domingo, 31 de março de 2013

Sagrado Virus






























religião, uma coisa que não deveria existir...
pagos pecados, sangue, medo em vão,
contemple a história, toda vil extorsão,
vida, um proferido sacramento dos profetas,
a ironia, das cruzadas e do terrorismo,
segredos, hierarquias, fuzis em nome de alguma coisa,
oprimidas massas, ajoelhadas em reza infiel,
em algum lugar, alguém agora planeja um atentado...

santos livros, arcaicos preceitos de humilhação,
quantos não mataram, sem saber ler?
quantos não se curvaram, sem poder questionar?

eles dizem perseguir o Mal, 
cada hemisfério, em batalha, sangrenta opressora,
camponeses em nome de alguma ordem pregadora,
que luxuosos templos dispõem, santificados,
plebe conduzem, em mão de obra da matança,
tantos milênios, e não puderam sua raiz cortar,
todo momento, buscam em algo o procurar,
se apoderam de almas, o latifúndio até a eternidade...

operárias mentes dum monastério de ilusão,
é proibido mover-se, sem rastejar pelo chão,
que seria uma divindade sem fiéis?

antigos deuses de sacrifício, culturas corrompidas,
em nome da verdade, destruídas, saqueadas,
fogueiras, torturas, cabeças cortadas,
em nome às divinas leis, devem ser cumpridas...
apedrejadas figuras, em nome de quem são adoradoras,
o destino do inferno e da recompensa, 
julgamento já escrito... por que curvar-se? ouse a sorte!
nascido à aposta da piedade, sem sequer tentar...

massas que pregadores idolatram submissas,
ladrões corruptos, farsantes politizados,
poder político, em prol à dominação permitido,
laicas nações de estigmatizados;
científico avanço reprimido,
convenientes dóceis hordas de alienados...

poder,
mais
poder
ter,
sacros 
sinais,
lucros
carnais,
sacerdotais
arrogantes,
passado 
em sujeira,
mal de antes
besteira
agora
é refutado,
genética,
profética
divina 
solução,
o extirpar 
da doença,
negar
submissão,
doar 
a crença
da cura
sem recompensa,
por meras humanas mãos...
esse é o temor,
iminente inimigo,
sem mais clamor
fácil, antigo...

porém ainda professa
algum provinciano
padre sem querer ganhar,
ou um crente em dividir,
em nada mais que fazer
espírito progredir
num querer altruísta,
por um melhor dia amanhã,
são estes verdadeiros,
verídicos cordeiros,
longe da humilhação,
simples sábios por algo,
que o mundo sempre clamou,
que de muito precisou,
um fazer por natural,
sem se forçar, ou querer,
algo em troca, até dizer,
que o inferno o aguarda
e lá será seu lazer...


Eu compreendo a revolta das pessoas com a religião, eu mesmo como mostra o poema sou um revoltado com isso, detesto a ideia de que se deve atingir a perfeição, que se deve seguir algo ao pé da letra até a ultima consequência como muitos maniacos terroristas fazem, ou pessoas irritantes que sequer sabem respeitar uma outra pessoa por mera diferença ideológica, em prol do que um igreja ou doutrina pregue, isso é um cancro nos dias atuais, uma coisa também com dias contados quanto mais avança a ciência e a tecnologia, e a mente das pessoas se torna mais flexível em maior parte dos termos sociais, há cem anos atrás não tínhamos o mesmo nível de informação e o que fazia a religião, compensava isso com historinhas da carochinha convenientes à submissão, e é isso que incomoda as instituições religiosas hoje em dia, por mais que seja contra muitas coisas que essas religiões também são contra. O poema é uma critica convicta ao extremismo religioso e na ultima estrofe faz uma comparação entre quem realmente toma algum preceito como uma coisa benigna por assim dizer, uma coisa positiva, como existem milhares de pessoas, fora do contexto institucional que fazem coisas boas e a ela foi dedicada a ultima estrofe, até pra amenizar também o tom do resto do poema, e não soar como se eu dissesse que isso ao todo é um cancro, até porque é uma critica ao radicalismo.





