sábado, 22 de junho de 2013

Cronica de Cemitério



de corpos um altar, mórbida a causa,
e lembro não saber como explicar,
dizer quão selvagem fui àquela tarde,
ao chegar, de um cenário de guerra,
eram quatro deles, eu os havia matado,
expressões ver de decepção depois,
assassino me tornei, com uma faca apenas,
e eles estavam com metralhadoras,
mortuários de amor à pátria, ao céu,
eu só pensava em ti, em tê-la comigo...

fugi pelas ruas, cemitérios desonrados,
controlavam as esquinas, camburões,
caminhões de soldados, era eu um fugitivo,
matei meu melhor amigo, num golpe só...
não escolhera ele ser soldado, sofrer,
escravo eu, tampouco me permitiria,
bombardeios destroçam vilas todo tempo,
seriamos nós, o próximo alvo a queimar,
tu me perguntavas, do alto de minha casa,
porque eu havia demorado tanto...

e suas armas só disparavam sangue,
lembro de sua garganta, sufocando,
lutando a defender a mim e a si,
os prenderiam se eu fugisse, e torturariam,
outro era seu parente, tentava atirar,
caíram-se todos, o cabo da faca quebrou,
quando acertava a cabeça do ultimo,
aguardavam pelo pelotão que foi atacado,
explodiram sem ao menos chance ter de lutar...
tudo que conhecíamos, não existe mais.





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