domingo, 31 de março de 2013

Poeta Corvo





























marginal subversivo,
depravado anarquista,
esporádico hipócrita,
anjo negro fazendo própria justiça,
noturno boêmio,
sonhador realista;
caminho assim, e ainda vivo,
inteiro sujeito, no jeito da escrita...

a cada noite de um espetáculo testemunhante,
lenha do fogo, em brasa de cigarros,
ardente valor de inspiração,
consome a fumaça, se traça em rabiscos,
que seja com sangue, não fosse a caneta convenção,
melhor o primeiro no inferno,
com álcool, uísque, nossa redenção,
que aqueça o inverno,
pelo mundo, infortunada invenção,
decepção,
lixeira com vista às estrelas,
não há como fugir,
apodreçamos então!
mergulhados despertos, em sonhos de podridão,
santas cadelas
nos divirtam num transgredir,
à certeza do que é perfeito ser em vão!

havendo justo agir, entretanto, como irmãos,
projetos somos todos, dum céu de loucura,
ilha de ratos, em qual os piores tem em mãos,
tão verdadeira arte, que de outrora conosco perdura...

me nomine de maneira que quiser,
bastardo crápula, degradação,
engendro diabólico,
revolta sem razão,
sujo, relaxado,
rechaçado,
promessa de declínio da nação,
roqueiro vagabundo,
satanista, assombração,
frio, vazio, anti-cristão,
ditador de vago discurso
imoral, imortal, fora da escravidão,
vamos lá, como é que nos chamam?
recite, refira, regurgite, repita...
mas...
suas filhas me amam!
enclausure, censure, condene, proclame,
conflite, reflita... se esqueça, engane;
mas...
suas filhas me amam!

todos adoram ao que é fora da lei!
idolatram, idealizam, algo que nem sei,
ser algo mais do que sou, e nada vai mudar,
do motim é o momento, quão custe a anarquizar...

e no fundo, somos todos assim...
moral da beleza, a instituição que morreu,
quando num lodo de merda, o mundo conta se deu,
prefiro ainda ser mau... nisso me forjei, de onde ilustre eu vim,
se contrário caso fosse o meu,
não seria algo mais que uma silhueta no asfalto,
seca, que o mais fodido abutre esqueceu,
agora, cínico, contemplar posso, tudo do alto,
no que se converteu,
todo parco, estúpido idealismo,
no qual, a humanidade transgrediu,
sujeiras seremos hoje, amanhã a história,
e no futuro descendentes teus nos agradecerão,
somos em fato, retrato da euforia, rebeldia,
de um planeta à puta que pariu.

agressivo
argumento;
soco na cara,
o melhor invento
pra que mascara,
sujo, nocivo,
lascivo
que contamina,
nos rumina
toda alienação,
controlando,
inebriando,
enfraquecendo
com vil razão,
vermes indignos
de tempo perder,
novos valores
ainda piores,
embaixadores
da degradação,
incompetência
de revolução...
perderam limite,
deixaram a noção,
gostam do que incite,
estupida auto-destruição...

nós somos o que professaram apocalipse,
contra o estúpido caminhar da humanidade,
encarnado progresso rumo à transgressão,
um novo mundo, calcado pagão,
que ainda irá pelo bom senso recobrar,
e parar de agredir, tudo aquilo que natural,
e parar de aplaudir, disfarçado mal,
de consumismo enrustido de salvação,
de torpes líderes, deturpada moral,
caricato e ridículo humano expressar,
cada um saberá quem é sem se desviar,
esquerda e direita se ajoelharão,
e então não restarão vis interesses,
inúteis guerras desaparecerão,
ficará apenas quem por seguir em frente irá lutar.




Outro poema da série, "O mundo é uma merda" e também uma forma de mostrar como minha poesia e de mais alguns autores, que aliás, estão relacionados na lista de blogs parceiros daqui do Poeta das Sombras reage contra o mundo, por mais que nem sempre os tipos de ideias sejam as mesmas, ainda sim formam uma contracultura underground com isso. Esse poema é o mais "Crow" que eu já escrevi isso ai sou eu. 










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