domingo, 15 de junho de 2014

O Famoso Beijo Da Morte





























soturna fera, afinco, é como à caça conduz,
à dedo escolhe vítimas, um juramento final,
negra figura sombra expande, dissemina o mal,
tristeza sua ao mundo, o luto eterno induz,
basta quererdes, em tal juízo alma confiar,
o famoso beijo da morte, jamais lhe irá saciar!

perigosa escolha, imortal enquanto viver,
seus lábios fácil secam, usura infernal,
temor pela incauta lenda, de que vai morrer,
conforta breve a crença desta não ser real,
pois então, pense, quão se poderia fazer,
torpor agora é intenso, num conjurar carnal.

aparência estranha à boca, seu antecipar,
escura escorre ao queixo saliva e fel,
prenuncio do destino qual se há de entrar,
derrama um abismo, em seu seio, o véu,
da maldição, não tem mais como escapar!
as trevas da noite vão sua mente abraçar.

de fuga; a ideia, descarte ao surgir,
é um algo interno a emergir,
culpa e tristeza que a obscurecer,
mais forte fará seu tenro ser,
seus vulgares preceitos irão mudar,
esta quem és, tu irás matar,
isenta de dor, num cego desperceber,
maneira; a única de suportar.

brisa
sombria
acompanha
à volta,
escolta
dum breu
a sussurrar,
visa
uma via,
é façanha,
revolta,
se solta
do seu
agrilhoar,
pisa
na fria
real tacanha
verdade,
piedade
fato
tende negar.
impossível,
irremissível,
improvável
inafundável 
utopia
pia.

órfão espectro, mais um condenado a vagar,
miséria sua cessa, tortura outra a começar,
amante carícia envolve, suspiro de pesar,
insano aceitar, será, tão mórbida declaração,
espiritual completar imerso à escuridão,
enquanto durar, não há como voltar, remediar...




Nenhum comentário:

Postar um comentário