quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vida Ao Espantalho
























noturnais se explodem, de mil pragas, o arder,
trovoada soprante, gélido sussurro perverso,
malditos relampejam encantamentos vis, perigo,
vinganças, pelas ruas; espreitas, caminhantes,
inconsequentes vítimas desvelam cruéis surpresas;

calada ardilosa, madrugada de gritos infernais,
debruçada sob trincada antiga bengala, lá estava,
e por milharais se acortinando, uma velha feiticeira,
que por sombria dívida familiar, pois, cobraria,
momento chegado, anos após, seu algoz conceberia...

retumbante trovão, balançar do céu, 
macabro raio, sinistra névoa, mau véu,
em palha gerado, ardendo em dor,
braços cujos move, nefasto assustador,
guturais grunhidos inicia a resmungar,
vida ao espantalho, começa a andar,
o tenebroso introito, de um assassino,
e aquele seria; uma figura sem destino,
apenas sendo, de espírito desprovido,
o escravo dum crime, de si desentendido;

rasgado semblante de cabeça de couro,
surrados trapos vestindo, laranja xadrez,
olhos de buraco co' a força de um touro,
esbelto físico, proferindo sua vez,
queimada peruca de negros longos cabelos,
costurada boca, a professar pesadelos,
do calvário liberto pronto a matar,
uma grande foice no celeiro vai pegar,
lhe persegue a feiticeira, e então deparado,
livre percebe-se, não mais subordinado;

artifício do mal, feito após; em revolta,
esquerdo braço ergue, intento de absorver,
todo mal ao seu feitor um dia volta,
negror que dela; dentro ao peito, viria ser,
do auto-consagrado lazarento ceifador,
e a deslumbra cínico, sob efeito do horror,
lâmina, então em seu peito, faz afundar,
viva ainda, escuta suas palavras finais:
tal é o preço, por vinte anos ódio cultivar,
e uma desalmada vida conceber, com rituais.

amolada
lâmina
culmina
à cortada
em duas
agora
bruxa má,
embora
ele não vá
pois, deixar
de matar
com suas
inglórias
terríveis
memórias
a torturar,
indeléveis
cicatrizes
motrizes
que fazem lembrar,
dum passado
sequer vivido,
ou sentido,
à força absorvido,
querer consumado
de poder partir,
eternamente,
da culpa descansar,
destino seguir
paz então alcançar
trevosamente
em seu silêncio
sem fim...

escadaria trespassa, cachorros espanta,
lacerada porta com força que tanta,
ouvidos invade, que os criados levanta,
despertar ao pior de todos os sonhares,
digna aparição de apavorados olhares,
magia refulge, os distando aos pares;

rompidas portas do quarto de quem,
deve por destino, viver como ninguém,
logo inexistente, em nada mais intervém,
foice ao pescoço, sono descontinuado,
espantalho fita, surpreso, tom recuado,
do leito caído, lembra-se estar armado;

falhos tiros, tentativa de certo, pueril,
atravessa uma lua, seu estômago,
sem ar, ajoelhado cai, moribundo senil...
toma do morto então, a treva em seu âmago,
atravessam chamas por palhas mil,
retorna o espírito dum aborto amargo.




sábado, 7 de setembro de 2013

Pedrada Na Cara























policia abusiva, corrompida, adestrada,
atiram impiedosos, se questionam nada,
lacrimogênio arcado às custas do estado,
convertida verba, contra sua própria gente,
reclamam depois, de que ferido gravemente,
cães de guarda atacando um revoltado...

pedrada na cara, eu quero acertar,
arrebentar os dentes, fazer sangrar,
gratuita covarde violência 
retribuída deve ser, sem menor clemência,
bombas chutar, desfigurar, socar...
tomar sua arma, e mais dois foder,
queremos o batalhão todo dizimar,
queremos ver filho da puta sofrer!

arrancadas cabeças, frente à televisão,
queremos que vejam, de quem é o poder, 
isso é reação! foda-se quem os apoiar,
fascistas hipócritas, tapa na cara? quero ver!
só valentes se fazem co' uma arma na mão,
facada no cranio, nossa coletiva mente psicótica,
mata como corre atrás de um prato de comida.


Nada Para A Máquina



























punhos de ferro, coração de estanho,
trincado, amassado, exaurido,
ainda tenho em memoria
tudo que tive sofrido,
não serei entulho dispensado,
sou imortal, de aço revestido,
nada irá me derrubar,
frágil apenas minha alma,
ainda sou invencível, a lutar...

