domingo, 17 de março de 2013

Sinfonia de Espíritos































parta de encontro com inimigos teus,
medo lhe infringiram, é hora de reagir,
difuso, como uma bala de mosquete,
muito esperado, sua verdade atingir,
é o que resta, não há mais que perder,
de maneira alguma é impossível fugir...

em casarões residem incansáveis sombras,
insones figuras discutindo passado,
atormentadas loucas cômicas ranzinzas,
trágico desfecho em fogo cruzado;
lembrado, em tentativas de posses reger,
patrimônio não pode ser mais controlado,

consumidas almas, por um póstumo sofrer,
antiquada mobília, acariciam zelosas,
limpam, e jamais a poeira se vai,
angustiada espera pelo que não vem,
cavaleiros num deserto de infinidade,
por sentido em busca, inalcançável redenção,

doces semblantes, mortos anjos feminis,
de paredes emergem a me observar,
vivente infante d' outro lado, eu, até ingênuo,
no desconhecer do que vaga às sombras,
em mente; tormento, ecoam tristes lamúrias,
tanto esforço, jamais a poeira se vai,

solitário, irrompem sinistros gritos na noite,
de companhia; a sensação, desconfortante,
furtivos vultos vigiam-me detrás a porta,
os percebo, e como crianças se escondem,
em penumbras de corredores, risos sinistros,
num torpor envolvem-me como em sinfonia;

necessário é escapar, se emancipar,
àquela morada, quiçá todo lugar,
levitam punhais, espadins da parede,
há algo ali escondido, que os impede,
de seguir, pra algum plano, além de cá,
de lugar movida sempre vejo uma tal pá...

envolvente
persistente
cheio
vazio
de rancor,
fúnebre
cheiro
de cemitério,
me veio
em ébrio
terror,
se abre
o portal,
espiritual,
me querem
levar,
me inferem
a pensar,
co' uma arma à mão,
por me matar,
discutem entre si,
vivo valho mais,
meu corpo eu vi
não me ser servil,
e eu assombração
relvas noturnais
o via adentrar
tão
vil,
verossímil
menção
de herança,
que eu pudesse levar,
por mera vingança,
de meus ancestrais...

duma inimiga família tataraneto sou,
vizinha, por terras com vós lutaste,
dois séculos antes, deste que se mudou,
à minha frente, uma hora faz que era eu,
desdenho tudo o qual vós ganhaste,
fruto de fracasso, todo mundo morreu;

perdulária é a lama, que os impediu,
de vencerem, viverem, esforço algum vingou,
devolvam-me a mim se ainda ninguém percebeu,
que escondida, a fortuna, já se perdeu,
encontrá-la, onde uma praça em cima se construiu,
num mapa de coordenadas qual o tempo borrou.

e posso sentir, uma névoa se aproximar,
um cavaleiro no asfalto, estranha visão,
meu avô contemplava, de longe em direção,
à minha cabeça com um sabre se aprontar...
oh não, que fará desta maneira progressiva?
em rude galope, numa expressão agressiva;

por meu pescoço foi aquela espada trespassada,
mesmo seu fio, afiado não ter causado nada,
diante de mim, reencontrei-me em minha carne,
quando virei-me então, deparei-me no cerne
da batalha, de mosquetes, e cavalaria,
antepassados meus, e também os que eu seguia.

passou-se um mês, me fui embora,
e a casa, revendido a tinha para um conhecido,
que numa antiga firma me tinha, pois, sido;
um infeliz traíra, a exemplar uma víbora,
não que antes, não tivesse isto aos mortos contado,
mínimos detalhes, que e até de roubo era acusado.





Um comentário:

  1. Interessante este poema. Contar uma história como esta poeticamente, é uma forma bem original de se fazer literatura.

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