanimo
foi que restou...



domingo, 16 de junho de 2013

Revolvendo Ao Reino
























não desta vez,
não desta vez que vou cair,
pronto a suportar,
qualquer coisa a me afligir,
não, não é desta vez,
não é desta vez que eu vou cair.

veloz, o vento em meu rosto,
estradas de insânias,
pedágios de injurias,
petardos do destino,
tropeços irracionais,
quanto não magoei
me arrependi,
quão me desgastei
nada demais venci,
creio aprendido ter,
ou por erros meus pagar,
de modo qualquer não vai ser
desta vez que vou cair,
rasteira o medo não vai me dar.

apreensivo, paranoico,
entorpecido em suposições,
misticismos, superstições,
atormentam mágoas,
passadas águas,
viver visando estoico,
temo por não vencer,
receio desmoronar,
devo prevalecer
mesmo se eu tombar,
preciso me apetecer
em querer retornar,
ao reino mágico dos corvos,
onde lisonje fui,
sem mais estorvos
tão como antes, se intui,
recomeçar, reviver,
renascer, frutificar,
fortificar sem apodrecer,
se enobrecer sem se abrandar...

e se faz a batalha, gralha matei,
corvo sou eu, honroso rei,
somos todos monarcas das sombras,
de ternas noites quais vislumbras,
a placidez do silencio que afaga,
o luar que às águas se propaga,
uma tristeza à alma, que natural,
mente apraz, uma tristeza infantil,
e em ternura tão verossímil,
é o elixir raro ao qual,
buscaram tantos pelas eras,
a magia, a pureza, de santos e feras.


Meu Monstro





























tão friamente, sempre descreditei,
mas algo agora...
...sinto nas sombras, por mim olhar,
me queixando de sua presença,
não há onde eu não o possa enxergar,
era o monstro do qual lhe falei,
e depois foi embora...
destemi o escuro... hoje, o vi voltar,
porém, não existe criança,
que um dia fui, não há como escapar,
no dia, em seu durante, mirei,
sua face que afora...
... não se faz mais por espreitar,
se faz figura, tão intensa,
dentro de mim, por me enganar...

... por iludir, por intrigar, por me fazer,
me permitir, me entregar neste sofrer;
e adentrar meu âmbito, cheio de pavor,
calado, é uma gruta qual lacrimeja ao torpor...
gotas angustiosas pingam, e minam,
seu solo, sua terra, e intenso viver abominam,
os sentimentos meus, que nela florescem,
é minha mente tal lugar... e nele, se esquecem...

sozinho me encontro, tento despistar,
quem me habita e me tenta evitar,
em busca de rever, aquele que eu perdi,
de reencontrar, tudo que já vivi,
e então poder, por fim lembrar,
que pesadelos, não podem nos matar,
incapazes de mais que medo infringir,
não vou me perder, em como surgir,
seu puro aspecto de impactante horror,
é apenas de um monstro, seu furor...
é somente algo, parte de mim,
que por tragédia, tornou-se assim...
é apenas uma criatura, quer se libertar,
um mal sonho, desejando despertar...

abominável, oh monstro meu, que nasceu,
carrasco e vítima, sem saber fui eu,
e agora crescido, consciente o preço pago,
tu te escondes na escuridão que trago,
de pouco em tanto, sanidade esmoreceu,
como caem as muralhas do afago,
e nesse breu, me encargo do evidente
destino, que adivinhanças faz por me trazer,
mesmo muitas vezes, não seja este eloquente,
estranho é ser crente, de algum mal a acontecer...

é tão difícil enfrentar, me convencer,
forças tirar, me imaginar vencer,
fardo sinto, da batalha, toda noite a pesar,
às costas minhas, e o por-vir imaginar,
solitário, ninguém mais a me entender,
obriga-me em mesquinhos desafios,
e cada vez eu, essa criatura mais a temer,
cérebro conduz por embaraçados desvios;
imponente num instante, pra de frente encarar,
se rompe o chão, ressoa o medo de morrer;

pai do horror,
de meu inferno,
oh, meu monstro,
num clamor,
mental, enfermo,
demonstro
turvo interno
tal torpor,
um frio de inverno
a descolorir,
qualquer vasta
paisagem
já basta,
não lhe devo ouvir,
alimentar
teu fogo ilusório,
miragem,
mal irrisório,
à realidade
comparado,
a verdade
do atestado,
final do desespero,
mais um destempero,
de ti em mim alojado!

tento não cair, puxando o chão,
não há queda, somente ilusão,
impossível fugir, hercúleo lutar,
não sou semi-deus, temo desabar,
devo prosseguir, é necessário esperar,
no mundo da pressa, doloroso é viver!
não espera, impera, me arrasta,
se impõe, contrapõe, se alastra,
incontrolável ideia, pessimismo anormal,
cada passo é eminencia de um fim letal.