é guerra, combate jamais cessou, não acabou,
caído, imóbil, me redescubro,
retrato risonho, arrastado, se recobrou
e junto o brilho de horrendo temor inimigo,
soldado mecânico da guerra final, 
eles fogem, rezando que eu tenha esquecido,
imploram, pra que eu não saiba,
de onde vieram as balas, punhaladas imundas,
sem farsas, minha verdade os eliminará...

intentam, por meras vítimas aparentar,
encurralados ratos em sua própria doença,
chafurdando à miséria da sujeira causada,
à mira de minhas armas, não são mais nada,
vingança plena, glória justa, 
seguiremos lutando, quão necessário for,
praga social, à hipocrisia, consagrada lei,
carne e osso é o que podem eles ver,
é muito mais que isso, não conseguem entender.

desintegrando a rumar suas temerosas direções,
adoecido me sinto, circuitos contaminados,
ferro no espirito, defeituosa máquina, confusão,
rubros acendem-se olhos, maus, incendiários,
elétricos campos em cólera convertidos,
explosão magnética, raios de verdades finais,
inclemência, assim nomino minha sentença,
intrínseca lei que me habita incontestável,
despontar da eliminação de vós, absoluta;

conquistador impulsivo, manto destrutivo,
desertos de corpos, cada grão, uma historia,
semente discordiosa com a existência,
guerra eterna em si, em selvas de concreto,
marchando própria marcha, 
seu corpo é seu país, sua consciência a veraz lei,
lutar, palavras de justiça aos vermes,
desejo, nada mais que qualquer um queira,
a paz pela guerra, a paz, sempre eterna utopia...









Canibais De Esgoto





























retumba a canção por canais asquerosos,
grunhida, assemelha-se com reza ao demônio,
ecoam por malditos tuneis de esgoto,
onde sangue e merda cheiram igual... podre!

tal diabólico quão asqueroso pretende ser,
o poema infecto decomposto que os descrever,
intenta, com entranhas ao cumulo da agonia,
fedendo vomito, e contraindo-se angustiosa...

não os queira por ventura conhecer!
reze por saber algo correr,
eles querem te alcançar,
não há muito o que comer
dentro do esgoto, teu azar
insaciáveis criaturas,
ao canibal ensanguentado,
só agrada carne humana,
quando infeliz é deparado,
a visão que tão profana,
procria gerações futuras,
o mal que do escuro emana
chances não dá, de qualquer cura,

canibais de esgoto contra-atacam,
terrível deparar co' a anomalia, 
à indefesa vítima se atracam,
violenta explícita selvageria...
devoram cérebros nestes confins,
carniceiros, mordem suas tripas
chupam suas veias, fritam seus rins,
cozinham teus órgãos sem piedade,
no existir, se alimentar é unica verdade
dinheiro mistério é, desconhecido,
moeda de troca é jovem desaparecido,

praga parida pútrida propagada,
indecente imune intrusa incoercível,
incoerente pátria ímpia parasitada,
precursora irracional, prole ininteligível...
nômades da sujeira, contaminação,
da raça humana, sua deturpação,
suja, morfética, desequilibrada,
reino das valas, do mundo sabem nada...

canibais de esgoto contra-atacam, 
avançam do podre umbral,
rubras retinas, falas cretinas,
desgracenta encarnação do mal,
sangue letal, virulento venenoso,
chupa faminto o oco até do osso...
terroroso desconhecer,
falecer pra alimentar, 
sacrificar por não poder
a si mesmo libertar,
retornar e conseguir,
os demais outros socorrer
diante o terror a lhes surgir,
essa é a lei, dos canibais de esgoto!





Mofando Em Meu Porão






















de aranhas; teias, e lá mofando,
oculta a poeira, às mágoas trancadas,
por nome atendidas, confiadas,
no eterno escuro, nada valem as manhas,
desta mesquinha gente mentindo,
ferindo,
sujando,
confiança pouca restando
à humanidade, que ainda tenho,
desdenho,
reclusos falsos gritos, de atormentados,
em cativeiro os mantive durante tempo incontável,
num porão, literalmente acorrentados,
jubiloso alimentar de estimação inexplicável,

tristezas cujas fontes em cárcere mantenho,
um dia fugirão, do trauma, meu mérito,
costumeiros arriscam, de caçá-los, eu; o perito,
rações lhes presenteio em puro empenho,
de cães, como são, já acostumados,
diminuída porção se berros não são bem berrados,
engendro em meu ego, pomposa caridade,
perante víboras, familiares desde pouca idade,

que farei eu, quando por ventura definharem,
em tristonha vã rotina prisional,
de labor indispostos, servidos, resguardados,
como se deve, e até mesmo reensinados,
se agora deste plano, já a luz lhes faz mal,
quem dirá, quando por fim desencarnarem,
percebo-me ternura, imaginando à saudade,
do cheiro de mofo, desta plena felicidade.




