domingo, 16 de junho de 2013

Meu Monstro





























tão friamente, sempre descreditei,
mas algo agora...
...sinto nas sombras, por mim olhar,
me queixando de sua presença,
não há onde eu não o possa enxergar,
era o monstro do qual lhe falei,
e depois foi embora...
destemi o escuro... hoje, o vi voltar,
porém, não existe criança,
que um dia fui, não há como escapar,
no dia, em seu durante, mirei,
sua face que afora...
... não se faz mais por espreitar,
se faz figura, tão intensa,
dentro de mim, por me enganar...

... por iludir, por intrigar, por me fazer,
me permitir, me entregar neste sofrer;
e adentrar meu âmbito, cheio de pavor,
calado, é uma gruta qual lacrimeja ao torpor...
gotas angustiosas pingam, e minam,
seu solo, sua terra, e intenso viver abominam,
os sentimentos meus, que nela florescem,
é minha mente tal lugar... e nele, se esquecem...

sozinho me encontro, tento despistar,
quem me habita e me tenta evitar,
em busca de rever, aquele que eu perdi,
de reencontrar, tudo que já vivi,
e então poder, por fim lembrar,
que pesadelos, não podem nos matar,
incapazes de mais que medo infringir,
não vou me perder, em como surgir,
seu puro aspecto de impactante horror,
é apenas de um monstro, seu furor...
é somente algo, parte de mim,
que por tragédia, tornou-se assim...
é apenas uma criatura, quer se libertar,
um mal sonho, desejando despertar...

abominável, oh monstro meu, que nasceu,
carrasco e vítima, sem saber fui eu,
e agora crescido, consciente o preço pago,
tu te escondes na escuridão que trago,
de pouco em tanto, sanidade esmoreceu,
como caem as muralhas do afago,
e nesse breu, me encargo do evidente
destino, que adivinhanças faz por me trazer,
mesmo muitas vezes, não seja este eloquente,
estranho é ser crente, de algum mal a acontecer...

é tão difícil enfrentar, me convencer,
forças tirar, me imaginar vencer,
fardo sinto, da batalha, toda noite a pesar,
às costas minhas, e o por-vir imaginar,
solitário, ninguém mais a me entender,
obriga-me em mesquinhos desafios,
e cada vez eu, essa criatura mais a temer,
cérebro conduz por embaraçados desvios;
imponente num instante, pra de frente encarar,
se rompe o chão, ressoa o medo de morrer;

pai do horror,
de meu inferno,
oh, meu monstro,
num clamor,
mental, enfermo,
demonstro
turvo interno
tal torpor,
um frio de inverno
a descolorir,
qualquer vasta
paisagem
já basta,
não lhe devo ouvir,
alimentar
teu fogo ilusório,
miragem,
mal irrisório,
à realidade
comparado,
a verdade
do atestado,
final do desespero,
mais um destempero,
de ti em mim alojado!

tento não cair, puxando o chão,
não há queda, somente ilusão,
impossível fugir, hercúleo lutar,
não sou semi-deus, temo desabar,
devo prosseguir, é necessário esperar,
no mundo da pressa, doloroso é viver!
não espera, impera, me arrasta,
se impõe, contrapõe, se alastra,
incontrolável ideia, pessimismo anormal,
cada passo é eminencia de um fim letal.


Apenas pelo fato de eu estar ouvindo esse disco, o Fear of the Dark do Iron Maiden, eu resolvi colocar essa imagem na postagem, acho que tem bastante a ver com o tema do poema. 

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