sábado, 22 de junho de 2013

Pesadelo Somente...




























desperto em meio à noite, o luar fulge à janela,
sombras percebo, sem algo que lhes faça,
obscuros vultos ligeiros, os vejo saltar,
por entre embaçados vidros trespassam,
no já palpitante temor, escuto nele baterem,
árvores movidas à ventania, sinto o desastre!

arrepios gelam a espinha, coração acelerado,
frias mãos, mal as consigo de fato mover,
que querem estes sujeitos, a se despir do negro
aspecto, em espectro, fechando um cerco sob mim,
quão abomináveis eram suas faces deformadas,
a exibir afiadas presas e olhos de réptil profundos...

vislumbrava o carpete, aranhas caminhavam,
dificultosas em superfície incerta, gritavam,
e rubros gafanhotos me perseguiam famintos,
resmungavam por sangue, por detrás da porta,
e trancado sozinho, eu via à sala, o pior,
lacraias dançavam asquerosas no tapete, e alertas;

as pisava num misto desespero e ódio sem fim,
berro a esmos por saídas, das quais trancafiado,
me exprimo no desolar mortal do perigo eminente,
perseguem-me lentamente atravessando paredes,
marcham aquelas figuras, numa apatia intrigante,
disformes atravessavam-me num empestear sufocante.

repentino choque de realidade, percebo-me deitado,
fatídica e realmente à lucidez de um despertar,
calmaria me invade no desinfectar dum pesadelo,
solitário vazio de alívio me rege, verifico à volta,
uma leve dor de cabeça apenas, sussurra latente,
vereda miro, e diante, vislumbro algo estranho...





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