terça-feira, 12 de novembro de 2013

Elegia de um mundo moderno





















em laboriosa distraída marcha, a retornar,
assobios, resmungos, cantoria operária,
cansados timbres, em fila, num auto recobrar,
entardecer de deixa; que desde cedo se queria,
cotidiana exaustão, vista como gratificante,
anoitecer que revalida repousar em si, cativante,

vindoura jornada, indiferente d' outras mais,
despertar físico, adormecer ainda emocional,
fatigado a sentir, como se não descansado,
apruma-se atento, a não destoar do formal,
por num dia produzir; seus lucros mensais,
rude ordem acata fingindo-se empenhado,

expediente; semanal terceiro, vão enjoativo,
descoberta nenhuma satisfaz mais seus versos,
disposta labuta, mão-de-obra desgastante,
retorno almejado, enfim, algo felicitante,
temporal breve tortura, do ganho; os inversos,
ligeiros gastos d' espírito abstraem pelo aquisitivo,

doentio raciona vinténs, pela sobrevivência,
patriarca que com um sorriso oculta desespero,
adormecendo pairando ao pesadelo de adoecer,
devendo ao eleito estado; sua fiel obediência,
e deseja-lo; em sua justa lei, sempre seja próspero,
um cidadão de valores, nada tem que temer...

fatigado sucumbe ainda, e à tez perseverante,
um sentir-se adoecer, dia a mais, anos durante,
auto-degrado pelo dito emergir desta nação,
que alegrias concebe, e com justo total amparo,
por ventura chegada foi de sua saúde um reparo,
capaz não sendo de morte impedir, por precisão.

corrosivo sustentar de material realização,
pueril tóxica lógica, meritocrática infame,
à sua mente isto pairava, co' zunir dum enxame,
emocional resistência, sacrificada em questão,
de suportar não por si, pelo que amava, e ceder,
cabeça cuja à execução, incondicional teve de vender.



Um comentário:

  1. Esse poema retrata muito bem o mundo atual. Uma procura frenética pela sobrevivência e a perda da real essência.

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