Triste pôr do Sol




















sabendo que vou morrer,
no fim do pôr do sol,
lembre-se, terei de partir,
vou para a luz estelar;

prevendo que vou sofrer,
mas, você irá me lembrar,
isso já pudemos prever,
não quero te ver chorar;

meu destino, ter que ir,
e quando eu for chegar,
a noite irá nascer,
na lua cheia verá meu olhar,

sabendo que vou morrer,
no fim do pôr do sol,
não que pra morte eu irei,
mas ao sol meu retornar,

e quando anoitecer,
aqui já não vou mais estar,
amanhã quando eu renascer,
não conseguirei me lembrar,

eu sou um soldado do fogo,
cometendo o proibido,
uma imperial salamandra,
que um humano amor teve vivido,

mesmo que me reconheças,
não sei se vais poder tocar,
minha alma, como este dia tocou,
e em pouco, irá se findar.



Aliens



























sentinela caído, corpo desmembrado,
metálicos membros da carne rompidos,
moribundo gemido, esganiçado,
multidão de consternados indivíduos,
se aglomeram à calçada, do centro urbano,
corpo inerte, aspecto inumano,
grande cabeça, corpo delgado,
metade androide, extraterrestre evidenciado,

estranheza, afastamentos, discussões,
vinham carros, da mídia, televisões,
imagens se transmitiam em públicos telões,
esquisito corpo, que não todo desfigurado,
impossível é o segredo agora pelo estado,
o qual mantém, cada homem confortado,
que era aquilo, cada um se perguntava,
porém, inumano, disso ninguém discordava.

em pouco tempo, suicídios; suas comprovações,
fins dos tempos, o apocalipse chegou,
revoltariam-se os céus, o demônio retornou,
espaciais naves, breve guerra recém perdida,
mais deles num ímpio escravizar das nações,
o questionar-se sobre verdade defendida,
somos quem, ninguém, diante o espaço,
qual importância sendo apenas um grão.

de hoje em diante um olhar ao céu,
durante noite não mais igual,
imagem e semelhança, aspecto à perfeição,
piada pretensiosa, apenas véu,
desarmados olhos, encharcaram afinal,
tombaram fuzis, todos se chocavam,
de toda maneira, é o que somente mostravam,
um mero cadáver, golpe final, a informação;

não mui tarde, centenas de discos voadores,
por onde se via, centenas de mil arredores,
o derrocar da frágil sanidade castrada,
moderno mundo invencível, refutado,
hipocrisia patética da honra de soldado,
eternas verdades, cada uma ao fogo,
não aterrissavam, uma legião parada,
se foram logo após, pelo mundo admirada.






Poeta Corvo





























marginal subversivo,
depravado anarquista,
esporádico hipócrita,
anjo negro fazendo própria justiça,
noturno boêmio,
sonhador realista;
caminho assim, e ainda vivo,
inteiro sujeito, no jeito da escrita...

a cada noite de um espetáculo testemunhante,
lenha do fogo, em brasa de cigarros,
ardente valor de inspiração,
consome a fumaça, se traça em rabiscos,
que seja com sangue, não fosse a caneta convenção,
melhor o primeiro no inferno,
com álcool, uísque, nossa redenção,
que aqueça o inverno,
pelo mundo, infortunada invenção,
decepção,
lixeira com vista às estrelas,
não há como fugir,
apodreçamos então!
mergulhados despertos, em sonhos de podridão,
santas cadelas
nos divirtam num transgredir,
à certeza do que é perfeito ser em vão!

havendo justo agir, entretanto, como irmãos,
projetos somos todos, dum céu de loucura,
ilha de ratos, em qual os piores tem em mãos,
tão verdadeira arte, que de outrora conosco perdura...

