sábado, 7 de dezembro de 2013

A viúva do guarda-chuva

























por dentre pedras caminhante, de chuva encharcada,
luar refletindo ao noturno negror pairando,
eu a vejo!
vislumbro-a radiante
não como outra passante
duma mera mirada,

reflito aflito o que fito estrito a mim somente,
me permitindo imaginá-la a meus braços se dando,
almejo...
como no tempo, viagem,
tornar à imagem,
àquela época deprimente,

e podia simplesmente, sem temor com ela falar,
tocava-lhe a face, e carícias minhas lhe bastavam,
cedia-me, e os fartos lábios cujos se apertavam,
recaia o rubro receio de comigo aos beijos estar,

se entregava afinal, em vãs falácias entretida,
o inclinar-se natural, em abraço meu envolvida,
tão semelhante amável, como eu, irritante...

resta, pois, agora; o elucubrar vertiginoso agonizante,
de minha ira sobre mim, que fui deixando...
como lampejo!
foi-se embora realidade,
e, envolto em fealdade
lúgubre amargura veio pairante,

todavia angustia ainda o que via, sombria figura,
lívida toda madrugada, mesma hora passando,
me revejo!
incapaz de escutado ser,
ela, de negro, sem perceber...
ou me ignora com terrível lisura,

tempesteiam irosas nuvens, trovões de aguaceiro,
abafadas brisas que assobiam meu premonizar,
desconheço o seguir que tomará tão triste passeio,
sabendo eu, não está mais ela onde estava a morar,

reluto em crer, no dizer de más línguas relatados,
e saber, de seu amor por mim, anos após não datados,
sua sepultura recordar, quando a ela estive perante.







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