domingo, 16 de junho de 2013

Ansiedade






















carnais dores me envolvem raivosas,
tormento da mente, duvidar do real,
costas presas, tremente peito infernal,
dói a cabeça, surra sinto ser surreal,
temo por minha mente, sem controle,
desmaiar, morrer, sem respostas, meu mal
inebriado, coração latente, num torpor
iminente bomba relógio de inevitável confusão...

entorpecido em margens do assobio
da morte, e seus manhosos destemperos,
imediata surpresa, algo com que me arrepio,
cada vez que recaem sob mim tais exasperos,
estranhos sintomas, inaturais esmeros,
sensações cotidianas, agora reparadas,
aberrações colossais, tragédias antecipadas,
pensamento viciado na desgraça que impera;

eu temo morrer, medo de ser sequestrado,
por humanos, ou do além, tornar-me anulado,
do meu lugar, sumir, desvanecer, definhar,
de me atacar alguém na rua vir, desmaiar,
cerebral controle perder, cabeça estourar,
desrealidade, despessoalização,
enfraquecer-se num momento de atenção...
anda algo fora do normal, transformação!

mariposa doentia,
tormenta desleal,
o que há, que irradia,
me tira do normal...
pensamentos,
paranoias,
além do natural,
cobaias
de inventos,
intentos
do irracional,
descabidos,
desfreados,
não entendidos,
vil irreal,
imaginados
por outros ouvidos,
considerados
sem fundo leal,
pensados
simplesmente,
convincentemente
veio ao plano material!

exaustão, pedido de normalidade,
aos céus, que haja piedade,
mal do século, tarde é, demais evitar,
revoltado, tristeza angustiante a abraçar,
ardem vistas sem choro, e mais algo se revela,
pensamentos suicidas habitam a janela,
sugerem facas, na cozinha, a barbária,
o transtornar-se, em tão grande avaria...

em cada momento algo estranho a gritar!
em minhas veias, cada momento a surgir!
ânsia insone, dopamina em falta a afiar,
o fio da navalha em que me vejo a urgir!

urgência, imediato sentir, nunca realizado,
algo falta, todo tempo, sem por quê,
anestesia mundana, nunca quieto, saciado,
compulsivos movimentos, quem vê,
desconhece como é ser sob controle descontrolado...
contemplando consciente consequência consumada,
corrosiva condicente com cada coisa consumida,
físico é o vício, de coisas quaisquer, endividado...

vida
reduzida
em se preocupar,
se hoje vai viver,
poder poupar,
o existir
sem preceder
momento tal
de mundo deixar,
casulo do mal
danoso a tornar,
incapaz de viver,
reagir,
vencer,
buscar,
o que perdido foi,
retornar,
àquilo que não dói,
poder encontrar,
o algo que não corrói
ao se vivenciar...

atrever,
estremecer
enfrentar,
reverter,
esquecer
cansado
retornar
o estado
anterior,
paz
interior,
faz
sucessor
do impossível
que se fadar
fizera,
e infartar
pondera,
impermissível
e agora
absurdo,
não ser surdo
de si mesmo
ao esmo
qual vigora,
livrar-se à fera
até risível
que te agoura...

taquicardia, um dolorido em depressão,
inchada amídala, não consegue respirar,
a ode solitária ao cárcere sombrio de ilusão,
e por tão pouco, poeticamente posto a chorar,
frágil força, como mato do asfalto,
duma árida estrada sem fim, e do alto,
vê a montanha, a nuvem de chuva que espera,
por tanto, e lá, não irá ela se findar...

desejo de converter-se em imortal,
tão mortal terrano ensejo por medo motivado,
alguma coisa falta, quebrar de encanto,
um motivar que seja espanto,
de tão negra fase de alvo tornado,
novamente um prezar pelo que tanto,
que se quer, que nos demais é natural,
voltar ao ser humano, um algo mais neandertal.


Primeiro poema que realmente fiz depois de um tempo afastado de tudo que eu mais gostava de fazer... lembrando que não se trata de ansiedade comum, e sim o transtorno de ansiedade generalizada, que aparentemente não é terrivel, mas sim, é. Tela de Bruegel. 

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