me nomine de maneira que quiser,
bastardo crápula, degradação,
engendro diabólico,
revolta sem razão,
sujo, relaxado,
rechaçado,
promessa de declínio da nação,
roqueiro vagabundo,
satanista, assombração,
frio, vazio, anti-cristão,
ditador de vago discurso
imoral, imortal, fora da escravidão,
vamos lá, como é que nos chamam?
recite, refira, regurgite, repita...
mas...
suas filhas me amam!
enclausure, censure, condene, proclame,
conflite, reflita... se esqueça, engane;
mas...
suas filhas me amam!

todos adoram ao que é fora da lei!
idolatram, idealizam, algo que nem sei,
ser algo mais do que sou, e nada vai mudar,
do motim é o momento, quão custe a anarquizar...

e no fundo, somos todos assim...
moral da beleza, a instituição que morreu,
quando num lodo de merda, o mundo conta se deu,
prefiro ainda ser mau... nisso me forjei, de onde ilustre eu vim,
se contrário caso fosse o meu,
não seria algo mais que uma silhueta no asfalto,
seca, que o mais fodido abutre esqueceu,
agora, cínico, contemplar posso, tudo do alto,
no que se converteu,
todo parco, estúpido idealismo,
no qual, a humanidade transgrediu,
sujeiras seremos hoje, amanhã a história,
e no futuro descendentes teus nos agradecerão,
somos em fato, retrato da euforia, rebeldia,
de um planeta à puta que pariu.

agressivo
argumento;
soco na cara,
o melhor invento
pra que mascara,
sujo, nocivo,
lascivo
que contamina,
nos rumina
toda alienação,
controlando,
inebriando,
enfraquecendo
com vil razão,
vermes indignos
de tempo perder,
novos valores
ainda piores,
embaixadores
da degradação,
incompetência
de revolução...
perderam limite,
deixaram a noção,
gostam do que incite,
estupida auto-destruição...

nós somos o que professaram apocalipse,
contra o estúpido caminhar da humanidade,
encarnado progresso rumo à transgressão,
um novo mundo, calcado pagão,
que ainda irá pelo bom senso recobrar,
e parar de agredir, tudo aquilo que natural,
e parar de aplaudir, disfarçado mal,
de consumismo enrustido de salvação,
de torpes líderes, deturpada moral,
caricato e ridículo humano expressar,
cada um saberá quem é sem se desviar,
esquerda e direita se ajoelharão,
e então não restarão vis interesses,
inúteis guerras desaparecerão,
ficará apenas quem por seguir em frente irá lutar.




Outro poema da série, "O mundo é uma merda" e também uma forma de mostrar como minha poesia e de mais alguns autores, que aliás, estão relacionados na lista de blogs parceiros daqui do Poeta das Sombras reage contra o mundo, por mais que nem sempre os tipos de ideias sejam as mesmas, ainda sim formam uma contracultura underground com isso. Esse poema é o mais "Crow" que eu já escrevi isso ai sou eu. 










A perigosa hipnose das massas



























meios de alienação,
desvio de atenção,
apelo comercial,
omitir de informação,
excessivo bombardeio
truque ilusionista,
discernir ditatorial,
armadilha capitalista,
as portas dos fundos não se pode ver...

formador de opinião,
dentro de ideia já planejada,
conveniente alienação,
cultura vulgarizada,
esqueçam suas raízes,
história pode ser descartada,
contemplem meretrizes
enquanto sua carteira é roubada,
renuncie o que te faz pensar,  
disso não é preciso, só a felicidade...

o que é ser feliz? quanto mais escasso
é o júbilo por teu labor,
o que é justo, desconhecendo o valor?
sentir-se vitorioso em pleno fracasso,
respeitado pensar-se, sendo alienado,
fomentado, por lixo, como suíno,
diante gigante parcelada televisão,
enquanto eles, apostam verbas num cassino...
deixam pra plebe, a vingança na eleição...