Apenas pelo fato de eu estar ouvindo esse disco, o Fear of the Dark do Iron Maiden, eu resolvi colocar essa imagem na postagem, acho que tem bastante a ver com o tema do poema. 

Ansiedade






















carnais dores me envolvem raivosas,
tormento da mente, duvidar do real,
costas presas, tremente peito infernal,
dói a cabeça, surra sinto ser surreal,
temo por minha mente, sem controle,
desmaiar, morrer, sem respostas, meu mal
inebriado, coração latente, num torpor
iminente bomba relógio de inevitável confusão...

entorpecido em margens do assobio
da morte, e seus manhosos destemperos,
imediata surpresa, algo com que me arrepio,
cada vez que recaem sob mim tais exasperos,
estranhos sintomas, inaturais esmeros,
sensações cotidianas, agora reparadas,
aberrações colossais, tragédias antecipadas,
pensamento viciado na desgraça que impera;

eu temo morrer, medo de ser sequestrado,
por humanos, ou do além, tornar-me anulado,
do meu lugar, sumir, desvanecer, definhar,
de me atacar alguém na rua vir, desmaiar,
cerebral controle perder, cabeça estourar,
desrealidade, despessoalização,
enfraquecer-se num momento de atenção...
anda algo fora do normal, transformação!

mariposa doentia,
tormenta desleal,
o que há, que irradia,
me tira do normal...
pensamentos,
paranoias,
além do natural,
cobaias
de inventos,
intentos
do irracional,
descabidos,
desfreados,
não entendidos,
vil irreal,
imaginados
por outros ouvidos,
considerados
sem fundo leal,
pensados
simplesmente,
convincentemente
veio ao plano material!

exaustão, pedido de normalidade,
aos céus, que haja piedade,
mal do século, tarde é, demais evitar,
revoltado, tristeza angustiante a abraçar,
ardem vistas sem choro, e mais algo se revela,
pensamentos suicidas habitam a janela,
sugerem facas, na cozinha, a barbária,
o transtornar-se, em tão grande avaria...

em cada momento algo estranho a gritar!
em minhas veias, cada momento a surgir!
ânsia insone, dopamina em falta a afiar,
o fio da navalha em que me vejo a urgir!

urgência, imediato sentir, nunca realizado,
algo falta, todo tempo, sem por quê,
anestesia mundana, nunca quieto, saciado,
compulsivos movimentos, quem vê,
desconhece como é ser sob controle descontrolado...
contemplando consciente consequência consumada,
corrosiva condicente com cada coisa consumida,
físico é o vício, de coisas quaisquer, endividado...

vida
reduzida
em se preocupar,
se hoje vai viver,
poder poupar,
o existir
sem preceder
momento tal
de mundo deixar,
casulo do mal
danoso a tornar,
incapaz de viver,
reagir,
vencer,
buscar,
o que perdido foi,
retornar,
àquilo que não dói,
poder encontrar,
o algo que não corrói
ao se vivenciar...

atrever,
estremecer
enfrentar,
reverter,
esquecer
cansado
retornar
o estado
anterior,
paz
interior,
faz
sucessor
do impossível
que se fadar
fizera,
e infartar
pondera,
impermissível
e agora
absurdo,
não ser surdo
de si mesmo
ao esmo
qual vigora,
livrar-se à fera
até risível
que te agoura...

taquicardia, um dolorido em depressão,
inchada amídala, não consegue respirar,
a ode solitária ao cárcere sombrio de ilusão,
e por tão pouco, poeticamente posto a chorar,
frágil força, como mato do asfalto,
duma árida estrada sem fim, e do alto,
vê a montanha, a nuvem de chuva que espera,
por tanto, e lá, não irá ela se findar...

desejo de converter-se em imortal,
tão mortal terrano ensejo por medo motivado,
alguma coisa falta, quebrar de encanto,
um motivar que seja espanto,
de tão negra fase de alvo tornado,
novamente um prezar pelo que tanto,
que se quer, que nos demais é natural,
voltar ao ser humano, um algo mais neandertal.


Primeiro poema que realmente fiz depois de um tempo afastado de tudo que eu mais gostava de fazer... lembrando que não se trata de ansiedade comum, e sim o transtorno de ansiedade generalizada, que aparentemente não é terrivel, mas sim, é. Tela de Bruegel.