quarta-feira, 10 de abril de 2013

Curva Perigosa





























eu quero me arrebentar,
numa curva perigosa
cento e sessenta por hora,
quero deslizar,
em duas rodas e capotar,
gritar à morte em melhor estilo,
quero me foder,
anseio temer
conseguir,
só consigo seguir,
me estourar
é o que desejo,
num par de aros cromados,
eu vou rasgar pneu,
fazer gritar,
dar o melhor que esta moto já deu...

de couro a jaqueta,
que eu me meta,
na pior roubada,
da minha vida,
a maior cilada,
eu quero, é isso que preciso,
necessito,
mais que nunca tentar,
ver que não posso,
diante tal perigo
sou, pois, imortal...
devo eu conseguir,
acelera mais,
até o vento me cegar,
infartar, sim,
duzentos e aumentando,
virando brusco,
não capotando,
solto as mãos,
como é bom voar,
difícil forçar,
até o acostamento,
mais um movimento,
eu sei o dia que morrerei,
não será hoje...

estranha sensação,
de flertar com o destino,
de apostar a cabeça,
gatilho e pino,
a roleta russa,
e se descobrisse não haver balas,
nenhuma sequer...
temer pelo que não há,
não é desilusão com mulher,
eu estou sentado...
tendo mais uma crise psicótica,
surto de pânico,
taquicardia, ilusão de ótica,
está tudo borrado,
me sinto acabado...
que acabe!
então...
estou confortável num sofá,
estou esperando dito fim chegar,
ele nunca vem,
nunca aparece quando estou disposto.



Zumbis Radioativos






























acidente nuclear,
governo encurralado,
algo deu errado,
e na água a espalhar
veio a toxina, a mutação,
ninguém percebia
até a anomalia
virar epidemia
quarentena na população.

pandemia zumbi,
cérebro parou de funcionar,
apenas corpo precisava,
de coisa qualquer se alimentar,
multidão a rastejar
cambalear,
pela ruas, vivos mortos,
tortos carnívoros,
senti,
calamidade chegar,
quantos mais mordiam,
mais a se espalhar,
tudo que viam,
queriam devorar...

de lua cheia o luar,
tão bela, plácida pura,
livida a nos presentar,
os cadáveres em marcha,
raça difícil,
luta dura,
perdura,
loucura
ao caos impor,
amigos teus destruir,
os já tomados no horror,
como é matar... conhecidos
sem cura
mutados?
já mortos caminham,
engatinham
em pedaços,
continham
verde gosma em todo lugar,
não podemos nem ver,
quanto menos respirar...

marionetes da morte,
assassinas a clamar,
algo ininteligível,
querendo morder,
intento de comer,
crua carne sem pensar,
não pensam, não sentem
consentem
no existir até apodrecer...

ataque,
baque,
bote
mortal,
desfalque,
boicote
geral,
sem água
comida,
que será
da contida
população
restante?
mágoa
inquietante,
terror
surreal,
cai uma chuva,
de cor
anormal...

estranhos a gesticular,
molhados convulsionam,
começam a transmutar,
assustados se questionam,
logo a pele a esverdear,
tempo após se direcionam,
em meia volta, e se juntar,
com seus irmãos de destino,
estado clandestino,
consequência do que não se irá cessar.
multidão rasteja,
esse é o acidente nuclear...





terça-feira, 9 de abril de 2013

Eu e meus delírios infantis




pensei estar cercado, por extraterrestres,
certa noite, eu com uma faca na mão,
ouvia um barulho, bateu-me a porta, fui ver,
era apenas um sapo, bateu na madeira...

e eu pensava, dessa forma desordeira,
à razão, que sempre busquei, sem temer,
até mesmo ateu fui, por um tempo de antemão,
e àquele momento, entregava-me a absurdos destes...

sempre temi a esquizofrenia, é terrível,
porém, tudo que se crê pode ser temível,
vejam milhares de insanos, se matam por templos...

e como este, são assim tais maus exemplos,
por algum momento, apenas, uma vil auto sugestão,
uns passam, outros, após a morte, junto se vão.






