quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O assassino da esquina abaixo






























doloridas pálpebras, excessivas lágrimas,
divina justiça, recaia sobre os maus,
fazei às mãos minhas, teu decreto final,
lavai-me de sangue, livrai-me às lástimas,
te emprega por mim, sedento funesto animal,
faca manuseando, psicológico debater,
ensejo matar, depois de tanto morrer.

devota justiça, alvo de alheia estranheza,
tido monstro vida toda, então rebelado,
perpetrais por mim trevoso apocalíptico;
macabro nuncio de piedoso livramento,
criterioso assassínio, eis o alvo planejado,
à culpa isento, retidão de cunho eclíptico,
feitor consagro-me ao hostil derramamento,

retumba sinistra trovoada,
semblante apenumbrado,
reviravolta encarnada
num tom atormentado,
de remorso sente nada,
diabólico anjo assombrado,
mistério detém presente,
sente, apenas ódio acumulado,
revolta, co' a vida, que inerente
se faz vítima molestada,
vítima algoz duma emboscada
de ainda sim frágil coração,
assim ser, sido não deveria,
feio pranto, sincera histeria
dentro do peito, bruta angustia
empregado amor, todo fora em vão...

desejo psicopata
ainda que não
possa com convicção
algo de fato fazer,
tal dor trata
com um estranho lazer;
poema escrever
sobre matar
tão mau sentimento
que por si, sem ter saber
de quão é destruidor,
arraigado,
em meu intento
eu o enfrento
assim, como escritor,

pesadelo
desvelo
dias após,
culpa de nós...
em meu querer
já te matei,
pois, saciei
raiva minha,
que vinha
a me fazer
parvo ser
esquecer
quem era eu,
me prometeu
não desistir,
se esqueceu?
de forma esta
me traiu,
rancor infesta
este meu ser,
a confessar
tenho de ter
agora é festa
funesta,
nada sentir,
rememorar
como é rir...

co' um cutelo, sarcástico lhe cortei, 
antecedendo, estava eu a esfaquear,
- estranha diversão, é, eu sei!
e numa mala, pedaços guardar,
madrugada adentro, desembargo fluvial,
mortal montante se vai co' a corrente
acenos de despedidas perpetro contente,
depois, dizer é só, "oh, foi tudo um acidente!"
de ida passagem só, ao destino infernal...

...podem as palavras, certamente machucar,
e não foram estas, as piores, com certeza...












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