democracia morreu, jamais sequer existiu,
capitalismo venceu, e o mundo destruiu,
dopamina consumista, ciclo vicioso,
quanto mais tentar se satisfazer,
o fará igualmente em se afundar,
quanto mais enriquecer,
mais longe estará do seu lugar,
mais a mais gradualmente adoecer,
tendo que com o peso da pedra arcar...

epidêmica peste superficial, seja o que querem,
seja o que tens, se não tens, mal visto serás,
ninguém por ti, dará algum sinal,
obesas figuras, retrato de mentes depressivas,
manifestos espectros sem alma
que rastejam no fogo da própria desgraça,
consumidas mentes impulsivas,
decompostas no auge da mordaça,
gritam internamente, num adoecer,
do vício do mal, no qual todos se entretêm.


Isso é tudo que eu penso desses parasitas no governo do Brasil, nesses parasitas da mídia televisiva e das revistas e jornais relacionados assim como a mídia de esquerda e essas ideologias que não passam de libertinagem e lavagem cerebral disfarçada de sociedade alternativa como drogas ou ser a favor das palhaçadas que a minha geração é, dessas pessoas inúteis que se valem de consumismo pra compensar o vazio das próprias vidas, desse nosso mundo moderno que vive às bases de anti depressivos pra se manter são, falo isso pq necessito deles tmb e definitivamente seja onde for hoje em dia se tornou impossível olhar ao seu redor e não enlouquecer . É TUDO UM GRANDE LIXO!!!!!!!!

domingo, 17 de março de 2013

Sinfonia de Espíritos































parta de encontro com inimigos teus,
medo lhe infringiram, é hora de reagir,
difuso, como uma bala de mosquete,
muito esperado, sua verdade atingir,
é o que resta, não há mais que perder,
de maneira alguma é impossível fugir...

em casarões residem incansáveis sombras,
insones figuras discutindo passado,
atormentadas loucas cômicas ranzinzas,
trágico desfecho em fogo cruzado;
lembrado, em tentativas de posses reger,
patrimônio não pode ser mais controlado,

consumidas almas, por um póstumo sofrer,
antiquada mobília, acariciam zelosas,
limpam, e jamais a poeira se vai,
angustiada espera pelo que não vem,
cavaleiros num deserto de infinidade,
por sentido em busca, inalcançável redenção,

doces semblantes, mortos anjos feminis,
de paredes emergem a me observar,
vivente infante d' outro lado, eu, até ingênuo,
no desconhecer do que vaga às sombras,
em mente; tormento, ecoam tristes lamúrias,
tanto esforço, jamais a poeira se vai,

solitário, irrompem sinistros gritos na noite,
de companhia; a sensação, desconfortante,
furtivos vultos vigiam-me detrás a porta,
os percebo, e como crianças se escondem,
em penumbras de corredores, risos sinistros,
num torpor envolvem-me como em sinfonia;

necessário é escapar, se emancipar,
àquela morada, quiçá todo lugar,
levitam punhais, espadins da parede,
há algo ali escondido, que os impede,
de seguir, pra algum plano, além de cá,
de lugar movida sempre vejo uma tal pá...

envolvente
persistente
cheio
vazio
de rancor,
fúnebre
cheiro
de cemitério,
me veio
em ébrio
terror,
se abre
o portal,
espiritual,
me querem
levar,
me inferem
a pensar,
co' uma arma à mão,
por me matar,
discutem entre si,
vivo valho mais,
meu corpo eu vi
não me ser servil,
e eu assombração
relvas noturnais
o via adentrar
tão
vil,
verossímil
menção
de herança,
que eu pudesse levar,
por mera vingança,
de meus ancestrais...