Glórias Épocas




glorio período medieval, ou então o oeste velho,
riquíssima época fora a dos desbravadores,
bárbaros, druidas, arcaicos imperadores,
cavaleiros, guerreiros, e até das guerras mundiais,

que se fazem temas em poemas surreais,
férteis cativantes cenas, são os melhores,
ao meu ver, que lamentar mortos amores,
dos quais não deve ninguém meter bedelho.

mas, de certa forma, sou eu tais personagens,
são meus deslumbres, co' estas imagens,
um além de ser apenas mais um no mundo,

diferente sou, nem todos gostam de mim,
enfim, eu sonho acordado, e viver assim,
é de um poetismo tão sincero, tão profundo...





Mágoas




são mágoas tantas que não sei se aguento,
tempos mais, mantendo minha sanidade,
dormir, à madrugada negror vigio no intento,
de ser capaz por um segundo me apaziguar;

dor da falta, de ímpios céus pior invento,
mesmo a ver de outrora, tamanha maldade,
não sei se isto esqueço, então me sento,
diante ideias, começo um soneto criar...

porém, refém me vem pedidos de perdão,
em meus sonhos, constantes torturas,
perdoar não sei se sei, não sei se em vão;

sou mal, queria sê-lo, mas, duvido disso,
recordo em consolo infames agruras,
aquele eu que matei, em mentiras só permisso.

Dor no Peito



dor no peito, certeza de não ser amor,
se assim fosse, não doeria a cabeça,
dessa maneira que não quer que eu esqueça,
de meu estranho medo vão de infartar,

eu sei, viver assim é manter-se em um torpor,
é como se nela, quebra-cabeça, uma peça,
faltasse, lacuna, por mais que eu a impeça,
sempre ressurge a paranoia a me assombrar,

eis o mal do século, famigerada depressão,
ansiedade cruel, vingativa, general,
de quartéis insanos de meu temor, e inquietação,

culpa minha, quando diz ela o que não deve,
num espasmo de pânico, suposto e real,
ou raiva em prantos, abismal bola de neve.

Um Flautista




quão me apraz seu dizer ressonante,
espírito vibra, quando ouço composição,
tão bela como de toda a orquestração,
que regra um louco flautista a equilibrar...

...sua postura, numa só perna, e adiante,
cria-me vislumbre, e também expedição,
motivou-me à poesia, a tocar violão,
na glória e penúria, esteve a me acompanhar,

desde cedo, quando novo, e já amadurecido,
quando escuto toda vez, vejo mais sentido,
me vem lembranças, emerge imaginário...

aquele timbre, que eu canto e notas vario,
e se passarão décadas, e me vou lembrar,
nas batalhas, da musica, mais forte a me tornar.



Carruagem Infernal




infernais corcéis, indômitos redeados,
por um conde sombrio, rei dos atormentados,
eu o via, com assustadora face, risada engraçada,
descendo a plataforma do castelo, ladrilhada...

eu a observava, eram diamantes lapidados,
não impunha-me temor, o líder dos infortunados,
o admirava, por saber em bom tom cantar,
a canção que queria eu, comprazido ouvir...

queria, pois, com uma viola lhe acompanhar,
mas em pesadelos, nem tudo se pode adquirir,
tão fácil como pensam infantes, é difícil sensatez,

pintada de branco e preto sua medonha tez,
invertidas cruzes exibia, delas eu gostava,
assim como também de sua voz, quando feliz estava.

















Cafeína



meritíssima que ampara-me, comove,
me elucida, hiperealiza, e move,
minha mente, meu corpo ansioso,
minha figura inquieta, cansada, produtiva...

santa ou vilã, alguns dizem demais,
deixem a menina, cafeína, insonia a mais;
tanto faz, o cheiro de negro vaporoso,
me torna a alma, pouco mais cativa.

o cigarro queima, pra mim não há como,
sempre haverá um enquanto ela tomo,
cafeína, prostituta de meus desvarios...

em excesso faz mal, é o que consta, tudo bem,
tanta coisa é pior, e delas não sou refém,
idiotismo, por exemplo, como vejo em vários...