sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eterna Noite




























cheiro de grama,
verde acolher sobre terna penumbra,
do outro lado,
nos abençoam os holofotes,
no rio, à beira...
tão pura, ela cheira
a maresia, eis que o legado,
de sussurros, num apaziguar,
num adormecer, transmutar de realidades.

curvas tuas, sentindo, o meu tocar,
plainar, em suspiros de ventos de noite,
não há fim, não há dia, eternidade,
um segundo que parou,
um minuto que nos amou,
um existir apenas nele, sem findar...

enrubescido infante rosto, lunar,
em calmas águas, se mostrando,
sem de fato à lua estar, o que há?
o que há em meu dizer, no meu temor,
de que irreal seja minha elegia,
minha alegria,
ainda aprendiz do que me ponho a sentir.

e diziam, outrora, ser sábio, à perfeição,
não, é simplesmente viver-se em mistério,
é viver temendo a si, como apostador,
e rir da queda, de um falso degrau no nada,
e ainda ali estar, lhe contemplando,
esperando, apenas o melhor, em tua ternura.













Uma Dama Satânica

































breu dum fitar de redondeza,
casario de imensa grandeza,
lúgubre mistério, da noite,
amaldiçoado à viúva maligna;

burlam morcegos, o silêncio, com o grito
agudo, há uma estranha presença no lugar,
ouriçados negros gatos, se põem a agourar,
o mito que habita portões restritos.

trespassada involucral grotesca morada,
de dantesca estética, quero uma namorada,
deixado às portas, nestes umbrais bati,
receios, paúras, então ressenti...

negros portais, num desconhecer, a me fitar,
reconheço terrorosos boatos difundidos,
crédulo, dentre grades, via o povo me olhar,
numa luxuriosa figura, deslumbrante gralha a me atender.

e como em feitiço, ou santa derrocada,
à sordidez de tantos, desmistificada,
fez-me cair sob seu místico encanto sinistro,
duma tão obscura e bela mulher.

pureza verídica, sombria,
um escravo mais, em sua conduta de adultério,
veneno à pureza, que indica,
apenas alheios veres, de hipocrisia.

provinda de oculta lenda,
deparado pelo sacro desprezado,
era aquele, soturno rosto que segue a senda,
do mal, em mim, por vontade impregnado,

quantos cometidos pecados,
dama que beija com ódio,
credos desprovidos de irremediações,
de ansiados desfrutes, sem saudações,

horrendo ambiente, em que eu, aprisionado,
em seco suspiro, a me dizer, quão há me esperado,
quer ela, espiritual presença,
e a tornar-me seu, quer ela, serei, mesmo que eu vença.

somos odiados corvos, pelos bons,
de pretos céus, gorjeio, tenebrosos sons,
num ressoar, de risos loucos a satirizar,
quão nefasta imagem, é aquela a me invadir,

blasfema, que evoca demônios meus, de candura,
adormecidos em minha fé, internos domínios,
ata-me, à utópica maldição, que vislumbro,
em cada bela curva de heresia a se consumar.





Um poema das antigas, que estava num cadernos de rascunhos praticamente pronto, necessitando de uma edição e umas correções, faziam 3 anos desse, e definitivamente n sei como pude deixar esse passar despercebido naquela época, sendo tão bom se comparado com o que eu fazia ligado ao lado negro da força :p



Céu Chumbo
































derradeiro nuncio,
que anuviado se aproxima,
céu, desaba inconstante, imprevisível,
tépidos ventos, tocam-me à face...

tão límpida, que observa o bombardeio,
provindo de acima, longínquo,
conflitos, se estenderam no aguaceiro,
impactando trovejantes explosões,

colossais relâmpagos,
povos... e animais,
renderam-se à intempérie orquestrada,
de novos deuses, por homens tronados,
em abrupta contenda, de uma natureza contrastada.

em tanto desastre, o caos se fez,
migraram muitos, a outros reinos,
sob o mar, fugitivos para o sul,
caçados... "aves!", proferiram tantos...

descendentes dum velho mundo abandonado,
rota se fez, desta mais, mais um destino,
e logravam famélicas chamas que alcançavam,
no inicio da tempestade,
pelo final que ansiavam.




