quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Filho Do Mar



























descalços pés que em encharcada areia afundam,
vertiginosas quebram irosas ondas,
nebuloso horizonte rompe perspectivas quaisquer,
filho do mar, grita tuas dores ao pai tormentoso,
de tenro semblante gotejam afagos,

ventania levanta, envoltura de sussurros abundam,
silhuetas sobem, quebram redondas,
para si, enrijece os dedos, mãos, e energia verter,
se prostra ensimesmado, à maresia saudoso,
permite espírito invadir, como os magos.

furioso adentrar mental imerso ao enfurecido,
quebrar latente d' água que verte à plena vontade,
entregar d' alma, ensejos conjuram ferocidade,
hibridiza encharcada carne ao âmbito desconhecido,
o possuir de olhos não mais seus, a transformar,

de trovões grotescos, retumbar montanha acima,
tempestade mãe traz consigo o que não se estima,
negror de funesto céu, mórbido tenso assustador,
consome interno, escaldante denso rancor,
por embarcações tais, vindas a se aproximar.

de artilharia impiedoso explodir qual remete,
amargas lembranças, funestas de anos atrás,
ao vilarejo invadir, tendo feito quem promete;
revanche em retorno ao entorno de tão más
marinhas rotas, mórbidos presságios em que vem;

turvo redemoinhar levanta, em cascos quebra,
vertem navios, mortal moinho que entenebra,
mercenária expedição, águas de corsários sem lei,
assassinos, de sangue devotos, do ímpio rei,
ao inferno mandar-los-ei, d' onde praga tal provêm,

uma voz intervem,
plena carregada,
de rancor que tem
consigo jurada
velha maldição,
ela diz, detalhada;
aqui sempre haverá,
aos invasores cruéis,
nesta ilha, perdição,
luta, derrota,
ratos no convés,
morte de algum irmão,
tudo derroca
por de alguém cuja mão,
que aqui nascerá
e, pronto a defender,
tal lugar estará,
mesmo que a pagar
com sua própria morte,
não há quem mais forte
seja ou tenha sorte
sequer possa atracar.

filho meu,
conduz tua tormenta,
espírito alenta,
este teu,
e que a se enfurecer
me evoca,
que toca
meu furor, reverter,
de fundas marés,
encharca teus pés,
praga, faça acontecer
de acordo
com o vosso direito,
recordo
quão mal lhe fora feito
a teus pais,
lá no cais,
órfão, renegado,
foi teu legado...
por isso, pois, te escolhi,
te acolhi,
como tal, meu mensageiro,
qual beiro
no inteiro
punir
da injuria
vil, ímpia...





Nenhum comentário:

Postar um comentário