A Maligna Dor De Cólica Renal


























impiedosa agulhada no rim,
pontada latente, vertiginosa,
ponta-pés contínuos no escroto,
vontade de vomitar,
veio logo isso a mim,
crescente dor alastrada torturosa,
dizem todos que sim,
ânsia por querer gritar!

maldita, nefasta, desconcertante,
sensação de morte, a incapacitar,
desanda, derruba, desesperadora,
algoz qual, não se pode escapar,
suadouros frios, resistir à impactante,
veemente vontade voraz de vociferar.

cólica renal,
dolorosa e do mal,
bastarda,
inconveniente
retarda
o racional,
vagabunda
inconsciente,
me abunda
irracional
de horror,
profunda
semente
me circunda
envolvente,
evidente
o furor,
corcunda
displicente
não posso sentar.

vadia filha da puta, quer meu saco, então chupa!




Anjo Da Vingança






















oh, anjo da vingança,
em flamejante sacrário,
espero de toda a andança
ter feito quão necessário
que sacie meu rancor,
feitos de outrora a dor
de modo a recompensar,
ensejei bom ser, mas optar
não pudera eu, assim, fazer,
perverso fui honrosamente,
ao menos decentemente...
d' escolhas fui desprovido,
e esperançoso tive sido...

diga-me então, por que ainda anseio todos matar?
pisar, esculachar, quebrar as pernas, destruir,
semblantes banham-se de cuspidas desprezíveis,
tudo nada mais que gentilezas a querer retribuir.

descrente de sincero amor poder ser merecedor,
muita vivida merda lembrando a novo passo dar,
insetos parasitas, insignificantes inúteis respiradores,
engendros de doentia escória pela terra a caminhar.

creio em ti, anjo meu que em minha alma te resguardas,
ensanguentada espada, negras lamúrias, soturna tez,
compulsivo animalesco impulso por livre violência,
sobre pungidos cadáveres armas usar, mais uma vez...





Pecado Provinciano...



pensando fico eu ensimesmado,
nas pessoas deste lugar, e sua mesquinhez,
em ver-las num inconformismo, à tez,
estampado,
por vezes muitas, infindáveis, invejas cujas,
brotam-lhes consumidoras, como lava,
incômodo no espírito, golpe de clava,
traiçoeiro é o manifesto, das bocas sujas,
refluxo podre, e parasitário,
ácido gástrico dum enlodaçado albatroz,
injurias proclamam em discurso ordinário,
irritante peçonhento timbre de voz.

confabulo quais por quês?
motivos seriam tais, a querer prejudicar?
outrem, que já distante, sequer existe,
rejeitada criatura, por consequência, triste,
consigo mesma, típico à raça, querer arrastar,
rastejar-se a si, se afogar em embarques,
da alheia vida, auto tortura de fêmea vadia,
insensato inseto...

espírito no breu da própria desgraça,
de alento vulgar; os outros foder!
ao menos tentar, que conseguiu; crer,
em certeza fincar-se, de únicas não serem,
prejudicadas ao vício da estupidez, padecerem,
num fundo poço, onde haja vidraça,
perspectiva esvaziadora... feia...
pecado provinciano...




Velociraptors Arranham Suas Vidraças























desperto em meio à noite, lua plena cheia,
estranho rangido, e não costumeira
se faz, em meu recinto afora, uma baderna,
latões de lixo escutar posso, num remexer,
abajur, pois, acendo, pego a lanterna,
abriria veredas, veria a morte me abater...

... precedentes macabros instantes, antes,
de terroroso tremendo susto, aterrorizantes
garras eram, como horrendas, a arranhar,
vidraças minhas, as pretendendo quebrar,
réptilicas aparições, ágeis endemoniadas,
grunhindo investidas até aqui, planejadas,

velociraptors à janela vidraças rangem,
amaldiçoado fulgor mítico de estranho luar,
anseiam viscosas narinas cujas esfregar,
em expostas entranhas, e que mais sangrem,
assim querem, se afundam, carne a dilacerar,
dinâmicas motrizes criaturas do assassínio ...

aterrorizante emboscada, tocaia ligeira,
cercada habitação em calmaria traiçoeira,
silêncio em timbre mortal, virá!
a quebra do vidro, e invadirá,
constante praga quase racional,
sua tribo sedenta de bote letal!

sufocado 
envolvido
em meio o terror,
guarnecido
ameaçado
em seu negror,
dentro ao sótão
escondido
bem munido
e com um facão,
se estilhaça
uma vidraça
posso ouvir
sua direção,
tendo a sentir
premonição,
é meu fim!
vem a mim!
pois, que enfim,
pra enfrentar, 
talvez morrer,
preparado,
gatilho aperto disparado acertei,
em desnorteio coronhada lhe investi,
seu pescoço logo após esfaqueei,
desmembrarei, então, atormentado foi que vi...

... nada mais me cercava violento fomentado,
repentino sumiço, deslocava-me à conclusão,
costumeira ultimamente, verídica em razão;
remédios meus, por intenção, os tinha parado,
em virtude ao receio, à perda de capacidade,
de histórias contar, com tanta dramaticidade;