duma inimiga família tataraneto sou,
vizinha, por terras com vós lutaste,
dois séculos antes, deste que se mudou,
à minha frente, uma hora faz que era eu,
desdenho tudo o qual vós ganhaste,
fruto de fracasso, todo mundo morreu;

perdulária é a lama, que os impediu,
de vencerem, viverem, esforço algum vingou,
devolvam-me a mim se ainda ninguém percebeu,
que escondida, a fortuna, já se perdeu,
encontrá-la, onde uma praça em cima se construiu,
num mapa de coordenadas qual o tempo borrou.

e posso sentir, uma névoa se aproximar,
um cavaleiro no asfalto, estranha visão,
meu avô contemplava, de longe em direção,
à minha cabeça com um sabre se aprontar...
oh não, que fará desta maneira progressiva?
em rude galope, numa expressão agressiva;

por meu pescoço foi aquela espada trespassada,
mesmo seu fio, afiado não ter causado nada,
diante de mim, reencontrei-me em minha carne,
quando virei-me então, deparei-me no cerne
da batalha, de mosquetes, e cavalaria,
antepassados meus, e também os que eu seguia.

passou-se um mês, me fui embora,
e a casa, revendido a tinha para um conhecido,
que numa antiga firma me tinha, pois, sido;
um infeliz traíra, a exemplar uma víbora,
não que antes, não tivesse isto aos mortos contado,
mínimos detalhes, que e até de roubo era acusado.





Relógio de Cuco



























fora de mim, em si meu eu,
própria pessoa, eu vejo o breu,
de uma noite, a me acordar,
já estou de pé, pra lhe saudar,
meu relógio, o único que tenho,
já soube disso, um cuco cretino,
aliado dela, pois a lhe omitiu,
sua portinha de madeira, se abriu;

já é madrugada, eu sinto a magia,
ela me esqueceu, vivo a agonia,
instantes se passam, e eu me culpo,
deveria dormindo estar,
já são duas, logo serão três...

me auto explico, uma razão, não me preocupo,
apenas queria poder me livrar,
daquilo que me livra do mundo,
apenas queria, pode-la encontrar;
sem temer, por não ser capaz de chegar,
de morrer, antes de ir a fundo,
cair sem razão no asfalto duma estrada sem mim,
um temer por não chegar ao fim...

já é madrugada, eu sinto a magia,
ela me esqueceu, vivo a agonia,
instantes se passam, e eu me culpo,
deveria dormindo estar,
já são três, logo serão quatro...

eu temo, eu tremo, por superstição,
minuto trinta e três, eu o vi, assim, exato,
mas que ironia, é meu numero de azar,
sinto que é desta vez, o momento da morte chegou,
eu sinto, por não escutarem, minhas ultimas palavras,
eu vou lutar, não prometo que vencer eu vou...

eu sou o pai deixando a criança,
eu sou o filho que o jamais reencontrou,
eu sou a guerra que deserda esperança,
eu sou um deus que o destino teceu,
eu sou uma farsa que espalha a mentira,
eu sou o trigo que a praga esqueceu,
me faço tolo por me acreditar,
como lágrimas de amor por putas,

já é madrugada, eu sinto a magia,
ela me esqueceu, vivo a agonia,
instantes se passam, e eu me culpo,
deveria dormindo estar,
já são quatro, logo serão seis...

e eu queria poder esquecer,
todo problema que eu me causei,
porém, eu sinto não poder parar,
o gatilho já foi apertado,
dado disparo, ajoelhado eu rezei,
estrago foi pior que pensado,
mirei pra longe, e cigarro traguei,
o medo me toma de lado,
sinto derrotado, mas ainda sei que vencerei,

já é madrugada, eu sinto a magia,
ela me esqueceu, vivo a agonia,
instantes se passam, e eu me culpo,
deveria dormindo estar,
já são seis, logo verei três...

o cuco gritou, e riu de mim...


