domingo, 15 de junho de 2014

Aranhas Não Falam
























infestação,
inferno estação,
estafermo
anfitrião enfermo...

assobiam aranhas,
mortífera peçonha,
não nada tacanhas
temorizam quem sonha,

gigantes amantes,
antes distantes,
errantes perantes,
recente eminente
inocular ardente,
inerente avermelhar
de inchada picadura,
apenumbrada escura
é a morte espreitando
consorte cedendo
prazer provocando
o dizer falecendo
clamando socorro
engasgando o esporro
que jamais deu,
ninguém lhe ouviu,
visão se encobriu,
tomou-lhe ímpio breu.

alcoólica alma, por justo renegada,
do pesadelo desperta, à carniça deparada,
sucessivas investidas, do rosto deformar,
inchado, sem reação, etéreo prostrar,

e em subjetiva conjectura,
prisioneiro de sua mansão,
passados dias, nessa altura,
tornado fora assombração.

alucinação persistente,
- criadagem demente!
como dizia antesmente...
diluída é a figura
que à noite fulgura,
em construído vão império
herdado à escravatura,
criador do impropério
e violenta sangrura,
colheu carnal ruptura
seu final cadavério...
cessou de outrem a penúria.

implantada
praga,
e que traga
revoada,
qual se paga
sendo
vil que afaga
retendo
alma alheia
co' ilusão,
quem cerceia
grilhão
no pé
do qual sem fé
anseia
a imensidão...
desgraça a quem escraviza
dor, cuja seja sem piedar,
a revolta imortaliza,
umbra aguarde quem tentar!


Tela de Esao Andrews



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