Oração dos Corvos
































Oh, figura que ressurge,
das trevas infindáveis,
refulges num breu de agruras,
tu, oh, corvo trevoso!
que eis meu êxodo ao pecado,
livrai-me deste fardo, ardilosa santidade,
faz-me emergir, sob os mares de blasfêmias...
oh, tu, que crocitas à minha vil amarga existência...
rogai pelos que no espírito, o ódio habita.
vós, que de ti mesmo fizeste
uma diversa névoa envolta em perdição,
salva-me aos crápulas, em tão iníqua perfeição,
- num viciar-se de extrema venúsia -
oh, nos guie, onde tão nominam o inferno.
faça-nos sombras diabólicas,
tais supostas, que renegaram este mundo,
sob o mirar de profetas imundos,
cingidos em tantas morais libidinosas...
oh, tu, que esvoaça à injuria soprada,
conduza meu espírito ao sacrilégio,
- a fuga fulgurosa da putridão dos homens-
e nos tornai ao ninho do anoitecer,
de minha penumbra, onde eu possa ver,
a noite que me assola fria,
uma verdade, que a mim sacia.























Blasfêmia pura, mais uma boa coisa tirada dos rascunhos guardados...


Imbecilidade





























anda
a demanda
da imagem...
soberba, hipocrisia,
a palavra tola, que enegrecia
minha face, armas, proferia...

eu... ao vislumbrar da obviedade,
tão fluente à boca dum parvo,
incapaz de julgar-se, se encontrar...
como um vaso vazio
que esvai-se de si próprio...
teme a sombra, descobrir-se,
além do pano, a desvelar,
solidão, do que tens medo?

não se suporta, não se aguenta,
contudo, de conteúdo desprovido,
então nega, nisso alenta
a si, no que lhe fora, pois, dito.

mediocridade patética,
fraqueza, ou força?
que será, pra que serve isso?
complacência alheia, sem sentido,
tanto importa,
conforta
consolar-se em frágeis alicerces,
que tão quão ele... muito se fala e nada diz,
senão, para envoltos de aplausos, à santa imbecilidade.




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Descer De Escadas Do Inferno


































pausadamente... eu estou caminhando...
num forte pisar sobre as pedrarias,
é escuro, desconfortável, misterioso...
inebria o breu, de suspiro viçoso,
alertaram sentidos meus, analisando
todo tempo, o que me envolve, solitário...

tumbam hórridas sinfonias tritonais,
descortinado desconhecido, desvendado,
desolando, num mergulhar pela força,
à legítima vontade, enlouquecido, imortais,
sombras de meu zelo, medo, agora agoniza,
entorpeço-me em macabra loucura, em teu lado;

trespassa o meu peito, tuas frias mãos,
tome minha mente, meu ar, dê-me,
dê-me o elixir negro de tua maldição,
permita-me isentar-me de meu coração,
frio gelar de rancor, a raiva de um animal,
punho cerrado, o converter de minha besta vampírica.

entardecer de possessão, depressão,
ingênuo despontar, às escadarias do inferno,
imaculado surtir, da insanidade,
enfermo, na alma, estou, em queda a esperar,
tão agraciador pesadelo, me engolir,
e então, vem o despertar, o despertar pra repetir.




Ainda não perdi aquela essência do que eu fazia dois anos atrás, no máximo diria que consegui evoluir em alguns aspectos, aprendi a deixar a coisa mais visual e ríspida. A arte é de Alain Mathiot, no começo do post. Espero que tenham gostado dessa que escrevi ai em cima, foi ao som de Black Sabbath - Eternal Idol, daí o verso "tumbam hórridas sinfonias tritonais..." ... o poema em si, trata de possessão, de  influência espectral, do desejo pelo inferno e o fascínio pelo mal incondicional. fazia tempo que não escrevia tão profundamente sobre isso, dessa maneira, nada mal pra quem se cria enferrujado pra escrever coisas verazmente diabólicas. kkk



