quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Vertido Sangue Sete Vezes





























tempestade nebulosa
de gorjeio sinistro,
em fúria, pia vaidosa;
o mal, que é ministro,
de noite esta; misteriosa,
e fogo vem acender
do sortilégio ancestral,
e a morte corromper
em sua prática magistral,
pleno conceder, renascer,
pelas vias do umbral...

nefasto verter sangrento de purificação,
cortados pulsos, manchados rubros punhais,
virgens vasos se inundam sob a canção,
cântico do sacrifício às pendencias carnais,

perdura encarnado o espírito, sem vital fluir,
e, incendiado à possessão de ardente flâmula;
se torna o sangue, substância mais pura a existir,
perante etéreo queimar, nada o macula,

banhar-se em própria essência rubra ardente,
proferidas sinistras notas vocais entonadas,
reluzentes involucrais raios, gritar estridente,
expostas veias de vivas pulsações retornadas,

reverberada energia, assim sete vezes vertida,
violenta ventania sopra a consagração final,
conjurar de negra antiga arte de vinda e partida,
e cessada, descortina, enquanto em vida um imortal.

converter
bestial
d' espírito,
venal
reverter
mortal
que prescrito
fora,
agora
vigora
oculta
metamorfose
e que resulta
perfeita
à simbiose
refeita
à correnteza
temporal,
empreita
à aspereza
da guerra
em terra
a qual
vil senhor
indolor
impiamente
cairá,
será
somente
o pó
sem dó
a existir,
ao dizer
do vento,
alento
a vir...

imposto sacrifício que espada concede,
sentir melancólico, revolucionário invencível,
pelos reis perseguido, e que à luz se impede
de figura ser, do povo, retrato reconhecível,

indestrutível inabalável cavaleiro da noite,
entregue alma pelo libertar das gerações,
sete séculos às entidades servir, até que intróite,
novamente ciclo seu de bravas reencarnações,

sombria lenda de vilarejos à luminosa capital,
boatos se escutam de um assassino inigual,
o povo o ama, crianças, velhos, escravos, mães...
diz a lei, isto é um crime, é o que ladram os cães,

minguante lua, toda vez, popular querer saber,
qual ímpio senhor, à espera, irá morrer,
moralmente intenta o rei entusiasmo impedir,
não há mesmo assim, como tais sentimentos inibir,

sepulcrado em terna paz, apenas quando for,
dado o último escarrar, de onde então jaz,
tal que em rudes homens, do ódio foi causador,
dando-lhes a guerra, sem um porquê lhes ensinar.




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