Por enquanto lhes deixo essa musica/poema, mas logo estão pra vir mais algumas, ainda n tive tempo de lapidar e completar algumas passagens. logo verão do que se trata. quanto a esse poema, vou chamá-lo assim, se trata bem do que ando passando, meu sentir como se estivesse abstraído da realidade, sem sentir a mim mesmo, perdido dentro de um caos na minha mente, o que não quer dizer que dure pra sempre, mas acaba me fazendo, pelo menos por dentro, um cara diferente do que eu estou acostumado, e cansado de acreditar sempre, mesmo sabendo, naquilo que me corrói e isso é absurdamente desgastante. mas é um bom poema, gostei muito dele, fiz em menos de uma hora. 




quarta-feira, 6 de março de 2013

Coliseu Genético































estádios de pedra, colossal construção,
onde consumam o desporto, brutal diversão,
estranho é o futuro, em plena divagação,
genético divertir, milênio após primeiro avião,
erguido estádio, maior de toda a humanidade,
onde imploram bizarras bestas qualquer piedade,
desafiando irrevogáveis leis da evolução,
pré-históricas disputam feras, estranha equitação.

reconstruídos répteis, genes fósseis mutados,
garras de espora, velozes famigerados,
e empoleiram-se plateias, de toda maneira,
gritam, clamam afoitas pelo final, o sacrifício,
tranquilizadas arredias criaturas, deparam-se à espada,
metálica armadura, do carrasco, mente programada,
tão fiel, subserviente ao ímpeto de glória ao ofício,
transportados cadáveres moviam-se após numa esteira.

por toda cidade, transmitido é o evento,
empolgados todos, carniceiros, aguardam o final,
obra do diabo, mais abominável invento,
preparam-se gladiadores, uma contenda mortal,
gigante ogro, rubro ciclope, a medir,
de altura seis metros, acorrentado, a aparecer,
enclausurado às escuras, imensas portas, o iriam libertar,
depois de horas poucas, luz o faria se dissipar.

armada adrenalina, rangem trincos,
violento bater, descortinar do demoníaco umbral,
soltam alavanca, de reação sequer sinal,
negro horizonte dentro ao cativeiro, nem afincos,
investida adentro, reação fatal,
de errado algo acontecia, nada o pode deter,
surgia maior que o normal, deformado, não de costume,
incontáveis olhos, imensuráveis membros, desigual;

monstruosa disforme rubra aparição de asquerosidade,
montanhesca molusca, assassina incontrolável,
imprevisível endemoniada, de imensa cavidade,
apenas um tentaculoso órgão de visão,
e imbuído de espinhos, em cada braço, mortífero ferrão,
juízes abatera, os empalava facilmente, e devorava,
partiram-se as correntes, presente publico debandava,
despedaçados eram muitos, aprisionados, no esmagar,
destroçada arquibancada, eletrônicas portas sem funcionar.

destroncados despedaçados membros, espalhados no chão,
filetes de carne, amontoavam-se aos moribundos,
poucos restavam, de mortos fingiam esperançosos,
resistiam alguns ensanguentados imundos,
arrancadas cabeças mais, perfurados troncos atravessados,
elásticos membros, reagiam em movimentos externos,
evoluía estranha massa, tamanho seu aumentava,
pequenas pernas, já não mais seu tronco sustentava,
terror paira, em cada espírito, gritando como ao nascer,
enjauladas obras caóticas, de seu próprio sujo entreter.




Inicialmente devo admitir que isso em parte foi um sonho que tive umas três semanas atrás, eu até tinha escruto algo sobre, mas não era poesia, era só um comentário a respeito, mas decidi tentar fazer algo diferente, uma coisa abominável que pudesse se enquadrar como arte, isso não é uma estimativa do que pode haver no futuro, ninguém é realmente bom pra saber o que vai vir daqui a mil anos, mas foi uma boa divagação de um extremo de brutalidade e surrealismo futurista. Espero que vocês que gostam de ler o blog tenham gostado dessa tentativa experimental. Tela de Bob Chet Zar, o pintor mais perturbador, na minha opinião que eu admiro. 





