sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Oração dos Corvos
































Oh, figura que ressurge,
das trevas infindáveis,
refulges num breu de agruras,
tu, oh, corvo trevoso!
que eis meu êxodo ao pecado,
livrai-me deste fardo, ardilosa santidade,
faz-me emergir, sob os mares de blasfêmias...
oh, tu, que crocitas à minha vil amarga existência...
rogai pelos que no espírito, o ódio habita.
vós, que de ti mesmo fizeste
uma diversa névoa envolta em perdição,
salva-me aos crápulas, em tão iníqua perfeição,
- num viciar-se de extrema venúsia -
oh, nos guie, onde tão nominam o inferno.
faça-nos sombras diabólicas,
tais supostas, que renegaram este mundo,
sob o mirar de profetas imundos,
cingidos em tantas morais libidinosas...
oh, tu, que esvoaça à injuria soprada,
conduza meu espírito ao sacrilégio,
- a fuga fulgurosa da putridão dos homens-
e nos tornai ao ninho do anoitecer,
de minha penumbra, onde eu possa ver,
a noite que me assola fria,
uma verdade, que a mim sacia.























Blasfêmia pura, mais uma boa coisa tirada dos rascunhos guardados...


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