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Estradas de Planetas II





























labaredas de propulsão, explosão de foguetes,
adrenalina dentre vidros, e fibra ótica,
veloz incalculável, inalcançável, irreversível,
despontar depois de feito, apenas aguarda o final,
exato, equívocos dispensando,
o suar frio, de mãos presas em traje espacial,
com negro fechar de olhos, é quase igual,
- e eis-me aqui, a temer o inesperado
temendo, como se imperasse alguma lei gravitacional.

decolar, de algum lugar,
imenso porte, forte
intento ser,
missão cumprir
de livre conhecer,
sentidos tidos
ditos imperscrutáveis,
incomensurável
lazer afável,
preciso fugir,
ter pra onde ir,
humano em tempos de extinção,
procuro resistir, confuso, em gelada escuridão.

preciso partir, decidir sobreviver,
solitário, desvincular-me do que for,
remanescente, conterrâneo
nenhum a ver,
espontâneo
é o amargo embargo de não se importar,
intentar
povo ou nação alguma recompor...
acreditar
em salvação, senão por dito torpor...

misantrópico, estoico em concepção,
solitário astronauta, desbravador,
o perigo se oculta, em cada constelação,
voraz mordaz rubro gás, de estrela, da luz
velocidade; sigo, intentos de esquecer minha dor.

instância sem paraíso, desprovido da esperança de encontrar,
meu cessar, de fogo, explosiva em lamúrias de combustão,
eis-me a perda, sem rumo, perambulando, inquietante solidão,
consumindo em consumar, de horóscopos a pisar,
a queimar, quebrar, o destino, sem dó, e dolo, a surgir,
de fúria o romper que na raiva dum gritar...
em covarde loucura, abstrai-me longínquo, em meu delir
sob galáxias distantes, errantes planetas,
suas estradas sigo, num clarão, de cometa,
e por mais que cometa, eu, proposital causa de meu falecer,
fenecer não irão, tais notas, sem dissipar, aqui, neste esmo de escuridão.

perdura a loucura, virose restante,
dizer calmo, tardo sombrio,
ouvir-me de mim, subjugando a espécie
da qual provenho, no empenho
do engenho de escapar,
um brado raivoso, descomunal de foguetes,
postergando o espasmo do som, da luz,
num debulhar-se, à velocidade inconsequente...





domingo, 6 de janeiro de 2013

Fúria da Faca, A Febre de Fera






























agressão, à meia noite, em escura rua,
mais um caso, marginal, dura e crua
realidade, um ponta-pé,
ninguém não há, apelo à fé,
empala, a faca, indolor a procriar
mais filhas mortes, a vagar,
vagarosas,
num asfalto ensanguentado,
o silêncio,
desperceber dum assassino
fomentado,
mascarado dentre outras tantas assombrações,
eis a fúria do ódio,
ópio
humano, do vicio de matar,
uma sombra espreita,
um mensageiro do azar,
sem rezar,
sem crer, sentir;
algo mais, que sua sede alimentar,
sem dever a se cumprir,
misterioso terror que encarnado
marcha sobre relvas de breu urbano,
profano
caminhar,
um soldado do terror,
a sorrir quem por ventura lhe contemplar,
de sacada qualquer, de prédio algum,
espectador,
dum pesadelo sem acordar...

desmascarado, portador de tal semblante
desfigurado, tratado demônio errante,
febre de besta, fúria de fera,
furor de paixão na faca que impera,
sem lei
horrorizante
limites
destemendo,
impulso
predominante,
pulso
firme, incessante
impiedoso
inesperado
silencioso
aproximado,
imprevisível,
afamado
sem se inibir...

debulhar de portais do inferno,
o cair grotesco por dentre escuridão,
dantesco mirar do atentado,
adrenalina desprovida dum campo de visão,
negro infinito, mandado atirado
em livre queda, distorcer do interno
preso...
lacerado...
peso a outrem outorgado, motivo sem...

breve ressurgir de almas revoltas,
feições àquelas, que gradativa se conflagram,
psíquico arder, auto destrutivo, irracional,
jovem decrepitude, terrificante, visível espiritual,
fatídico despontar, de mundos em voltas,
as faces do abismo, furiosas que o esmagam,
cada dia, sem notar,
delinquente inconsequente
criatura que aprendeu recentemente, a matar...