Predadora Insanidade
































demônios residem, em minha mente perniciosos,
busco escapar, no embate derrotado,
fugir clamando, cerrados punhos, reagindo, a lutar,
me perseguem grotescos, ímpios em qualquer lugar,
esboços dum negro fosso, amaldiçoado, sem mãos,
eu não consigo entender, apaziguar tais vãos,
expelir de fumaça fria, em paranoia perturbado,
eis-me com vários monstros, cá em meu lado,
eu não quero me esconder, pender pondero,
implora o anseio, por meio, de rogo sincero.

garras de harpias, sucumbir de tentação,
perdendo o controle, faca ao coração,
temo eu a loucura, insana, e miserável,
de excêntrica antes fosse, um mal que enclausura,
que abate, em meu peito, seu bater quer parar,
querem que eu pense, que eu creia, a me enganar,
me açoitam, derrubam, deslindam a muralha,
o herói é vencido, batido, por uma reza de gralha,
desmoronar de fortaleza, incerteza do fim,
toda noite sozinho, não me deixem comigo!

rindo morrer, num descrédito descuidado,
pele arriscando, até última consequência,
outrora, canalha manso, e admirável,
visto então, fora o sentir-se jurado,
desconhecendo em temor, tanta é a frequência,
vez e mais, em histeria absorto, embalado,
viu-se quão em pé estar, é louvável,
no tempo em que desconhecia santa ciência.

sufocando me sinto,
firme segura um punho minha garganta,
perturbador me espanta,
dolorido dobro-me em instinto,
extinto arrogante dizer de lógica,
presságio do dever de posicionar,
objetos à mesa, certamente, e salvar,
alguém, de possível desgraça,
presente sendo a única que deu-me a graça,
ainda temo sucumbir, de mim mesmo parasitário,
persisto em ser são, submergido em desvario...
tormenta tempestuosa de horrores,
habitam-me vis, como juras de amores,
perdendo o controle, num enturvecer,
preciso me libertar...




(Tela: Andrew Ferez)


sexta-feira, 1 de março de 2013

Cão Raivoso































lascivas correntes me amarram em flagelo,
e despido, caricias pele rasgam-me sádicas,
crescente arder, vermelhidão que exposta,
atreve-se, comigo, à aposta,
que incapaz sou de libertar,
corpo meu, exausto, vencer,
sobrepor-me, poder dominar,
num desespero, quase angústia, sedento,
queimando por dentro, inerte, em desejar,

submisso, calado, a vendo se deleitar,
rendido, um instante, ante a reviravolta,
fria noite, em caladas de presságios,
suor respinga, misturam-se, em estágios,
usado, apenas isso, apanhando sem dizer,
nada mais, que o que não se possa fazer,
lívida pele, macia, cheirando, sentindo,
encharcada textura, num consumir tinhoso,
sangravam minhas costas, longas arranhadas,
compassavam tapas, a musica, dum gemer manhoso,
devagar descabelada, repentina arrancada.

e sob mim, mais pouco tempo, o retorno,
encostado, vê-la toda, em meu torno,
mãos pra trás, molhados pulsos a tentar,
raivoso cão me encontro, por sangue sedento,
pro dentro uivando, ladrando, assim sendo,
o ensejo por devorar, o que lhe havia a pulsar,
por cada inerte tenra veia, tensionada,
usufruindo-me e cruel em depois deixar-me nada,
rubra febre, por ver arder,
pegar, voraz tomando, rígido sem soltar,
firme em mãos, tão delicada flor,
amassar de virgem pureza, corromper sem temor...

libertos punhos, garganta agarram,
tendem algozes unhas, inertes, abertas pernas,
lhe marcam mordidas, um suspiro de rendição,
desarmada inibida, em caricias ternas,
a vitória faminta de um odor de mulher,
fazendo de ti, serva devassa, quão me bem quer,
e o instinto meu, mordaz criativo,
se apraz, num abusar inventivo,
e entre momentos de extrema fissura,
nossos lábios, instantes, ainda tem, em que se esbarram.